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Quando o sonho vence: histórias de superação marcam primeiro dia de colação de grau da UFMA

publicado: 11/03/2026 19h37, última modificação: 11/03/2026 19h37
Formandos do CCH e CCET celebram conquistas ao lado da família em uma cerimônia marcada por emoção, orgulho e novos começos
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A trajetória de Aslan Calebe Azevedo Diniz é uma daquelas histórias que transformam uma cerimônia de colação de grau em um verdadeiro símbolo de superação. Formando do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BICT) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Aslan define a experiência com uma frase que circula entre os estudantes do curso: “A gente não termina, a gente vence”.

No papel, o curso tem duração de três anos. Mas, como ele mesmo explica, o caminho até a conquista do diploma foi feito de desafios, descobertas e escolhas. Para Aslan, foram quatro anos de aprendizado intenso.

“Passei ali por quase todas as áreas que o curso de Ciência e Tecnologia proporciona pra gente, desde Engenharia Civil até Engenharia Computacional, e, assim, é muito gratificante a gente ter contrato com vários profissionais de extrema qualidade, nossos professores são extremamente renomados. E, graças ao BICT, eu tive muitas oportunidades de carreira. [...] Então, sou muito grato por participar desse curso, estar finalizando ele.”, conta.

Agora, o próximo passo já está definido: ingressar no segundo ciclo de formação, no curso de Engenharia, com interesse na área de Computação.

Para a família de Aslan, a conquista representa muito mais do que um diploma. É a confirmação de um caminho construído com esforço, resistência e esperança. O pai, Ronald de Jesus, não escondeu a emoção ao falar sobre o momento:

“A emoção é ímpar. A gente vem de momentos iniciais de crescimento na família e é muito bom ter mais um aluno negro, vindo das classes mais baixas da sociedade, hoje se formando na UFMA”.

A mãe também compartilhou o sentimento de realização. “É um sentimento de dever cumprido. Para os pais e familiares é sempre um grande orgulho formar um filho. A nossa realidade é forte, firme, mas conseguimos. Já temos uma filha formada em Direito e agora o Aslan em Ciência e Tecnologia. Só tenho gratidão a Deus e desejo que ele tenha muito sucesso e realizações na carreira”, afirmou.

Aslan compartilha o momento com a família. Foto: Agaminon Sales/Dcom

A solenidade de colação de grau do Centro de Ciências Humanas (CCH) e do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET), referente ao segundo semestre de 2025, foi presidida pelo reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva, que destacou o significado do momento para a Universidade e para a sociedade.

“Mais um momento de celebração da nossa Universidade. Estamos entregando para a sociedade profissionais qualificados para atenderem às demandas do nosso estado e do nosso país. Quero parabenizar todos os formandos e formandas, assim como os seus familiares e amigos que também contribuíram muito para que esses nossos alunos, agora egressos, tivessem sucesso na sua jornada na nossa Universidade”, afirmou.

Educação que transforma

Representando os paraninfos da cerimônia, a professora Cíndia Brustolin, do curso de Ciências Sociais, lembrou em seu discurso que a universidade pública se torna cada vez mais plural e diversa, graças às políticas de inclusão e destacou que, para muitos estudantes, chegar ao ensino superior representa uma conquista histórica para suas famílias.

“Agora, a Universidade se constitui um pouco mais plural, com as cotas sociais, raciais, com as discussões de gênero e sexualidade, mesmo que ainda tenhamos um grande caminho e que estejamos sob ataques constantes. Não podemos esquecer que, por muito tempo, a educação pública de qualidade foi privilégio e que ainda persistem dados alarmantes de acesso à educação superior no Brasil. Assim, vocês, chegando à formação superior, alguns talvez os primeiros da família a entrarem e concluírem o curso universitário, acreditem no fazer coletivo, façam alianças produtivas, desloquem-se, ocupem os lugares, se precisarem, criem novos, furem as bolhas, insistam, resistam, se revejam, sejam felizes”, aconselhou a paraninfa.

A paraninfa oficial da solenidade, Cíndia Brustolin, do curso de Ciências Sociais. Foto: Agaminon Sales/Dcom

Em um discurso marcado por referências à cultura popular e às lutas sociais, a professora desejou que os diplomas se tornem ferramentas de transformação social. “Que esses canudos sejam força nas lutas por emancipação e dignidade, quando necessário, que esses canudos sejam afeto sempre”, concluiu.

Entre os formandos, muitas trajetórias revelam quanto a conquista foi construída com dedicação e sacrifício. A estudante Cleudivania Silva Costa resume o momento em poucas palavras: felicidade e gratidão.

“Foram quatro anos e meio de muito sofrimento, mas me sinto muito feliz e realizada. Tenho muita gratidão aos meus professores da UFMA. Agora quero tentar mestrado, depois doutorado, mas também quero atuar na minha área”, afirmou.

Reconhecimento ao mérito

Outra história inspiradora é a de Suziane Ribeiro, formanda em História e uma das estudantes premiadas com o Mérito Acadêmico, reconhecimento concedido pela Universidade aos graduandos com desempenho destacado ao longo da graduação, conforme a resolução nº 3.391 do CONSEPE.

Para Suziane, a conquista representa o resultado de anos conciliando trabalho e estudo.

“Foi um grande sacrifício estar aqui. Trabalhar e estudar ao mesmo tempo não é fácil, e hoje eu estou aqui, com tanto esforço, e eu agradeço a Deus por isso”, conta.

Natural do litoral do Maranhão, ela precisou se mudar para São Luís para cursar a graduação. “Minha mãe ficou no interior e vim morar na casa da minha tia. Foi tudo novo para mim. Fui aprendendo a me locomover pela cidade e o trabalho no IBGE também ajudou muito, porque eu fazia pesquisa e conseguia conciliar com os estudos”, relembra.

Agora, diante do diploma nas mãos, a emoção é inevitável. “Estou ansiosa e feliz ao mesmo tempo. Quem diria que eu estaria aqui hoje?”, diz.

Durante a cerimônia, estudantes de diversos cursos receberam o Prêmio de Mérito Acadêmico, concedido aos graduandos que alcançaram elevado desempenho ao longo da trajetória universitária. Foram premiados estudantes dos cursos de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Ciência da Computação, Ciências Sociais, Design, Engenharia Ambiental e Sanitária, Engenharia Civil, Engenharia da Computação, Engenharia Elétrica, Filosofia, Física, Geografia, História e Teatro.

Mais do que um reconhecimento acadêmico, o prêmio simboliza a dedicação e a persistência de estudantes que, muitas vezes, enfrentaram desafios sociais, econômicos e pessoais para concluir a graduação.

Estudantes agraciados com o prêmio Mérito Acadêmico. Foto: Agaminon Sales/Dcom

Os sorrisos, os abraços e os inúmeros registros da cerimônia mostram que a colação de grau não representa apenas o fim de uma etapa, mas o início de novos sonhos.

Histórias como a de Aslan, Suziane, Cleudivania e tantos outros formandos mostram que a universidade pública continua sendo um espaço de transformação, onde trajetórias antes improváveis se tornam possíveis.

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Por: Ingrid Trindade

Fotos: Agaminon Sales/Dcom

Revisão: Jáder Cavalcante

Divulgação: Paulo Miranda

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