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UFMA atua como precursora em ações de inclusão, acolhimento e produção de conhecimento voltados à população LGBTQIAPN+ no Maranhão

publicado: 26/06/2026 14h40, última modificação: 26/06/2026 14h40
Universidade promove um dos grupos de pesquisa sobre sexualidade mais antigos do Maranhão e é pioneira na implementação de ações afirmativas no estado
UFMA atua como precursora em ações de inclusão, acolhimento e produção de conhecimento voltados à população LGBTQIAPN+ no Maranhão

Historicamente, as universidades públicas desempenham papel fundamental na promoção de debates sociais, na produção de conhecimento científico e na formulação de políticas que contribuem para uma sociedade mais justa e democrática. Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), esse compromisso também se traduz em ações de acolhimento, pesquisas e iniciativas institucionais voltadas à população LGBTQIAPN+.  

Entre os marcos dessa trajetória, está o Grupo de Estudos de Gênero, Memória e Identidade (GENI), fundado em 2001 pela professora Sandra Maria Nascimento Souza. Considerado um dos pioneiros nos estudos de gênero e sexualidade no Maranhão, o GENI iniciou suas atividades com pesquisas sobre prostituição em São Luís e logo estendeu sua atuação para temas como travestilidade, diversidade sexual e identidade de gênero.  

Coordenado pela professora Rarielle Rodrigues Lima, ex-orientanda da fundadora, o grupo consolidou-se como referência na área, tanto em nível institucional quanto estadual. “No contexto do Maranhão, eu posso falar que o GENI é um dos primeiros grupos, são 25 anos de existência. Os estudos de gênero no Brasil começam entre as décadas de 1970 e 1980, e, no Maranhão, infelizmente, houve um atraso pelo deslocamento, que na época era mais difícil. Mas o GENI faz parte do pioneirismo no estado. Na perspectiva da comunidade LGBTQIAPN+, o grupo se constitui como espaço de refúgio para desenvolver essas pesquisas”, destaca Rarielle.  

Sala do PGCULT-CCH ganha nome em homenagem à professora Sandra Souza. Foto: GENI

Além da produção acadêmica, o GENI tem impulsionado debates e reflexões que influenciam políticas públicas e institucionais. Para a professora, a UFMA tem sido fundamental nesse processo. “A UFMA permite que as coisas aconteçam, as discussões, o espaço da produção de conhecimento. A gente consegue utilizar a estrutura disponível e observa algumas aberturas, principalmente, no contexto da atual gestão, que é um marco. Temos um setor, uma diretoria para pensar sobre isso”, afirma.  

Inclusão e fortalecimento institucional  

Entre os avanços, também se destaca a implementação, em 2015, da política de uso do nome social em todas as instâncias da Universidade, por meio da Resolução nº 242-CONSUN, tornando a UFMA uma das primeiras instituições de ensino superior do Maranhão a garantir esse direito. 

“O nome social é importante porque ‘eu me nomeio para poder existir’. Tivemos esse avanço e, mais recentemente, formações voltadas ao combate à LGBTfobia. A Universidade está construindo caminhos e abrindo portas para que essas discussões ocorram de maneira mais garantida e eficiente”, reforça a coordenadora.  

O professor e ativista Carlos Wellington, docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI) e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Subjetividade, Lutas Sociais, Opressões, Gênero e Sexualidade (Tibira), também observa o crescimento das pesquisas na área.  

“Quando eu entrei na UFMA, em 2003, havia algumas iniciativas, mas restritas a determinados cursos e grupos de pesquisa, como o GENI. Com o tempo, e com a entrada dessa população na graduação e pós-graduação, além da presença de docentes LGBTQIAPN+, o debate se ampliou e se consolidou. Hoje podemos dizer que temos uma tradição de pesquisa sobre gênero e sexualidade instituída dentro da UFMA”, aponta.  

Lançamento do segundo volume da coletânea Fazendo e Desfazendo Gênero, do GENI. Foto: GENI

Além do GENI e do Tibira, também se destacam o Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGE) e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Gênero e Sexualidades nas Práticas Educativas (GESEPE), que desempenham forte atuação na Universidade. 

