Notícias
UFMA inicia especialização em Enfermagem Obstétrica com foco na qualificação da assistência à saúde da mulher no Maranhão
Na manhã desta sexta-feira, 6, foi realizada a aula inaugural do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne, marcando o início das atividades no Maranhão. A iniciativa integra uma estratégia nacional voltada ao fortalecimento e à qualificação da assistência obstétrica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na promoção do parto seguro, humanizado e baseado em evidências científicas.
O curso, que é fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Escola de Saúde Pública (ESP) e conta com o apoio do Ministério da Saúde e do Governo Federal, está inserido nas ações da Rede Alyne, política pública que amplia e atualiza as diretrizes da antiga Rede Cegonha, com o objetivo central de reduzir a mortalidade materna e neonatal no país.
“Essa rede veio substituir a Rede Cegonha, aprimorando as políticas públicas e incorporando, de forma mais efetiva, o enfrentamento ao racismo no cuidado à saúde da mulher, além da prevenção da mortalidade materna e infantil”, ressaltou a diretora de Pós-Graduação da UFMA, Rosângela Fernandes.
A Rede Alyne recebe esse nome em homenagem a Alyne Pimentel, mulher negra que morreu em decorrência de falhas na assistência obstétrica.
A especialização tem por principal objetivo qualificar enfermeiras e enfermeiros que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a atuação desses profissionais na atenção obstétrica, desde o pré-natal até o puerpério. Para Rosângela Fernandes, o curso tem impacto direto na realidade maranhense.
“Hoje percebemos, principalmente no nosso estado, a peregrinação de mulheres grávidas em busca de atendimento para o parto. Essa especialização vem empoderar tanto as mulheres quanto os profissionais, oferecendo conhecimento técnico e prático para qualificar o cuidado durante a gestação, o parto e o puerpério”, afirmou.
Discentes, docentes, representantes da UFMA e entidades de classe participam da aula inaugural. Foto: Ingrid Trindade/Dcom
No Maranhão, estão sendo ofertadas trinta vagas, distribuídas entre cinco regiões de saúde (São Luís, Pinheiro, Bacabal, Imperatriz e Caxias) ampliando o acesso à formação especializada e contribuindo para o fortalecimento da assistência obstétrica em diferentes territórios do estado.
A coordenadora do curso no Maranhão, Luziene Gomes, destacou que a formação é voltada a profissionais do SUS que ainda não possuem certificação como especialistas em Enfermagem Obstétrica.
“É um curso que visa qualificar em assistência obstétrica trabalhadores do SUS que ainda não possuem a certificação — especialista em enfermagem obstétrica. Então, o objetivo desse curso é qualificar esses profissionais, visando à redução da mortalidade materna e neonatal, com assistência mais qualificada e também atenção integral a essa mulher em todo o ciclo gravídico e puerperal. Então, a gente tem um ganho muito forte para o nosso estado, com um projeto desse, em que a gente vai qualificar esses profissionais”, explicou.
Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Maranhão (Coren-MA), José Carlos Júnior, a iniciativa representa um avanço importante para a categoria e para a saúde pública.
“A Enfermagem Obstétrica no Maranhão tem ganhado grande repercussão positiva, contribuindo para a redução da mortalidade materna e infantil. Então, por isso, a Enfermagem está muito bem-representada, e, com essa parceria entre a UFMA e a UFMG, a tendência cada vez mais é melhorar e avançar a Enfermagem do Estado do Maranhão”, avaliou.
Entre os discentes, a especialização também é vista como uma oportunidade de ampliar olhares e práticas. Para Morganne Gomes, enfermeira e aluna do curso, a formação chega em um momento decisivo de sua trajetória profissional.
“A especialização chega em um momento da minha vida profissional e pessoal trazendo uma outra perspectiva, um outro olhar. Já sou especialista em Saúde Materno-infantil e Saúde da Mulher e, ao longo da minha carreira profissional, eu venho sempre estudando a parte relacionada à materno-infantil.[...] Com a minha experiência, o que é que eu posso trazer, contribuir pra saúde dessa mulher, dessa criança, desse parceiro, dessa parceira? Porque hoje o cuidado, ele não é somente com a mulher no seu período gravídico puerperal, mas é todo um contexto dos determinantes dessa mulher. Então, a obstetrícia vai trazer isso. Essa é a minha grande expectativa”, destacou.
Haelia Jovana, estudante de Enfermagem da UFMA, considera o Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica fundamental para promover um cuidado integral que considere especificamente a realidade e as necessidades da mulher negra. Foto: Ingrid Trindade/Dcom
A estudante de Enfermagem da UFMA, Câmpus São Luís, e integrante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andressa, Haelia Jovana, ressaltou o simbolismo e a importância política do curso:
“É muito importante esse curso de especialização porque ele vem pautado em um acontecimento trágico, criminoso, que foi a morte de Alyne Pimentel, que nomeia esse curso. Então, a gente entender que o cuidado, para ser integral, tem que pautar, tem que passar pelo cuidado integral da mulher negra. [...] Falar sobre organização da saúde, falar sobre conhecimento científico sem falar do cuidado da mulher negra não é um cuidado integral. Eu acredito que é um momento muito especial, é um curso que vai trazer diversos benefícios à sociedade, à saúde da mulher negra como um todo, e eu acredito que esse curso vai trazer não só profissionais competentes, mas profissionais que vão estar comprometidos a levar a saúde a um outro patamar de integralização”.
Ampliar o número de enfermeiras e enfermeiros especialistas no Maranhão contribui diretamente para a melhoria da qualidade da atenção obstétrica e para o fortalecimento da rede de cuidado à saúde materna e neonatal em todo o estado. Nesse contexto, com a realização da 4ª turma do Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne, a UFMA reafirma o compromisso com a formação de profissionais qualificados e alinhados às políticas públicas de saúde.
Por: Ingrid Trindade
Fotos: Ingrid Trindade
Revisão: Jáder Cavalcante
