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UFMA e ANATEL lançam projeto de letramento digital para comunidades quilombolas e pesqueiras do Maranhão

publicado: 16/03/2026 15h33, última modificação: 16/03/2026 17h22
Projeto “Cidadania Digital” atenderá povoados de Raposa e Alcântara, com objetivo de trabalhar inclusão, habilidades e cidadania digital
UFMA e ANATEL lançam projeto de letramento digital para comunidades quilombolas e pesqueiras do Maranhão

O lançamento do projeto foi realizado na sexta-feira, 13, em São Luís. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) firmaram parceria para levar inclusão digital cidadã a comunidades quilombolas e pesqueiras dos municípios de Alcântara e Raposa. O projeto, lançado na sexta-feira, 13, no Palácio Cristo Rei, tem por foco ampliar a autonomia dos moradores no uso seguro e crítico de tecnologias e fortalecer o acesso a serviços públicos digitais, gerando subsídios para a criação de políticas públicas de inclusão digital. 

Durante o lançamento do projeto, o reitor da UFMA, Fernando Carvalho, destacou o importante papel da Universidade no desenvolvimento de políticas de inclusão e de pesquisas que identifiquem necessidades sociais importantes a serem solucionadas. "Esse projeto tem por objetivo saber como a população entende a questão digital. Essas informações serão coletadas para que a gente tenha uma política de cidadania digital adequada para essas populações. As informações coletadas serão importantes para viabilizar políticas do estado, do município e até da própria Universidade nos grandes projetos que desenvolvemos em São Luís e na região metropolitana". 

O coordenador-geral do projeto Cidadania Digital, Saulo Pinto, explica que o projeto surgiu a partir de indicadores que conectam desigualdade social à falta de instrução tecnológica, criando ambientes propícios para fraudes e golpes na internet. Segundo ele, o projeto atuará na mitigação desses problemas por meio de ações educativas. "Esse projeto faz parte de uma constatação: as regiões com maior desigualdade social, onde há mais pobreza, correspondem também a regiões em que há os menores indicadores de habilidades digitais. Então, evidentemente, não adianta só levar a conectividade, levar o cabeamento, se os indivíduos não possuem a capacidade de usar o smartphone e a internet de maneira digna. Isso a gente pode observar, por exemplo, no impacto dos golpes em INSS, vícios de jogos e uma série de variações deletérias que o mau uso desses instrumentos acabam produzindo”, destacou. 

Conectividade e uso consciente de plataformas estão entre os objetivos do projeto. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Integração interinstitucional 

Segundo a pró-reitora de Extensão, Cultura e Difusão de Ciência e Tecnologia (PROEC), professora Zefinha Bentivi, mais do que promover o acesso às tecnologias da informação, o projeto tem, entre as suas bases, a transformação social, por meio da parceria entre a Universidade e a Agência. 

"São grandes instituições com os mesmos objetivos: transformação social, desenvolvimento humano e social. Não basta ter acesso às tecnologias da informação e comunicação, é preciso que as pessoas tenham letramento. São tecnologias novas, e elas precisam estar preparadas para isso. Nesse sentido, trabalharemos juntos nessa convergência pelo desenvolvimento humano, o desenvolvimento social e, sobretudo, as transformações sociais".

O conselheiro e vice-presidente da ANATEL, Alexandre Freire, ressaltou o caráter extensionista da Universidade, que alcançará diretamente as comunidades. "Esse projeto vai permitir que professores que possuam habilidades de pesquisa e extensão possam apresentar esse projeto nas comunidades de Raposa e de Alcântara. Ou seja, é uma exteriorização das práticas extensivas da Universidade Federal do Maranhão". 

Lançamento do projeto Cidadania Digital. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Ações previstas

O projeto será desenvolvido com metodologias ativas que envolvem diagnóstico das necessidades locais, capacitação em competências digitais básicas e intermediárias e a criação de um Núcleo Comunitário de Letramento Digital. 

As atividades incluem oficinas voltadas para identificação de fraudes digitais e combate à desinformação on-line, estímulo ao pensamento crítico sobre conteúdos consumidos, uso consciente das redes sociais e treinamento para utilização de aplicativos bancários e serviços governamentais.

Ao todo, serão ofertadas seiscentas vagas distribuídas entre as comunidades de Raposa e Alcântara, com a meta de capacitar pelo menos 60% dos participantes, que atuarão futuramente como multiplicadores dos conhecimentos adquiridos. Ao final, será produzido um relatório com subsídios para a formulação de políticas públicas de inclusão digital e fortalecimento da e‑cidadania.  

Com a implementação do Projeto Cidadania Digital, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) reafirma seu papel como agente de transformação social, ampliando o acesso à educação e fortalecendo a inclusão tecnológica.  

Por: Agaminon Sales 

Fotos: Agaminon Sales

Revisão: Jáder Cavalcante

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