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UFMA realiza cerimônia de acolhida da Turma Especial de Jornalismo do PRONERA
Acolhida da Turma Especial de Jornalismo PRONERA. Foto: Agaminon Sales (DCOM).
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) realizou, nessa quinta-feira, 16, a cerimônia de acolhida da Turma Especial de Jornalismo do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). O projeto é resultado da parceria entre a Universidade, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e visa formar comunicadores das comunidades rurais e democratizar o acesso à universidade pública.
Ao todo, 47 jovens de territórios de assentamentos e comunidades quilombolas de dez estados do Norte e Nordeste do país integram a turma, marcando o início de uma jornada no ensino superior. O coordenador-geral da turma, Francisco Gonçalves, destacou a importância da formação acadêmica de jovens comunicadores que vivem no ambiente rural:
"Formar jornalistas que estão ligados aos movimentos, da luta da terra, da luta das florestas, das matas e dos rios, tem uma importância muito grande, porque nós vivemos uma crise climática. E essas populações cumprem um papel importante na mobilização regional e, mais do que isso, na discussão sobre a realidade climática do nosso país. O nosso objetivo, portanto, é contribuir para uma capacitação desses comunicadores em nível universitário”.
Na ocasião, também estiveram presentes o vice-governador do Maranhão e professor do curso de Direito da UFMA, Felipe Camarão, a diretora do CCSO, Lindalva Maciel, e a coordenadora pedagógica da turma, Gisela Sousa. Representando as instâncias de reforma agrária e educação do campo, a coordenadora do PRONERA pelo INCRA, Valéria Rodrigues, e a representante do MST, Júlia Iara Alencar.
Registros da cerimônia de acolhida da Turma Especial de Jornalismo do PRONERA. Foto: Agaminon Sales (Dcom)
Inclusão e acesso à educação
O curso será desenvolvido por meio da Pedagogia da Alternância, que equilibra “Tempo Escola” e “Tempo Comunidade”. A metodologia tem por objetivo promover formação integral e de qualidade, sem que os estudantes deixem seus territórios.
Segundo o reitor da UFMA, Fernando Carvalho, a Universidade aprimora continuamente sua política de inclusão de grupos minoritários, sendo o curso de Jornalismo do PRONERA mais uma dessas ações.
“A Universidade, mais uma vez, mostra o seu papel como instituição inclusiva ao iniciar o curso de jornalismo do PRONERA. Este curso tem um papel muito importante para a formação de 47 jovens jornalistas, que vão atuar nas áreas rurais deste país, com credibilidade e a certeza de que os conteúdos produzidos por eles terão qualidade e confiabilidade na difusão das informações”.
Para a representante do MST Maranhão, Maria Gorete Sousa, o curso é uma política pública fundamental para a democratização do acesso ao ensino superior.
“O PRONERA é uma política pública fundamental para garantir que a população jovem dos acampamentos e dos territórios quilombolas possam ter acesso à educação superior. Já tivemos outras experiências com a UFMA e nós queremos que esse projeto possa, de fato, ter uma abrangência maior no Maranhão e no Nordeste”, declarou Maria Gorete.
Luta por direitos e autonomia
Representante da turma, Dáfiny Carvalho. Foto: Agaminon Sales (DCOM).
Uma das ingressantes do curso é a jovem Dáfiny Carvalho, que faz parte de um assentamento do MST no sudeste do Estado do Pará. Para ela, a formação em jornalismo vai proporcionar qualificação para produzir informações a partir do olhar de quem vive os movimentos sociais.
“Frequentemente, nós somos recebidos de forma hostil, com violência em muitos espaços e nós queremos contar as nossas realidades a partir do nosso olhar, porque muita gente conta a nossa história, mas não com o sentimento que a gente tem. Então, para nós, [o curso] representa uma conquista, porque tudo para nós, dos movimentos sociais, não vem dado, vem conquistado através de luta e resistência”.
Realidade semelhante é do estudante Francisco Catarino, da comunidade quilombola de Acauã, do interior do Rio Grande do Norte. De família humilde, o jovem enxerga no curso a oportunidade de fortalecer a luta dos povos quilombolas.
“O curso representa um passo importante na minha trajetória por ser uma das primeiras pessoas da minha família a ingressar na Universidade. É uma oportunidade de ampliar as minhas ações no quilombo, com uma atuação mais assertiva e ampliada no contexto quilombola do estado todo”.
A modalidade adotada pelo curso também permitirá que o conhecimento adquirido na Universidade seja compartilhado com outros integrantes dos grupos. Este é um dos objetivos da jovem Ana Clara Santos, que vive no acampamento Palmeiras, no sul do Maranhão.
“Esperamos aprender bastante e sair daqui com conhecimentos para repassar aos companheiros da comunidade, para que, quando precisarmos registrar as nossas manifestações, não precise vir jornalistas de fora para cobrir, e, sim, pessoas da própria comunidade, que conhecem o movimento e a luta”, afirma.
Mais do que proporcionar acesso ao ensino superior no campo, o curso simboliza o compromisso da Universidade Federal do Maranhão com a inclusão social e com o fortalecimento da comunicação popular, garantindo oportunidade às futuras gerações.
Por: Agaminon Sales
Fotos: Agaminon Sales
Revisão: Jáder Cavalcante