Segundo levantamento realizado por Carlos, a UFMA conta atualmente com doze grupos de pesquisa ativos em programas de pós-graduação cadastrados no CNPq, que desenvolvem estudos relacionados às questões de gênero e sexualidade, tanto na capital quanto nos câmpus do interior, mostrando que a discussão se expande para outros centros do estado. 

Políticas afirmativas e acolhimento  

Nos últimos anos, a UFMA avançou na implementação de políticas afirmativas, como a reserva de vagas para pessoas trans e travestis nos programas de pós-graduação, garantida pela Resolução nº 3.058 do CONSEPE. Outro marco foi a criação, em 2024, da Diretoria de Inclusão, Diversidade, Acessibilidade e Ações Afirmativas (DIDAAF), que possui uma divisão específica dedicada às questões de gênero e sexualidade.  

Em 2025, a diretoria realizou um levantamento inédito para mapear o perfil da população LGBTQIAPN+ da UFMA e identificar suas principais demandas. O estudo reuniu informações sobre estudantes, docentes e técnicos de diferentes câmpus da instituição, traçando um panorama sobre a população LGBTQIAPN+ na UFMA. Dos 1.142 respondentes, 660 correspondem ao público-alvo, mostrando a presença significativa de pessoas autodeclaradas pertencentes a esse grupo, conforme mostra o infográfico abaixo:

 Pesquisa da DIDAAF realizou mapeamento da população LGBTQIAPN+ na UFMA. Fonte: DIDAAF

Mais do que caracterizar esse público, a pesquisa buscou compreender quais ações são consideradas prioritárias para promover inclusão e equidade dentro da Universidade. Entre as principais demandas apontadas, estão o acolhimento psicológico, com 571 indicações, e a criação de espaços de acolhimento, mencionada 405 vezes. 

A coordenadora de Gênero e Diversidade da DIDAAF, Gisa Carvalho, destaca as ações já institucionalizadas pela Universidade para garantir a inclusão e permanência da população LGBTQIAPN+. “Nós temos o acolhimento por meio do Núcleo Integrado de Acolhimento, que conta com profissionais de psicologia da instituição. Nesse espaço, oferecemos o contato inicial diante de situações de violência, discriminação e assédio que afetam diretamente a população LGBTQIAPN+. Também temos um curso de formação para servidoras e servidores da UFMA sobre o combate à LGBTfobia, oferecido de forma contínua todos os semestres”, ressalta. 

A UFMA também se destaca pelo acolhimento dedicado por meio dos programas de assistência estudantil e auxílios financeiros, ferramentas essenciais para garantir a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles que enfrentam desafios relacionados à discriminação e exclusão social. 

Segundo Gisa, a DIDAAF continua articulada com demais órgãos e setores da Universidade para o fortalecimento e aprimoramento das políticas implementadas pela instituição. “A DIDAAF tem trabalhado por uma Universidade cada vez mais inclusiva e acolhedora, que enfrenta toda forma de discriminação, opressão e violência. É uma Universidade que se propõe a ser um espaço diverso e respeitoso com todas as pessoas”, afirma.  

Compromisso com a sociedade  

Para Carlos Wellington, as iniciativas da UFMA refletem o compromisso da instituição em alinhar ensino, pesquisa e extensão às demandas sociais contemporâneas.  “O pioneirismo da UFMA se dá pela forte presença dessa população entre discentes, docentes e técnicos. Hoje já conseguimos realizar fóruns, encontros e eventos voltados especificamente para as demandas da população LGBTQIAPN+. Então a gente percebe que a Universidade tem feito um esforço para estar alinhada a esse debate, possibilitando, de alguma forma, um lugar de acolhimento e escuta qualificada”, finaliza. 

Em referência ao mês do orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em junho, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) apresenta-se não só como um espaço de debate acadêmico, mas também de inclusão e promoção da diversidade, com ações práticas de pesquisa, extensão e implementação de políticas institucionais para a construção de ambientes mais respeitosos, garantindo visibilidade, reconhecimento e oportunidades para a população LGBTQIAPN+.  

Por: Agaminon Sales

Fotos: Arquivos GENI

Infográfico: Fellipe Miranda

Revisão: Jáder Cavalcante

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