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UFMA realiza 2ª edição do evento "Encantos de Tibira" com foco em diversidade e resistência LGBTQIAPN+
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do programa PET Teatro, realiza, nos dias 22, 24 e 26 de junho, a segunda edição do Encantos de Tibira, no Centro de Ciências Humanas (CCH), com o tema “Quando o Corpo Vira Dissidência”. O evento ocupará o cenário acadêmico e cultural com uma programação gratuita que reúne teatro, cinema, literatura e rodas de conversa, consolidando a universidade como um espaço de debate sobre memória, arte e direitos humanos da comunidade LGBTQIAPN+.
A iniciativa parte da premissa de que a existência plena de corpos que desafiam normas sociais e padrões rígidos configura, por si só, um ato político. Diante disso, o encontro busca tensionar o academicismo tradicional ao integrar diferentes linguagens artísticas e experiências de vida, transformando o espaço universitário em um território de afeto, criação e enfrentamento.
O coordenador do evento e tutor PET Teatro, Jurandir Eduardo, destaca que o projeto vai além da teoria acadêmica, utilizando a expressão artística como uma ferramenta de emancipação e visibilidade. "Nossa intenção é criar um espaço que congregue experiência de vida e produção artística direcionadas por sujeitos que compõem a comunidade LGBTQIAPN+. Queremos mostrar para a comunidade acadêmica que somos seres potentes e capazes de revolucionar o mundo com a nossa arte e produção de conhecimento”, explica o docente.
O professor ainda ressalta que o tema central do evento, “Quando o Corpo Vira Dissidência”, propõe enxergar a corporalidade além do aspecto biológico, compreendendo-a como um manifesto vivo e político. "A ideia de discutir o corpo parte do entendimento do corpo como narrativa e expressão de subjetividade que todos nós desenvolvemos ao longo da vida. No recorte de subjetividade LGBTQIAPN+, o corpo se instaura como uma plataforma, muitas vezes, de questionamentos de padrões, estéticas e possibilidades de outras vivências. Dessa forma, buscamos refletir sobre este território que chamamos de corpo e suas inúmeras manifestações na arte, na vida, na literatura e em todas as nossas ocupações” declara Jurandir.
O docente também destaca o ineditismo da construção do projeto: "Toda a programação elaborada pelo PET Teatro foi pensada para visibilizar experiências de vida e arte desenvolvidas em múltiplas plataformas com base em narrativas queer e dissidentes que exploram o contexto da nossa comunidade. Toda a programação é aberta à comunidade acadêmica, gratuita e constituída 100% por pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+”, finaliza.
Programação
A programação vai reunir diferentes linguagens artísticas e experiências de vida, promovendo reflexões sobre identidade, pertencimento, memória, arte e direitos humanos nos dias:
22 de junho (Segunda-feira):
Abertura oficial com a Roda Queer: "Quando o Corpo Vira Dissidência", o debate reunirá convidados para uma conversa sobre corpos dissidentes que ocupam e transformam os espaços sociais e culturais.
24 de junho (Quarta-feira):
Programação especial do mês do orgulho com o CinePET, exibindo o documentário "Favela Gay", que aborda homofobia, trabalho e aceitação na periferia. Em seguida, ocorre o Papo Queer, que desafia o academicismo por meio do afeto e da arte, e uma Masterclass de Vogue Femme Introdutório, com foco na história da cultura Ballroom e fundamentos práticos da dança.
26 de junho (Sexta-feira):
Encerramento com um Papo Queer com a bicampeã de Melhor Atriz no Festival de Teatro da Amazônia. Logo após, haverá o lançamento do livro "Terra Batida", da escritora maranhense Rute Ferreira, com bate-papo sobre o processo criativo e sessão de autógrafos.
Todas as atividades do evento são totalmente gratuitas e abertas ao público geral, sem necessidade de inscrição prévia. Para participar dos debates, exibições e oficinas, basta comparecer aos locais das ações nos dias 22, 24 e 26 de junho.
O 2º Encantos de Tibira reafirma o papel da UFMA na construção de novos espaços de diálogo, unindo a produção de conhecimento acadêmico à potência das manifestações artísticas da comunidade LGBTQIAPN+.
Por: Judson Nunes
Revisão: Jáder Cavalcante