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UFMA promove Semana de Meio Ambiente com programação gratuita sobre mudanças climáticas
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) realiza, entre os dias 8 e 10 de julho, a Semana de Meio Ambiente 2026, com o tema "Do Mito ao Conhecimento: como a Lenda da Serpente Encantada explica as mudanças climáticas em São Luís – MA". Promovido pelos estudantes da disciplina de Geologia Geral do Curso de Oceanografia, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) e o Programa de Pós-Graduação em Cultural e Sociedade (PGCult), o evento ocorrerá no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) - Câmpus São Luís e reunirá palestras, minicursos, oficinas e rodas de conversa voltados à comunidade acadêmica e ao público em geral.
Conhecida por atravessar gerações no imaginário maranhense, a Lenda da Serpente Encantada conta que uma enorme serpente habita as antigas galerias subterrâneas construídas durante o período colonial sob o Centro Histórico de São Luís. Segundo a tradição popular, o animal continua crescendo ao longo dos séculos e, quando sua cabeça encontrar a própria cauda, grandes catástrofes irão atingir a cidade. Partindo dessa narrativa, a Semana de Meio Ambiente propõe uma reflexão sobre como os saberes populares podem dialogar com a Geologia, a Oceanografia e as ciências ambientais para compreender fenômenos como alagamentos, elevação do nível do mar e as mudanças climáticas.
Segundo o professor da UFMA e um dos organizadores do evento, Arkley Marques Bandeira, a proposta surgiu durante as atividades da disciplina de Geologia Geral. "A proposta foi trazer para o evento os conteúdos trabalhados na disciplina de Geologia Geral, especialmente as discussões sobre mudanças e emergências climáticas, tanto no âmbito acadêmico quanto no social. Os estudantes pensaram em um tema muito interessante: utilizar a Lenda da Serpente Encantada, conhecida por toda a população de São Luís, para refletir sobre como esse imaginário pode nos dar pistas para compreender fenômenos como os alagamentos em áreas insulares, como ocorre na Ilha de São Luís".
O professor explica que um dos principais objetivos da Semana de Meio Ambiente é aproximar a universidade da sociedade e ampliar a participação da população nas discussões sobre questões ambientais. "Neste ano, propomos uma dinâmica diferente. Em vez de a sociedade vir à universidade para ouvir o que temos a dizer, queremos ouvir o que ela pensa sobre as mudanças climáticas e o meio ambiente. Essa inversão é importante porque nos permite compreender como a população percebe essas transformações e construir esse debate de forma mais colaborativa".
Para Arkley Marques Bandeira, essa aproximação também passa pelo reconhecimento de que diferentes formas de conhecimento podem contribuir para a compreensão da realidade. "Hoje entendemos que não existe uma hierarquia entre conhecimento científico e conhecimento popular. Existem diferentes regimes de saberes, que precisam dialogar entre si. Muitas vezes, o conhecimento produzido na universidade não chega à sociedade porque utiliza uma linguagem distante da realidade das pessoas. Da mesma forma, a academia precisa estar aberta para ouvir os conhecimentos construídos pelas comunidades. A Semana de Meio Ambiente foi pensada justamente para promover esse encontro e criar um diálogo em uma linguagem acessível, mostrando que cada pessoa pode contribuir para a construção de um meio ambiente melhor", ressalta.
A programação contará com a palestra de abertura do ambientalista Pedro Lago, que abordará a história dos rios de São Luís e compartilhará suas memórias sobre as transformações ambientais da ilha. Também serão realizadas palestras sobre preservação dos manguezais, mudanças climáticas e a luta pela criação da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim.
Ao longo dos três dias, o evento oferecerá minicursos sobre segurança alimentar e resíduos sólidos, oficina de biojoias, rodas de conversa sobre a preservação da Lagoa da Jansen, o movimento Reviva Rio e a regularização de territórios indígenas, além de debates envolvendo pesquisadores, estudantes e representantes de comunidades.
Segundo o professor Arkley Marques Bandeira, discutir a agenda ambiental dentro da universidade é fundamental para fortalecer as pesquisas desenvolvidas pela UFMA e ampliar o diálogo com a sociedade. "Hoje a UFMA possui importantes programas de pós-graduação voltados às ciências ambientais. Precisamos extrapolar os muros da universidade e levar esse debate para diferentes públicos, porque as mudanças climáticas fazem parte do cotidiano das pessoas e seus impactos já podem ser percebidos em diferentes regiões".
A Semana de Meio Ambiente integra ainda as ações do projeto de extensão UNA-SE, apoiado pela AGEUFMA, que reúne o PRODEMA, o Programa de Pós-Graduação em Cultura (PGCult) e o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PROGCIN), fortalecendo ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas às agendas ambiental e cultural.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 4 de julho. As vagas são limitadas e os participantes receberão certificado. Para acessar o site oficial do evento e realizar a inscrição, [clique aqui].
Por: Byanca Santos