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UFMA adere à mobilização nacional e instala banco vermelho como símbolo de combate ao feminicídio

publicado: 31/03/2026 16h48, última modificação: 31/03/2026 17h11
UFMA adere à mobilização nacional e instala banco vermelho como símbolo de combate ao feminicídio

O banco será itinerante, passando pelos doze centros da UFMA. Foto: Byanca Santos

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), realizou, nessa segunda-feira, 30, a instalação oficial do banco vermelho no hall da reitoria. A ação é promovida por intermédio da Diretoria de Diversidade, Inclusão e Ações Afirmativas (DIDAAF), e integra uma mobilização nacional do Instituto Banco Vermelho que busca dar visibilidade ao combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. 

O banco, pintado coletivamente de vermelho durante a Acolhida 2026.1, no dia 25 de março, funciona como símbolo de denúncia contra o feminicídio. Segundo a campanha, o banco representa o compromisso inegociável com a vida das mulheres e com o direito a uma existência digna, segura e respeitada em todos os espaços da sociedade. A proposta é que ele seja itinerante, circulando por diferentes espaços dos nove câmpus da Universidade como uma forma de aumentar a visibilidade da campanha.

Banco Vermelho foi instalado no Hall da reitoria da UFMA, Câmpus São Luís. Foto: Agda Matias

O reitor da UFMA, Fernando Carvalho, reforçou o compromisso da instituição com o enfrentamento à violência de gênero e destacou o papel da DIDAAF nesse processo. “A Universidade tem uma grande preocupação com a questão da diversidade. Tanto que nós criamos uma diretoria de Diversidade, Inclusão, Ações Afirmativas exatamente para combatermos as diversas discriminações que nós temos: de gênero, de raça, de assédio sexual e de assédio moral. E, com isso, nós temos feito várias ações educacionais para que a nossa comunidade possa entender o momento que nós estamos passando, o momento em que temos um aumento do feminicídio. Hoje nós estamos aqui inaugurando o Banco Vermelho, que é um símbolo de todas as Universidades contra o feminicídio”, afirmou.

Segundo a chefe da Divisão de Gênero e Diversidade, professora Gisa Carvalho, o banco foi construído de forma coletiva. “O banco vermelho foi construído coletivamente, foi pintado por mulheres da comunidade universitária e simboliza o envolvimento de toda a comunidade acadêmica. Além disso, os letterings com informações sobre canais de denúncia e serviços de acolhimento, foram desenvolvidos por estudantes do curso de design da UFMA, sob a coordenação da professora Raquel Noronha. Assim, podemos usar esse espaço para também nos manifestar contra o feminicídio”, ressaltou. 

A inaguração contou com a presença da comunidade acadêmica e de representantes da perícia criminal do Estado. Foto: Byanca Santos

De acordo com o levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos. Nesse contexto, a denúncia se torna um passo essencial no enfrentamento à violência. No Brasil, mulheres em situação de risco podem buscar ajuda por meio do Ligue 180, canal gratuito e disponível 24 horas para orientação e acolhimento, ou acionar a polícia pelo 190 em casos de emergência.

O evento contou com a participação da perícia criminal, reforçando o elo entre ciência e proteção. A perita criminal e coordenadora no enfrentamento da violência contra a mulher, Patrícia Castro, destacou o papel das instituições na conscientização da sociedade. “Toda instituição que lida com a sociedade tem a missão de educar, alertar e levar informação às mulheres diante do cenário de violência que vivemos hoje. O feminicídio é uma realidade que preocupa todo o país.”

Além da intervenção simbólica, a Universidade também disponibiliza serviços de apoio à comunidade acadêmica. Entre eles, está o Núcleo de Acolhimento (NIA), um espaço institucional criado para oferecer escuta qualificada, acolhimento e sigilo às pessoas que desejam tratar de situações relacionadas a assédio e discriminação, garantindo conforto, respeito e confidencialidade durante todo o processo. O NIA é coordenado pela DIDAAF e atua em parceria com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAES) e com a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), fortalecendo a política institucional de cuidado e enfrentamento às violências no âmbito da Universidade.

Por: Byanca Santos

Fotos: Byanca Santos

Revisão: Jáder Cavalcante

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