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Pesquisadores da UFMA identificam relação entre má oclusão dentária, qualidade de vida e distúrbios do sono em adultos jovens
Pesquisa foi publicada em um dos mais importantes periódicos científicos da área. Foto: PPGO-UFMA
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal do Maranhão (PPGO-UFMA) publicaram um estudo que amplia o conhecimento sobre os impactos da saúde bucal na qualidade de vida e do sono. A pesquisa identificou que alterações na oclusão dentária, condição caracterizada por problemas no alinhamento e no encaixe dos dentes e dos ossos maxilares, podem estar associadas à pior qualidade de vida relacionada à saúde bucal e a distúrbios do sono em adultos jovens.
O artigo, publicado no Journal of Orofacial Orthopedics e disponível neste link , avaliou 213 adultos com idade entre 18 e 30 anos por meio de exames clínicos odontológicos e da aplicação de questionários validados para mensurar qualidade de vida relacionada à saúde bucal e qualidade do sono.
Os pesquisadores também investigaram a presença de hábitos orais, como bruxismo (apertar ou ranger os dentes), morder lábios e bochechas, dormir apoiando o rosto sobre as mãos, além de alterações na deglutição e da percepção da necessidade de tratamento ortodôntico.
Resultados encontrados
Os resultados mostraram que participantes com mordida aberta anterior, alterações na deglutição e determinados hábitos orais apresentaram pior qualidade de vida relacionada à saúde bucal. Entre os principais impactos observados estão desconforto físico, prejuízos emocionais, dificuldades nas relações sociais e alterações psicológicas.
O estudo também identificou que a pior qualidade do sono esteve associada ao bruxismo, ao sexo feminino e à percepção da necessidade de tratamento ortodôntico. Os achados sugerem que alterações bucais, muitas vezes negligenciadas, podem interferir diretamente no descanso, no bem-estar e até no desempenho acadêmico e profissional dos indivíduos.
Para o pesquisador Vandilson Rodrigues, que integra a equipe responsável pelo estudo, os resultados reforçam a importância de ampliar a visão sobre os impactos da saúde bucal na qualidade de vida.
O pesquisador destaca que “a saúde bucal não deve ser analisada de forma isolada. As alterações na oclusão dentária podem apresentar repercussões negativas no bem-estar emocional, nas relações sociais e na qualidade do sono. Isso evidencia a necessidade de um cuidado integral, com diagnóstico precoce e atuação interdisciplinar para promover mais saúde e qualidade de vida à população”.
Abordagem integrada
Distúrbios do sono e problemas emocionais relacionados à saúde bucal podem reduzir a produtividade, comprometer o rendimento acadêmico, afetar as relações interpessoais e aumentar a demanda por serviços de saúde. Nesse contexto, os pesquisadores defendem o fortalecimento de ações educativas nas universidades e nos serviços de saúde, promovendo maior conscientização sobre hábitos orais, qualidade do sono e saúde bucal.
Para eles, os resultados da pesquisa fortalecem a necessidade de uma abordagem integrada entre Odontologia, Psicologia e Medicina do Sono, favorecendo estratégias mais eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento.
"O tratamento ortodôntico tem como objetivo clínico melhorar a função mastigatória (mordida) e a estética dental, mas pode ter repercussões positivas na percepção de qualidade de vida e na qualidade do sono, como benefícios secundários", acrescenta o pesquisador.
Com a publicação da pesquisa em um dos mais importantes periódicos da área odontológica, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) reafirma seu compromisso com a produção científica, com a difusão do conhecimento e com o fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde e ao desenvolvimento social do Maranhão.
Por: PPGO-UFMA