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Realizado por pesquisadores da UFMA, escaneamento 3D revela estoques de carbono azul dos manguezais maranhenses

publicado: 19/02/2026 10h28, última modificação: 19/02/2026 14h52
Realizado por pesquisadores da UFMA, escaneamento 3D revela estoques de carbono azul dos manguezais maranhenses

Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) realizaram um escaneamento a laser pioneiro dos manguezais da Ilha do Maranhão que revelou, com alta precisão, os estoques de carbono azul do ecossistema e trouxe informações estratégicas para a conservação ambiental e a mitigação das mudanças climáticas.

Em um levantamento pioneiro com potencial para influenciar políticas de conservação e o mercado de carbono no Brasil, professores do curso de Oceanografia concluíram o primeiro escaneamento a laser 3D (LiDAR) dos manguezais da Ilha do Maranhão. A iniciativa objetiva quantificar, com alto nível de precisão, os estoques de carbono armazenados nesse ecossistema estratégico de “carbono azul”, especialmente relevante diante da extensa e contínua faixa de manguezais presente no estado.

"Esse projeto vai estabelecer um método específico para você acompanhar, de forma eficiente, o monitoramento do manguezal. O estudo nos ajuda a entender a situação e os riscos que o nosso manguezal está sofrendo, identificando cenários onde ele avança e onde pode perder área, e isso direciona ações de recuperação e políticas públicas de conservação e proteção de forma mais eficiente, resgatando, consequentemente, todo o potencial de sequestro de carbono do manguezal", explica o professor da UFMA e coordenador do projeto, Denilson Bezerra. 

O levantamento integra as atividades do projeto MANGUE-SAT: Monitoramento do Manguezal na Ilha do Maranhão por Satélite, aprovado no âmbito do Edital FAPEMA nº 15/2024 – Plano Maranhão 2050: Soluções Inovadoras. Coordenado pelos professores da UFMA Denílson Bezerra e pela professora Flávia Mochel, o projeto conta com a coordenação científica do professor Celso Silva Junior.

A pesquisa recebeu ainda o apoio do projeto Restauração Ecológica de Manguezais e Restingas da Amazônia Costeira Maranhense (Re-MARE), coordenado pelas professoras Flávia Mochel e Ilisandra Zanandrea, reunindo uma equipe multidisciplinar dedicada à conservação e valorização dos ecossistemas costeiros.

Tecnologia LiDAR - A área de estudo concentrou-se na região de Panaquatira, no município de São José de Ribamar, escolhida por sua importância ecológica como zona de transição entre os ecossistemas de manguezal e restinga. Essa característica confere maior complexidade estrutural à vegetação e amplia a relevância dos dados obtidos sobre os estoques de carbono na paisagem.

Para a coleta das informações, a equipe utilizou a tecnologia Light Detection and Ranging (LiDAR), um sistema de sensoriamento remoto que funciona como um escâner a laser aerotransportado. O equipamento emite pulsos de luz em direção à superfície e mede o tempo de retorno desses sinais, permitindo calcular, com extrema precisão, a distância e a posição de milhões de pontos na paisagem.

Essa capacidade torna o LiDAR especialmente eficiente para mapear ambientes florestais densos, como manguezais e restingas, mesmo sob a copa da vegetação. O resultado imediato do levantamento é a geração de uma nuvem de pontos tridimensional, composta por milhões de registros com coordenadas geográficas exatas (X, Y, Z), que representam desde o topo das árvores até o solo. A partir dessa base de dados de alta resolução, é possível construir modelos digitais de superfície e de terreno, fundamentais para estimar a altura da vegetação e o volume de biomassa com grande precisão.

De acordo com o professor Denilson Bezerra, o Brasil, especificamente entre o Maranhão e o Amapá, tem a maior área de manguezais do mundo, contudo ainda falta um monitoramento eficiente.  O projeto  busca suprir essa deficiência no Maranhão. “O Brasil possui a maior quantidade de manguezais do planeta. Fica entre o Estado do Maranhão e o Amapá, em torno de 13 mil quilômetros quadrados de área de manguezal. Só que, apesar de toda a nossa extensão de manguezal, não temos um monitoramento eficiente. O nosso projeto visa suprir essa lacuna, propor um programa de monitoramento eficiente para o manguezal do Maranhão.”

Com a caracterização detalhada da estrutura da vegetação, os pesquisadores conseguiram calcular o estoque de carbono aéreo presente na biomassa da área de transição estudada. Segundo o professor Celso Silva Junior, o mapeamento desses estoques é essencial para a gestão ambiental e para o planejamento de políticas de mitigação das mudanças climáticas, pois permite identificar onde o carbono está efetivamente armazenado.

A distribuição e a concentração do carbono na região estão representadas no mapa de estoque de carbono abaixo. A origem do projeto remonta a 2021, quando a ideia começou a ser desenvolvida no âmbito da pós-graduação da UFMA. De acordo com o professor Denílson Bezerra, a base conceitual do MANGUE-SAT foi consolidada durante a orientação do então mestrando Adriano de Lima, no Prodema-UFMA.

A dissertação, intitulada “Dinâmica espaço-temporal da cobertura dos manguezais e seu potencial para o sequestro de CO₂ na zona costeira do Estado do Maranhão”, evidenciou a urgência e a viabilidade de quantificar, com maior precisão, o papel dos manguezais maranhenses na mitigação das mudanças climáticas, abrindo caminho para a aplicação da tecnologia LiDAR e para a concretização do projeto.

Os pesquisadores destacam que os benefícios do manguezal alcançam toda a população brasileira. Eles defendem que o projeto contribui com toda a sociedade ao propor um monitoramento eficiente dos manguezais, garantindo a preservação dos serviços que ele presta, como a segurança alimentar e a proteção costeira.

Revisão: Jáder Cavalcante

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