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UFMA abre espaço inédito para fortalecer a tradução e interpretação em Libras no Maranhão
Mais de 100 profissionais, pesquisadores, docentes e estudantes participam do I Simpósio Maranhense de Tradutores e Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa
Foi aberto, nessa terça-feira, 24, o I Simpósio Maranhense de Tradutores e Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa, promovido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes). O evento segue até quinta-feira, 26, reunindo profissionais, pesquisadores, docentes e estudantes da área, em uma iniciativa inédita da instituição em realizar um evento com essa temática voltado também para o público externo, ampliando o diálogo com a sociedade.
O simpósio reúne tradutores-intérpretes de Libras-Português e guias-intérpretes, formados e em formação, que atuam em diferentes contextos: professores de Libras, docentes da área de tradução e interpretação, formadores de intérpretes, além de demais interessados na área. A proposta é investir na formação teórico-científica e política desses profissionais, que atuam diretamente na promoção da acessibilidade de uma comunidade minoritária e historicamente excluída.
A programação dos dias 25 e 26 inclui minicursos, comunicações orais e palestras temáticas. O encerramento será marcado pela palestra “O tradutor e intérprete de Libras em cena: desafios e responsabilidades em diferentes contextos”, reforçando o compromisso do evento com a reflexão crítica sobre a prática profissional.
Da esqueda para a direita, os membros da mesa de abertura: Roselane Laiza Lima Martins, chefe da subseção de intérpretes de Libras; Danilo Lopes, pró-reitor de Assuntos Estudantis; Cedric Tempel Nakasu, diretor de Acessibilidade, e Walquíria Dias, coordenadora do evento. Foto: Valdo Tavares/Dcom
Formação, valorização e debate sobre a realidade profissional
De acordo com a coordenadora do simpósio, Walquíria Dias, o principal objetivo do encontro é resgatar a necessidade formativa dos tradutores e intérpretes de Libras no contexto maranhense.
Segundo ela, embora haja hoje maior visibilidade da área, ainda são escassos os espaços de debate sobre formação e condições de trabalho. O último evento interinstitucional com essa abrangência ocorreu em 2018. Desde então, as formações têm sido majoritariamente internas.
“Quando a gente olha o espaço da Universidade como um espaço que necessita alcançar essa demanda social, discutir sobre a própria precarização do intérprete no mercado de trabalho, porque tem uma série de questões trabalhistas que precisam ser pontuadas, e aliar prática com pesquisa, um olhar científico pra área, então, a gente propôs não só ficar com esse evento aqui, mas ampliar para a comunidade”, destacou.
Walquíria também adiantou que já está em planejamento uma segunda edição, com caráter ampliado e proposta nacional, voltada à tradução e interpretação de Libras e línguas de sinais. Para ela, o sucesso da primeira edição já se confirma pela diversidade do público participante, que inclui intérpretes da educação básica, do ensino superior, do setor artístico e cultural.
“Então, nós cremos que esse evento já é sucesso, tá reunida aqui uma boa categoria, há intérpretes da educação básica, da educação superior, do artístico, do cultural, então a diversidade de atuação aqui tá bem diversificada e, como há tempos que não existia nada, hoje é um espaço pra gente sentar, debater sobre a nossa área e sobre a necessidade formativa”, frisou Walquíria.
Expectativa e representatividade
A intérprete Cristiane Silva Diniz, que atua na área da educação em Imperatriz, participa pela primeira vez de um evento com esse formato. “Estou muito animada. É a primeira vez que participo de um evento assim e acredito que será muito importante para o meu desenvolvimento profissional”, afirmou.
A palestra de abertura abordou o tema "Tradução e interpretação em foco: o presente que vivemos e o futuro que projetamos". Foto: Ingrid Trindade/Dcom
Também de Imperatriz, Joyce Michaelle ressaltou a importância de realizar um simpósio dessa natureza no próprio estado, relembrando experiências em eventos nacionais realizados em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará. “Então, é o primeiro simpósio maranhense, nós já participamos em Santa Catarina, no Rio de Janeiro, Pernambuco, e no Ceará e sentimos falta desse encontro dentro da nossa terra, pra gente trocar saberes, experiências. Então, a expectativa é sair daqui agregando mais as nossas práticas profissionais do dia a dia”, ressaltou.
Compromisso institucional com a inclusão
Para o pró-reitor de Assuntos Estudantis da UFMA, Danilo Lopes, o simpósio reafirma o compromisso institucional com a inclusão e com o fortalecimento das políticas voltadas às pessoas com deficiência.
Segundo o pró-reitor, fomentar ações para o público PCD é uma missão institucional e estratégica. O evento, além de capacitar a comunidade acadêmica, também dialoga com profissionais das redes municipal e estadual de educação.
“Este evento é de suma importância para nossa instituição, é uma missão do professor Fernando Carvalho, no sentido de fomentar as ações para as pessoas com deficiência. E esse primeiro simpósio mostra que a Universidade vem investindo cada vez mais em eventos estratégicos para a capacitação, não só da nossa comunidade acadêmica, mas também da rede municipal estadual de educação”, afirmou.
Investimento histórico em acessibilidade
A Universidade Federal do Maranhão formalizou, em 2025, um contrato superior a R$ 3,5 milhões voltado à ampliação das ações de acessibilidade. O investimento prevê a contratação de equipes especializadas para atender tanto o Câmpus de São Luís quanto os centros do continente.
A iniciativa reforça o compromisso institucional com a inclusão, garantindo suporte contínuo às pessoas com deficiência e fortalecendo políticas permanentes de acessibilidade no âmbito universitário.
Eventos como o I Simpósio Maranhense de Tradutores e Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa consolidam o papel da UFMA como agente articulador entre universidade e sociedade, contribuindo para a profissionalização da área no Maranhão e para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à Educação de Surdos e ao desenvolvimento linguístico e cultural das comunidades surdas locais.
Por: Ingrid Trindade
Fotos: Ingrid Trindade e Valdo Tavares
Revisão: Jáder Cavalcante
