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UFMA lidera elaboração do Inventário ESG do Porto do Itaqui
Observatório Portuário do Maranhão e Grupo de Pesquisa LabPortos desenvolveram Inventário ESG do Porto do Itaqui. Foto: acervo pessoal.
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Observatório Portuário do Maranhão e do Grupo de Pesquisa LabPortos, apresentou o Inventário ESG do Porto do Itaqui, estudo que reforça a atuação da instituição na produção de conhecimento aplicado à governança portuária. O documento organiza e analisa dados ambientais, sociais e de governança, oferecendo base técnica qualificada para o fortalecimento da gestão estratégica e do desenvolvimento sustentável na área de influência do porto.
O Inventário é um dos principais produtos do Projeto Observatório Portuário do Maranhão, financiado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP). O trabalho foi estruturado em três volumes complementares: o mapeamento social do território Itaqui-Bacanga, o diagnóstico de maturidade ESG com base na ABNT PR 2030 e a identificação de stakeholders e temas materiais estratégicos para a atuação institucional do porto.
De acordo com o professor Sérgio Cutrim, coordenador do projeto, o Inventário organiza, de forma integrada, os aspectos ambientais, sociais e de governança relacionados às atividades portuárias. “O Inventário ESG do Porto do Itaqui é um conjunto estruturado de estudos técnicos desenvolvidos pelo Observatório Portuário da UFMA que sistematiza, de forma integrada, os aspectos ambientais, sociais e de governança associados às atividades do porto e à sua área de influência”, explica.
Ele destaca que a principal contribuição do documento está na sua aplicação prática. “A principal contribuição do Inventário ESG para a gestão portuária está na transformação do conceito de sustentabilidade em um instrumento prático de governança e tomada de decisão. O documento fornece uma base técnica robusta para que a autoridade portuária compreenda seus impactos, avalie seu estágio de maturidade e alinhe o planejamento às exigências regulatórias e às tendências do setor”, afirma.
O estudo reúne indicadores qualitativos e quantitativos que permitem avaliar impactos, riscos e oportunidades nos três pilares do ESG. No eixo ambiental, são analisadas informações sobre emissões de gases de efeito estufa, eficiência energética, adaptação climática, gestão de recursos hídricos, resíduos, qualidade do ar e biodiversidade. No eixo social, o diagnóstico contempla dados socioeconômicos, infraestrutura urbana e qualidade de vida da região Itaqui-Bacanga, incluindo comunidades tradicionais como quilombolas, pescadores e ribeirinhos. Já no eixo de governança, são avaliadas práticas de compliance, gestão de riscos, controles internos, transparência e integração da agenda ESG à estratégia institucional.
Segundo o professor Sérgio Cutrim, a integração desses dados é um diferencial do trabalho. “Ao integrar diagnóstico, materialidade e território, o Inventário fortalece a gestão estratégica do porto, amplia a transparência institucional e orienta a evolução do Porto do Itaqui rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável e resiliente”, ressalta.
Resultados positivos

A equipe do LabPortos apresentou o estudo para os funcionários do Porto do Itaqui. Foto: acervo pessoal.
O diagnóstico aponta que o Porto do Itaqui atingiu o mais alto nível de maturidade institucional nos três pilares do ESG. Na prática, isso significa que sustentabilidade e governança estão incorporadas à estratégia e aos processos decisórios do porto, com políticas, metas, indicadores e mecanismos de monitoramento consolidados. Para a sociedade, o resultado representa maior previsibilidade, responsabilidade socioambiental e fortalecimento do diálogo com o território.
Para o coordenador, esse patamar de maturidade também posiciona o porto em destaque no cenário nacional. “Alcançar o mais alto nível de maturidade ESG significa que o Porto do Itaqui consolida a sustentabilidade como elemento estruturante da sua gestão, fortalecendo sua competitividade e sua legitimidade perante a sociedade”, pontua.
A Universidade exerceu papel central em todas as etapas do processo, desde o desenho metodológico até a validação técnica dos resultados. A equipe do LabPortos conduziu a coleta e análise de dados por meio de pesquisa documental, aplicação de formulários estruturados, entrevistas com stakeholders internos e externos e oficinas técnicas com gestores. A utilização da ABNT PR 2030 como referência metodológica assegurou rigor, rastreabilidade e comparabilidade às análises.
A atuação contínua do LabPortos e do Observatório Portuário do Maranhão consolida a UFMA como centro de excelência em estudos portuários e transporte aquaviário. Articulando produção científica, inovação metodológica e aplicação prática, a instituição fortalece a interface entre academia, setor público e setor produtivo, contribuindo para a modernização da governança portuária e para a formulação de políticas públicas mais eficientes e socialmente sensíveis.
Por: Geovanna Selma
Produção: Giovanna Carvalho e Ingrid Trindade
Fotos: acervo pessoal
Revisão: Jáder Cavalcante