Notícias
UFMA leva assistência técnica e promove transformação social em assentamentos rurais no Sul do Maranhão
Técnica em agropecuária Simone Lima orienta famílias durante atividade no assentamento Terra Nova, no Sul do Maranhão. Foto: Luiza Amanda
No Sul do Maranhão, onde a rotina das famílias assentadas é marcada pelo trabalho no campo, desafios diários e persistência, iniciativas de apoio à produção rural têm promovido transformações significativas na realidade local.
Nesse contexto, o projeto Cadeias Produtivas, iniciativa que integra um conjunto de ações desenvolvidas por meio da parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e outras instituições, além da atuação conjunta com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, tem atuado diretamente nos assentamentos, com ações voltadas à escuta das comunidades, identificação de demandas e desenvolvimento de estratégias de fomento à produção no campo.
O projeto tem por objetivo fortalecer a agricultura familiar, garantir direitos e promover melhores condições de vida para as famílias assentadas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável no meio rural.
Segundo o coordenador do projeto e docente da Universidade Federal do Maranhão, César Labre, as parcerias institucionais são fundamentais para o desenvolvimento das ações. “Elas garantem não só o financiamento, mas também as estratégias de atuação nos Assentamentos”, destaca.
O projeto é fruto de uma parceria que já acontece há anos e, desde 2013, a UFMA contribui na assistência técnica em Assentamentos da reforma agrária, e, ao longo do tempo, as ações foram sendo ampliadas para atender a diferentes estados e realidades.
Além de levar recursos, o trabalho busca compreender de perto a realidade das famílias, por meio de visitas, levantamentos e construção conjunta de soluções para o campo.
Escuta, planejamento e primeiros passos
A técnica em agropecuária Simone Lima acompanha esse trabalho de perto, realizando visitas aos assentamentos, ouvindo as famílias e elaborando os projetos para quem ainda não teve acesso aos créditos, além de acompanhar aqueles que já receberam.
“Os fomentos são políticas públicas voltadas para apoiar as famílias assentadas, oferecendo recursos para que elas possam iniciar ou fortalecer suas atividades produtivas dentro do lote”, explica.
Ela destaca que cada tipo de fomento atende a uma necessidade específica. “O Fomento Família ajuda no desenvolvimento da produção, como criação de animais e plantio. O Fomento Mulher fortalece a autonomia produtiva das mulheres, valorizando o papel delas na economia familiar. Já o Fomento Floresta incentiva práticas produtivas ligadas à preservação ambiental”, detalha.
Antes de qualquer recurso chegar, o trabalho começa com algo essencial, a escuta. “Durante as visitas, a gente conversa com as famílias, entende o que elas pretendem desenvolver e observa as condições. Com base nisso, elaboramos o projeto com os investimentos necessários e os resultados esperados”, explica Simone.
Ainda assim, os desafios fazem parte do processo. “Muitas famílias ainda têm dúvidas ou até receio de acessar essas políticas. Então, nosso trabalho também envolve orientação, diálogo e construção de confiança”, pontua.
Uma oportunidade que muda o olhar
Conhecendo bem a realidade de quem vive da terra e enfrentando dificuldades no dia a dia, Maria Luiza, do Assentamento Califórnia, em Açailândia, acredita que fomento representa mais do que um apoio financeiro, é uma chance de fazer diferente. “Teve uma época que a gente até queria fazer, mas estava bloqueada, como acontece com outras pessoas também. Tem muita burocracia, né?”, relata.
Mesmo diante dessas dificuldades, Maria Luiza reconhece o impacto quando o recurso chega. “Melhora muito. A gente passa a se preocupar em fazer tudo direitinho, em aplicar como é pra aplicar. É uma oportunidade muito boa”, afirma.

Técnica Simone Lima realiza elaboração de projetos de fomento com famílias no Assentamento Terra Nova. Foto: Luiza Amanda
Para Maria Luiza, o fomento também traz responsabilidade e propósito. “A gente se preocupa em não desperdiçar, em usar bem aquilo que recebeu. Isso já muda muita coisa”, destaca.
E reforça a importância desse tipo de política para quem vive no campo. “Tem gente que não tem essa oportunidade e acaba não conseguindo fazer nada. Todo dinheiro que vem ajuda muito, melhora a renda. É importante demais”.
Do esforço à conquista
A história de Raimundo Nonato, conhecido como Raimundinho, do Assentamento Gameleira, no município de Governador Edson Lobão, mostra como o acesso ao fomento pode transformar não só a produção, mas toda a dinâmica da família.
Antes, a realidade era marcada por limitações. “A gente já trabalhava na terra há muito tempo, mas com dificuldade. Não tinha acesso a crédito, era tudo com pouco recurso, só com o suor do rosto”, conta.

Raimundo Nonato participa de roda de conversa sobre produção, agroecologia e renda no Assentamento Gameleira, em Governador Edson Lobão. Foto: Luiza Amanda
Com a chegada do fomento, novos caminhos começaram a ser construídos. “A gente fez o fomento para aquisição de gado e o fomento mulher para o plantio de maracujá”, explica. Os resultados já são visíveis no lote. “Hoje a gente já tem seis matrizes, conseguimos preparar o solo, cercar a área, mecanizar a terra. Foi uma mudança significativa”, afirma. A expectativa agora é de crescimento. “A gente começou a trabalhar com essa atividade e a tendência é melhorar a renda, crescer cada vez mais”, diz.
Mas, para além dos números, o impacto mais forte foi dentro de casa. “A gente se uniu ainda mais. Passou a trabalhar junto, decidir junto. Isso agregou muito para a família”, relata. Com emoção, ele resume o sentimento. “Representa muito. A palavra é gratidão mesmo. A gente está feliz e ansioso para ver os resultados.”
Mais que produção, transformação de vida
Mais do que incentivar a produção, o projeto Cadeias Produtivas também fortalece a autonomia das famílias e amplia o acesso a políticas públicas no campo. “Quando conseguem acessar esses fomentos, muitas famílias passam a produzir mais alimentos, melhorar a renda e ter mais segurança alimentar”, destaca Simone.
Ela também chama atenção para o papel das mulheres nesse processo. “O Fomento Mulher incentiva que elas desenvolvam suas próprias atividades produtivas, participem mais das decisões e tenham mais autonomia dentro dos Assentamentos”, afirma.
O projeto também atua em diferentes frentes dentro dos Assentamentos, contribuindo para a regularização fundiária, elaboração de créditos produtivos, apoio a feiras e eventos e formação em agroecologia.
Para o coordenador César Labre, o principal desafio ainda é ampliar o alcance das ações. “É garantir orçamento no sentido de atender às expectativas de novos projetos, especialmente os fomentos produtivos”, ressalta.
Entre desafios, aprendizados e conquistas, o projeto segue construindo caminhos ao lado das famílias com apoio técnico, parceria institucional e organização social. E, pouco a pouco, histórias como as de Maria Luiza e Raimundinho mostram que, quando oportunidade, orientação e apoio chegam ao campo, a transformação deixa de ser promessa e passa a fazer parte da vida dessas famílias.
Por: Luiza Amanda – Projeto Cadeias Produtivas
Fotos: Luiza Amanda
Revisão: Jáder Cavalcante