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UFMA e Agência Pública realizam evento para apresentar investigações sobre escravidão no Maranhão
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Laboratório Experimental de Jornalismo (Laborejo), do curso de Jornalismo, em parceria com a Agência Pública de Jornalismo Investigativo realizam, no dia 27 de abril, às 14h, no Auditório Setorial do CCSo (Dinah Gomes), uma discussão sobre o projeto Escravizadores e a história de Ana Jansen como proprietária de pessoas escravizadas no Maranhão.
O evento conta com a participação do repórter Rafael Custódio, da Agência Pública, e do professor Silvan Mendes, secretário da Associação Nacional de História (ANPUH), com mediação da coordenadora do Laborejo, Gisa Carvalho. O encontro também tem o apoio da Pró-reitoria de Extensão e Cultura e da coordenação do curso de Jornalismo. As inscrições podem ser feitas pelo link https://agen.pub/ufma.
Para a professora Gisa, "essa é uma excelente oportunidade para estudantes dialogarem com um profissional experiente na prática da apuração, especialmente, sobre um tema que a historiografia oficial quer apagar, para esquecer. Daí a importância de também realizarmos esse diálogo com um historiador com conhecimento sobre esse período tenebroso da história do país".
Criado pela Agência Pública, o projeto Escravizadores é resultado de uma investigação inédita realizada em 2024 que identificou conexões entre autoridades brasileiras e antepassados ligados à escravidão.
Com o objetivo de ampliar o debate provocado pelo Projeto Escravizadores, os encontros serão realizados com universitários e estudantes do ensino médio com a participação de jornalistas da Pública envolvidos no projeto em vários eventos pelo Brasil.
A investigação foi um desafio jornalístico devido à complexidade da pesquisa, que envolveu centenas de antepassados, dificuldade de acesso a documentos históricos e falta de padronização dos registros de pessoas escravizadas.
Saiba mais
Em 2024, a Agência Pública realizou um levantamento inédito que revelou algo em comum no passado de um quinto dos senadores, quase metade dos governadores e metade dos presidentes da república desde a ditadura. Todos eles têm antepassados diretos que teriam sido donos de pessoas escravizadas, utilizaram mão de obra escravizada ou atuaram para conter revoltas de pessoas negras e pobres durante o Brasil colonial e no Império.
O projeto Escravizadores revelou que 33 de 116 autoridades investigadas têm algum antepassado que teria relação com a escravidão. Muitos dos políticos sequer conheciam seus antepassados ou mantêm relação próxima com a sua linhagem. A pesquisa usou técnicas de Open Source Intelligence (OSINT) na busca por nomes desses antepassados. As fontes foram diversas: registros paroquiais de batismo e casamento, certidões de nascimento e óbito, jornais antigos em hemerotecas e arquivos públicos, artigos, teses e dissertações acadêmicas.
Serviço:
O quê: Debate sobre o projeto Escravizadores
Quando: 27 de abril, às 14h
Onde: Auditório Setorial do CCSo (Dinah Gomes), UFMA
Inscrições: https://agen.pub/ufma
Por: Laboratório Experimental de Jornalismo - Laborejo
Revisão: Jáder Cavalcante