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Quando a pesquisa encontra a infância: livro produzido no PPGEPE da UFMA transforma práticas avaliativas e inspira educadores da primeira infância
Quando iniciou sua pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMA - Câmpus Imperatriz, o professor Jorge Santos não imaginava que seu trabalho ultrapassaria os muros da Universidade e chegaria às mãos de dezenas de profissionais da Educação Infantil. Mas foi exatamente isso que aconteceu. O livro Avaliação na Educação Infantil: Concepções e Práticas Colaborativas, fruto direto de sua dissertação, já movimenta formações continuadas, reorganiza práticas pedagógicas e provoca reflexões importantes em escolas do município de Buriticupu (MA). E o ponto de partida não foi teórico: surgiu de uma demanda concreta da rede de ensino.
Da inquietação ao livro
Durante a pesquisa de campo, Jorge percebeu que muitas professoras sentiam dificuldade em manter processos avaliativos coerentes com as necessidades da infância. A sensação de que “algo estava faltando” se repetia entre elas. “Foi ali que percebi que a pesquisa não precisava ficar só na dissertação. Ela precisava virar diálogo, grupo de reflexão e, depois, um livro”, conta.
O grupo criado por ele reuniu professoras da rede para discutir desafios, práticas e experiências do cotidiano. As conversas se transformaram em capítulos, as vivências se tornaram exemplos, e os desafios geraram caminhos possíveis.
Antes mesmo de concluir a pesquisa, Jorge já enfrentava na prática orientações engessadas e relatórios que não dialogavam com a realidade das crianças, aquelas que brincam, inventam e transformam o espaço escolar. Esse cenário o levou à Sociologia da Infância, que fortaleceu o eixo central da obra: a criança como protagonista e produtora de cultura. “Quando a gente para para ouvir as crianças, tudo muda. A avaliação deixa de ser papel e passa a ser vida acontecendo”, afirma.
Um livro que conversa com quem está na escola
O grande diferencial da obra é o equilíbrio entre teoria e prática. O livro aborda a documentação pedagógica como instrumento vivo, o uso de registros e narrativas infantis, práticas colaborativas entre docentes e fundamentos legais apresentados com linguagem acessível. Além disso, traz estratégias reais para o cotidiano das salas de Educação Infantil, algo que, segundo os leitores, tem feito diferença no trabalho das escolas.
Jorge explica que buscou escrever de forma leve, clara e direta. O resultado é um material que professores leem, compreendem e conseguem aplicar. “A avaliação pode, e deve, ser mais humana e sensível”, destaca. Desde o lançamento, o livro passou a integrar encontros pedagógicos e formações continuadas em Buriticupu.
Coordenadores e professores relatam que, enfim, encontraram um material que explica avaliação de forma clara, apresenta exemplos reais da rede, oferece possibilidades em vez de modelos engessados e respeita a infância. “Os retornos têm sido emocionantes. Ouvir que o livro tornou a avaliação mais leve e compreensível é gratificante”, comenta o autor. A publicação também inclui QR Codes que dão acesso a vídeos e materiais extras, tornando a leitura mais dinâmica e conectada ao cotidiano das escolas.
Da pesquisa que se espalha ao que vem pela frente
A produção do livro contou com a orientação de professores do PPGEPE-UFMA e apoio técnico para revisão e diagramação. Embora independente, o projeto foi fortalecido pela troca acadêmica e pelo compromisso coletivo em qualificar o trabalho pedagógico na primeira infância.
Animado com a repercussão da obra, Jorge já iniciou um novo material, agora voltado para avaliação de estudantes público-alvo da Educação Especial. O objetivo é discutir como, quando e por que avaliar, contribuindo para práticas mais conscientes e sensíveis às especificidades desses alunos.
O livro de Jorge Santos nasce da prática e retorna para ela. Representa o cotidiano de uma rede, a dedicação de educadores que buscam ampliar seus conhecimentos, a potência das vozes infantis e o papel transformador da universidade pública na formação de profissionais que impactam diretamente a vida das crianças.
Por: Thátila Sousa - CCIm
Revisão: Jáder Cavalcante