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Professor da UFMA integra presidência de grupo de especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza

publicado: 21/08/2026 14h32, última modificação: 21/08/2026 14h55
Prof. Dr. Samuel Boff passa a integrar a liderança do Grupo de Especialistas em Abelhas Silvestres da IUCN e representará a América Latina em discussões globais sobre conservação e biodiversidade
Professor da UFMA é eleito presidente de grupo de especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza

Samuel Boff passa a integrar a maior entidade do mundo dedicada à conservação da natureza. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) conquistou destaque no cenário internacional com a eleição do professor Samuel Boff, da coordenação do curso de Ciências Biológicas Bacharelado (CCBS), para a presidência do Grupo de Especialistas em Abelhas Silvestres (WBSG), da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A escolha, anunciada em junho de 2026, amplia a participação da UFMA em uma das principais redes globais dedicadas à conservação da natureza. À frente do grupo, o pesquisador participará, ao lado de especialistas de diferentes países, da construção de iniciativas voltadas à proteção das abelhas silvestres e à conservação da biodiversidade.

Em reunião, a nova equipe iniciou as discussões sobre o funcionamento do grupo, suas políticas e as principais ações a serem desenvolvidas ao longo dos próximos quatro anos, entre 2026 e 2030. Segundo Samuel Boff, uma das prioridades será ampliar o engajamento de pesquisadores e da sociedade em torno da conservação das abelhas.

“Nós começamos a delinear estratégias para alcançar um público engajado sobre as abelhas, mas, além do engajamento, pessoas que tenham conhecimento para que possam, de fato, contribuir com a conservação em um nível global. Discutimos possibilidades de adquirir novos membros de pesquisa, quais são os subprojetos mais interessantes para virmos a trabalhar nessa gestão de quatro anos, possibilidades de encontros e reuniões presenciais e a inclusão local e regional, no caso das Américas, representadas por mim, além de pessoas da Ásia, Oceania e Europa”, explica.

Além do professor da UFMA, outros três integrantes foram eleitos para compor a liderança do grupo, com representantes do Reino Unido, da China e da Austrália. Para Samuel Boff, a participação nesse espaço abre novas possibilidades de fortalecimento das pesquisas desenvolvidas pela Universidade e amplia sua integração nos debates científicos internacionais.

“É uma oportunidade muito importante não apenas para mim como pesquisador, mas, principalmente, para a UFMA e para o Maranhão. A IUCN é uma das principais organizações internacionais dedicadas à conservação da natureza, e a sua Comissão de Sobrevivência de Espécies reúne milhares de especialistas de diferentes países. Isso significa que a UFMA passa a estar representada diretamente em discussões internacionais sobre conservação de abelhas silvestres”, destaca o professor.

Inclusão de espécies sem ferrão
Entre as prioridades da nova gestão, Samuel destaca a ampliação da comunicação científica, a formação de jovens pesquisadores e a criação de um grupo específico dedicado às abelhas sem ferrão, espécies comuns em ecossistemas tropicais, como os brasileiros. Segundo o pesquisador, ampliar os estudos e as discussões sobre esse grupo é fundamental para a conservação das espécies e dos ecossistemas associados.

Hotéis de abelhas: estruturas de bambu que servem de abrigo e nidificação para abelhas solitárias. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

“Esse é um tema particularmente importante para o Brasil e para outros países tropicais, porque essas abelhas têm importância ecológica, econômica e cultural muito grande. Ao mesmo tempo, existem questões de conservação que precisam ser discutidas internacionalmente, como o transporte de colônias para fora de suas áreas naturais de ocorrência, o uso de espécies manejadas para polinização e os possíveis impactos da alta densidade de colônias manejadas sobre as populações silvestres”, aponta.

Outro eixo estratégico da gestão será o fortalecimento da integração entre instituições científicas brasileiras e internacionais, além da aproximação da sociedade com as iniciativas de conservação das espécies.

“São áreas nas quais acredito que a experiência que temos desenvolvido no Brasil e na UFMA poderá contribuir diretamente”, defende o pesquisador.

Maranhão e Amazônia no cenário global
A diversidade de espécies de abelhas existente no Brasil, especialmente em regiões como o Maranhão, localizado em uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, ainda recebe pouca visibilidade nos debates científicos internacionais. Nesse contexto, a presença da UFMA no WBSG representa uma oportunidade para ampliar a divulgação das pesquisas desenvolvidas na região e inserir questões locais nas discussões globais sobre conservação.

Segundo Samuel Boff, a localização e a diversidade ambiental do Maranhão colocam a Universidade uma posição estratégica para o desenvolvimento de pesquisas de relevância local e internacional. A parceria com a IUCN também fomentará discussões sobre temas como perda de habitat, agricultura, mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.

“Minha expectativa para a gestão 2026–2030 é contribuir para aproximar ainda mais a pesquisa realizada na UFMA dessas redes internacionais. Isso pode significar novos projetos colaborativos, intercâmbio de pesquisadores e estudantes, capacitação de jovens cientistas e participação da Universidade em iniciativas internacionais de monitoramento e conservação. Podemos contribuir levando a realidade brasileira e latino-americana para essas discussões e, ao mesmo tempo, trazer para a UFMA oportunidades de cooperação, formação de estudantes e desenvolvimento de projetos internacionais”, conclui.

Por meio da participação do professor Samuel Boff na presidência do Grupo de Especialistas em Abelhas Silvestres, a UFMA amplia sua presença em redes internacionais de pesquisa e conservação, fortalecendo a projeção da produção científica maranhense e contribuindo para que questões ambientais regionais estejam presentes nos debates globais sobre biodiversidade.

Por: Agaminon Sales

Fotos: Agaminon Sales

Revisão: Jáder Cavalcante

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