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UFMA inaugura Open Lab de Biotecnologia e impulsiona inovação e valoriza a biodiversidade do Maranhão
Inauguração do Open Lab marca avanço na inovação e pesquisa da UFMA. Foto: Sarah Dantas
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) inaugurou, na tarde dessa quarta-feira 27, o Open Lab de Biotecnologia, um espaço colaborativo e interdisciplinar voltado para o desenvolvimento de soluções biotecnológicas aplicadas a partir da biodiversidade da Amazônia maranhense. A cerimônia de inauguração contou com a participação de pesquisadores, gestores de pró-reitorias, líderes políticos, investidores e integrantes da comunidade acadêmica, visando impulsionar a pesquisa e a biotecnologia no Maranhão.
O novo laboratório, localizado na Cidade Universitária, funcionará como um ecossistema de inovação aberta, integrando a comunidade acadêmica, startups, o setor produtivo e o governo para transformar pesquisas científicas em produtos, gerando emprego e renda para a região. Integrado a um complexo de estruturas de pesquisa da instituição, o Open Lab de Biotecnologia tem por finalidade principal a extração de compostos de alto valor agregado a partir de matrizes de origem animal e vegetal.
O reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva, destacou o papel social e a autonomia científica a partir desse novo cenário. “Precisamos mostrar para a sociedade que a Universidade tem responsabilidade de entregar tecnologias e produtos. [O Open Lab] contribuirá para o desenvolvimento da pesquisa, da ciência e da tecnologia. Esse investimento [no Open Lab] teve a participação direta do ex-senador Roberto Rocha, e o fomento dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca e Aquicultura, para que a gente pudesse ter aqui um ambiente de pesquisas tecnológicas, principalmente, voltadas aos bioativos da Amazônia”.

Visita às salas do Open Lab de Biotecnologia. Foto: Sarah Dantas (DCOM)
O ex-senador Roberto Rocha esteve presente na inauguração e é um dos parceiros no desenvolvimento dos Open Labs. Na ocasião, Roberto Rocha enfatizou a relevância estratégica da nova estrutura e ilustrou o grande potencial da biodiversidade local. “Estamos inaugurando o terceiro laboratório que se junta aos de Bioeconomia e Inteligência Artificial, e todos já produziram produtos importantes para o Maranhão, Brasil e o mundo. Com esse novo, já estamos realizando algumas experiências, pesquisas com a pescada-amarela, por exemplo, que é um peixe que é muito visto na costa do estado onde nele existe uma riqueza muito grande chamada ‘bexiga natatória’ ou, popularmente, ‘grude’ que é usada para produzir colágeno para cosméticos e alimentação”, pontuou.
Esse ecossistema de forte impacto socioeconômico ganha sustentabilidade por meio do fomento a longo prazo.
A busca por autonomia e desenvolvimento regional se reflete diretamente na atuação do Open Lab, projetado para ser o elo definitivo entre o setor produtivo, as comunidades tradicionais e o governo. A líder do grupo de pesquisa Ambiente, Biotecnologia e Bioeconomia (AMBIO) e professora da UFMA, Mikele Sant'Anna, detalhou como essa estrutura funcionará para transformar o extrativismo maranhense. “A ideia era que a gente auxiliasse essas cadeias do extrativismo no Maranhão, que são elas: o camarão, caranguejo e a pescada amarela, para que elas pudessem produzir insumos que servissem para as empresas privadas que têm interesse em produzir colágeno. A universidade atua com esses espaços visando gerar empregos e rendas. Para as comunidades e cooperativas, nós fazemos capacitações, organizamos a cadeia e o estatuto por meio de sistemas de software, para que possam concorrer aos editais e se qualificar”.
O espaço
Um Open Lab de Biotecnologia é mais do que um laboratório compartilhado. Esses espaços integram pesquisadores, universidades, startups, empresas, governos e comunidades em torno de um objetivo comum: desenvolver soluções biotecnológicas de alto impacto.
A proposta também encurta o caminho entre descoberta científica e produto comercial. Ao aproximar academia e mercado, esses espaços aceleram a geração de propriedade intelectual, a criação de empregos qualificados e a atração de investimentos.
Além do impacto econômico, esses ambientes funcionam como celeiros de talentos. Estudantes e jovens pesquisadores ganham experiência prática e multidisciplinar, formando profissionais preparados para a nova economia baseada em conhecimento, tecnologia e sustentabilidade.
O espaço conta com laboratórios, sala quente, sala de triagem, sala de impressão 3D, sala de produção, sala de recebimento do pescado, sala de estudo, salas de paramentação, sala de cromatografia e sala de secagem.

O espaço conta com equipamentos de ponta. Foto: Sarah Dantas (DCOM)
De acordo com líder do Grupo de Pesquisa Ambiotec e professor da UFMA, Hilton Costa Louzeiro, o ambiente materializa a transição da ciência para a inovação de mercado com objetividade. “De origem animal ou vegetal, o que fazemos aqui é a química dos produtos naturais aplicada direto à biotecnologia. Tem outro espaço, que é outro laboratório, logo aqui atrás no pavilhão de contêineres, que visa aplicar os compostos que a gente está extraindo aqui nesse laboratório. E, a partir disso, produz produtos tecnológicos, e realiza uma aplicação direta para a pesquisa. O objetivo de estarmos inaugurando esse pavilhão de contêiner, de laboratório e espaço de trabalho, visa dar um aporte para a pesquisa, para o ensino, para a extensão e para a inovação dentro da Universidade", explicou o docente.
A chegada do Open Lab repercute diretamente entre os pesquisadores que dependem da infraestrutura de ponta para transformar conhecimento científico em soluções de mercado. O ecossistema passa a ser visto pelos estudantes como a engrenagem que faltava para conectar grandes ideias acadêmicas ao setor produtivo. O mestrando em Engenharia Aeroespacial Otávio Henrique ressaltou o papel das novas instalações. “A partir do momento que a pessoa tem a ideia, necessita de ferramentas para poder colocar em prática, ou seja, tirar do papel. Com o Open Lab, ele pode encontrar as ferramentas necessárias e, a partir disso, desenvolver sua ideia com inovação e tecnologia”, disse o estudante.

Pesquisadores do Open Lab de Biotecnologia. Foto: Sarah Dantas (DCOM)
Com a inauguração do espaço, a UFMA consolida mais uma etapa de seu ecossistema de bioeconomia e inovação. Ao unir a preservação e valorização da biodiversidade maranhense ao desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado, a instituição reafirma seu compromisso de devolver à sociedade soluções práticas que geram emprego, renda e soberania científica para o Maranhão.
Por: Judson Nunes
Produção e Fotos: Sarah Dantas
Revisão: Jáder Cavalcante