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UFMA inicia pesquisa de Coorte de Nascimentos em São Luís

publicado: 09/01/2026 11h54, última modificação: 09/01/2026 14h12
O estudo acompanha mães e bebês ao longo da vida
UFMA inicia pesquisa de Coorte de Nascimentos em São Luís

Equipe de pesquisadores que fazem da Coorte de Nascimentos São Luís 2026. Foto: acervo pessoal

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC), deu início, em janeiro deste ano, à Coorte de Nascimentos em São Luís, um dos mais importantes estudos em saúde materno-infantil já realizados no Maranhão. A pesquisa, coordenada pela professora Carolina de Carvalho, acompanha puérperas e recém-nascidos desde o parto, com previsão de seguimento ao longo da vida.

Esta é a terceira Coorte de Nascimentos realizada em São Luís, dando continuidade a uma trajetória científica iniciada há quase três décadas. As edições anteriores ocorreram em 1997/1998 e em 2010, permitindo à UFMA construir uma base de dados única no país, capaz de analisar a evolução das condições de saúde materno-infantil em diferentes momentos históricos da capital maranhense.

Segundo a coordenadora do estudo, o principal objetivo da Coorte de 2026 é avaliar os determinantes sociais da saúde, nutrição e violência, especialmente nos primeiros anos de vida das crianças. “Nosso interesse inicial é acompanhar as crianças ao longo dos dois primeiros anos de vida, mas esse é um estudo de longo prazo. A ideia é seguir essas pessoas ao longo da vida, assim como fazemos com a coorte mais antiga, que em breve terá participantes com 30 anos de idade”, explica a professora Carolina.

A pesquisa permitirá comparar indicadores fundamentais da saúde materno-infantil, como prematuridade, baixo peso ao nascer, restrição de crescimento intrauterino e mortalidade infantil, em três momentos distintos: 1997/1998, 2010 e 2026. “Com isso, conseguimos avaliar como São Luís está evoluindo e identificar quais aspectos precisam ser aprimorados em termos de políticas públicas”, destaca a coordenadora.

Participante da Coorte de 1997/1998 é pai de bebê que fará parte do estudo de 2026. Foto: acervo pessoal

Estudo representativo da realidade de São Luís

A Coorte de Nascimentos de São Luís 2026 é um estudo representativo da população da capital. A coleta de dados ocorre em seis maternidades da cidade: Hospital Universitário Materno-Infantil, Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão (MACMA), Maternidade Benedito Leite, Maternidade Nossa Senhora da Penha, Natus Lumine e Hospital Guarás; todas com mais de cem partos por ano.

De forma inédita, a pesquisa está avaliando metade dos nascimentos ocorridos em São Luís ao longo de 2026, por meio de sorteio aleatório dos partos. A estimativa é que, até o fim do ano, entre 5 mil e 6 mil crianças integrem a coorte. “A ideia é ter uma amostra diversa, com mães de diferentes classes sociais, hábitos e exposições, refletindo fielmente a realidade da cidade”, afirma a professora.

Coleta detalhada e novas abordagens

Um dos diferenciais do estudo é o alto nível de detalhamento das informações coletadas, que vão além dos dados disponíveis nos sistemas oficiais de informação em saúde. As entrevistas duram cerca de trinta minutos e são complementadas por consulta aos prontuários médicos das mães e dos recém-nascidos.

Entre os dados levantados, estão informações socioeconômicas, escolaridade, renda familiar, condições de moradia, histórico de saúde da gestante, pré-natal, tipo de parto, uso de medicações, introdução de fórmulas infantis, além de exposições durante a gestação. “A situação socioeconômica é um dos principais determinantes da saúde, por isso precisamos desse detalhamento para entender como essas condições influenciam os desfechos ao longo da vida”, ressalta Carolina.

A edição de 2026 também incorpora novos temas, que refletem mudanças sociais e comportamentais das últimas décadas. Pela primeira vez, a pesquisa investiga o uso de cigarros eletrônicos, exposição ao uso de drogas na gestação, insegurança alimentar e características do pai biológico da criança, reconhecendo a influência paterna na saúde infantil.

Segurança, ética e impacto científico

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da UFMA e é conduzida por uma equipe formada por mais de vinte entrevistadores e supervisores treinados, além de uma coordenação composta por docentes e pesquisadores do PPGSC.

A professora Carolina reforça que todas as informações coletadas são tratadas com rigor ético e absoluto sigilo. “Os dados são anonimizados. Nenhuma informação pessoal é vinculada às análises. Nome, endereço e telefone são utilizados apenas pela coordenação para possibilitar o acompanhamento das famílias ao longo do tempo”, explica.

Os dados gerados pela Coorte de Nascimentos de São Luís subsidiam pesquisas de mestrado e doutorado, além de resultarem em publicações científicas nacionais e internacionais. “Os achados contribuem não apenas para políticas públicas no Maranhão, mas também para o Brasil e para o debate científico internacional sobre saúde materno-infantil”, destaca a coordenadora.

Com coletas realizadas todos os dias do ano, incluindo fins de semana e feriados, o estudo consegue captar a realidade de São Luís de forma abrangente, respeitando as variações sazonais. “É retrato fiel da cidade e um patrimônio científico construído ao longo de três décadas”, conclui a professora Carolina.

Por: Geovanna Selma

Revisão: Jáder Cavalcante

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