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VI Seminário Ciência Cine Guarnicê discute pesquisa, inovação e circulação do cinema contemporâneo
Seminário debate Inteligência Artificial Generativa na produção audiovisual. Foto: Sarah Dantas (DCOM)
Cumprindo a etapa científica e expandindo a discussão acadêmica sobre o audiovisual, o 49º Festival Guarnicê de Cinema realiza o VI Seminário Ciência Cine Guarnicê. Anualmente, o seminário promove momentos de discussão e troca de saberes, além da produção de um e-book que reúne os principais tópicos defendidos durante os encontros. O evento também oferece palestras, debates e mesas-redondas sobre temáticas inerentes ao audiovisual e ao próprio festival.
A abertura do seminário foi realizada nessa segunda-feira, 24, e a programação se estende até quarta-feira, 26.
Em sua sexta edição, o seminário traz como tema “Narrativas Humanas no Audiovisual: pesquisa, inovação e circulação do cinema contemporâneo”, reunindo pesquisadores, professores e profissionais para discutir diferentes perspectivas sobre a produção, circulação e memória do audiovisual, bem como sua relação com a sociedade. A programação ocorre de forma híbrida. Os debates presenciais ocorrem no Palacete Gentil Braga, enquanto as apresentações dos grupos de trabalho são realizadas de forma remota.
De acordo com o organizador do Seminário Ciência Cine Guarnicê e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Marcus Tulio Borowiski Lavarda, o evento permite ampliar a diversidade de pesquisas e debates sobre o audiovisual, aproximando academia, produtores e realizadores para discutir temas locais e nacionais. “A ideia da comissão deste ano foi justamente a de ampliar a discussão teórica à diversidade de pesquisas que se desenvolvem ao redor do país. A partir deste título, o seminário recebeu uma pluralidade de resumos expandidos que estão sendo apresentados nos GTs vespertinos, tais como o de linguagem audiovisual, crítica e, por fim, o de Memória, Patrimônio e Educação. Por outro lado, nas mesas-redondas matutinas e presenciais, pensamos em assuntos mais atuais sobre a TV 3.0, a IA como produção de conteúdo e toda a problemática da distribuição no cinema nacional, sem deixar de lado o tema local, sobre os projetos de pesquisa e extensão no Maranhão. E, diante disso, pretendemos alcançar o maior número de trabalhos, áreas e demais segmentos do audiovisual, dialogando tanto com produtores e realizadores, como também a academia”, frisa.

Público participa da palestra “Personalizando Ferramentas de IA para Produção de Conteúdo”. Foto: Sarah Dantas
Neste ano, o seminário conta com 38 trabalhos e promove debates com profissionais e pesquisadores sobre o cenário audiovisual no Maranhão, abordando desde distribuição, pesquisa e extensão até o uso de inteligência artificial, novas tecnologias, patrimônio e educação. A programação acadêmica engloba estudos de todo o país, divididos em três Grupos de Trabalho: Linguagem Audiovisual, Crítica e Memória, Patrimônio e Educação (GT 3). Esses grupos aprofundam reflexões sobre o cinema brasileiro, a produção regional, a preservação cultural e os processos de criação.
A diretora de Assuntos Culturais da UFMA e uma das organizadoras do Festival Guarnicê de Cinema, Rosélis Câmara, ressalta que o seminário fortalece a pesquisa na área e completa o tripé universitário: ensino, pesquisa e extensão. “Há seis anos, nós criamos e instituímos o Seminário Ciência Cine Guarnicê exatamente para ser esse espaço de pesquisa, onde os pesquisadores da área possam apresentar os seus trabalhos. A universidade tem esse compromisso com a ciência, com a pesquisa dentro do audiovisual. O Seminário surgiu para deixar o projeto no tripé, ensino, pesquisa, extensão, porque nós temos as ações formativas na parte de ensino, pensando na formação, nós temos a extensão, que é o próprio projeto em si, e a pesquisa, que é exatamente, a apresentação dos trabalhos científicos”.
Debates atuais no audiovisual
Além das apresentações de trabalhos e da produção do e-book, o VI Seminário Ciência Cine Guarnicê trouxe debates sobre duas das maiores fronteiras tecnológicas atuais da comunicação: a Inteligência Artificial Generativa e a TV 3.0.
Entre os destaques da programação estão a palestra “TV 3.0 e as perspectivas para o audiovisual”, ministrada por Marcelino Cunha, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) Eduplay, e a conferência “Personalizando Ferramentas de IA para Produção de Conteúdo”, conduzida pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMA (PPGCOMPRO), Márcio Carneiro.
Na discussão sobre IA, o professor Márcio Carneiro abordou o uso prático da inteligência artificial generativa em todas as etapas da produção audiovisual, desde a criação do roteiro até o produto final. O docente destacou como o desenvolvimento científico democratizou o acesso à tecnologia, antes restrita a programadores, e ressaltou a importância de demonstrar essas experimentações na prática para o público.

Professor Márcio Carneiro aborda uso da IAG na produção audiovisual. Foto: Sarah Dantas (DCOM)
Para o professor, “é fundamental, porque uma parte do que a inteligência artificial generativa está fazendo hoje só existe porque houve esse desenvolvimento científico para possibilitar isso de uma forma bem fácil para os utilizadores. Antigamente, usar a inteligência artificial era uma coisa para programadores, então, hoje em dia, está na mão das pessoas, você fala e, enfim, consegue o que quer, e isso é ciência, a gente precisa mostrar o lado científico e as experimentações que a gente tem feito também”.
Márcio Carneiro também destaca a relevância de discutir o tema em um festival de audiovisual. “Eu acho que trazer esse olhar científico, conectar isso com o mercado, com os produtores de conteúdo, é fundamental para melhorarmos o entendimento do uso e dos riscos dessa tecnologia.”
Para o público presente, o seminário constitui-se como uma etapa fundamental para compreender novas práticas e aplicar ferramentas tecnológicas na produção de conteúdo.
A estudante do curso de Serviço Social da UFMA, Isabelle da Silva Fonseca, participa pela primeira vez do Festival e considera importante entender o funcionamento da inteligência artificial generativa em diferentes vertentes. “A gente percebe que a IA está cada vez mais presente no nosso cotidiano, e eu achei interessante fazer, até mesmo porque, assim como elas estão presentes, elas são uma ferramenta importante.”
Isabelle relata que seu interesse pela discussão foi despertado pela necessidade de “entender como elas funcionam e como podemos utilizá-las. Como essa questão de criação de vídeos está crescendo, eu achei interessante a temática”, finaliza.
O VI Seminário Ciência Cine Guarnicê encerra-se nesta quarta-feira, 26, com a mesa-redonda "Distribuição Audiovisual", a partir das 9h30, no Palacete Gentil Braga, e com apresentações de trabalhos de forma on-line no período da tarde.
Acesse a programação completa aqui.
E-book
Tradicionalmente, a cada nova edição do Seminário Ciência Cine Guarnicê, é publicado um e-book contendo os trabalhos apresentados no evento anterior. Esse ano foi lançado o e-book V Seminário Ciência Cine Guarnicê 2025: imagens em cena: história, crítica e mercado cinematográfico.
Por: Sarah Dantas
Fotos: Sarah Dantas
Revisão: Jáder Cavalcante