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Promovida pela UFMA, ação formativa fortalece práticas pedagógicas na Educação Infantil quilombola do polo Bequimão

publicado: 12/02/2026 09h45, última modificação: 12/02/2026 12h06
Promovida pela UFMA, ação formativa fortalece práticas pedagógicas na Educação Infantil quilombola do polo Bequimão

A formação de professores assegura a construção de uma educação e uma pedagogia quilombola. Foto: acervo pessoal

Com o objetivo do fortalecer as práticas pedagógicas na Educação Infantil em territórios quilombolas, nos dias 9 e 10 de fevereiro, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) promoveu uma programação formativa a professoras e professores cursistas da Licenciatura em Educação Escolar Quilombola (LEEQ), do polo Bequimão, curso oferecido no âmbito do Parfor Equidade.

As atividades, que ocorreram em São Luís, integraram as disciplinas Fundamentos Histórico-Políticos da Educação das Infâncias – LEEQ e Vivências de Extensão II – Cartografias Afroepistêmicas, reafirmando o compromisso institucional com uma formação docente antirracista, territorializada e alinhada aos saberes e modos de vida das comunidades quilombolas.

A programação foi organizada em quatro oficinas, distribuídas ao longo dos dois dias, com o objetivo de ampliar as possibilidades de práticas docentes na Educação Infantil quilombola, reafirmando o brincar, a memória e os saberes tradicionais como elementos centrais do processo educativo das crianças negras e quilombolas.

Segundo a docente do curso de pedagogia da UFMA e das disciplinas envolvidas na ação e organizadora das oficinas, Maria do Carmo Alves da Cruz, a iniciativa fortalece as práticas pedagógicas na Educação Infantil em comunidades quilombolas ao possibilitar que os professores ampliem o olhar sobre si mesmos, sobre o território e sobre as crianças.

“Vai fortalecer no sentido que eles vão ter um outro olhar. Eles já fazem isso, então, por exemplo, fazer o exercício de elaborar esse mapa afetivo do seu território, a história do dia do seu nascimento, sua árvore genealógica, que são atividades que a gente fez na primeira disciplina um ano atrás. Mas agora a gente resgata essas escritas para a gente pensar essa escrita criativa, baseada na memória da ancestralidade. É um exercício que vai ajudar esses professores sobre como eles vão pensar essas crianças como sujeitos de direito, como pessoas que vão preservar e manter esses saberes quilombolas em seu território”, pontuou a docente.

Participantes das oficinas em momento de prática. Foto: acervo pessoal.

A formação também promove um movimento de autorreconhecimento. A professora Maria do Carmo enfatiza que é fundamental que os docentes se vejam como produtores de conhecimento. Ao mesmo tempo, destaca a importância de reconhecer as crianças como sujeitos ativos nesse processo. Para ela, é necessário compreender “as infâncias como territórios de construção de saberes e de conhecimento” e os territórios quilombolas como espaços legítimos de produção de conhecimento.

Diálogo horizontal e troca de saberes

A ação formativa também reafirma o papel da Universidade no fortalecimento da Educação Escolar Quilombola no Maranhão. Para a docente, a contribuição da Universidade deve ocorrer de forma horizontal, reconhecendo professores, crianças e comunidades como produtores de conhecimento. Esse movimento pressupõe troca de aprendizagens, compartilhamento de práticas docentes e respeito aos saberes tradicionais.

“A gente está há um ano aqui na UFMA, e a Universidade vai contribuir olhando para esses territórios, para essas crianças, para esses professores, como produtores de conhecimento e sentando num sentido horizontal, buscando fazer trocas de aprendizagens, troca de práticas docentes, de práticas pedagógicas, no sentido respeitoso e entendendo que a Universidade não sabe tudo e que, quando a gente vai para os territórios, a gente mais aprende do que ensina”, conclui Maria do Carmo.

Participantes das oficinas em momento de prática. Foto: acervo pessoal.

Dando continuidade às atividades formativas, nesta quinta-feira, 12, será realizado o encerramento das duas disciplinas na Comunidade Ariquipá, onde já foi realizada a primeira etapa das Vivências de Extensão II – Cartografias Afroepistêmicas, em que foram mapeados os saberes da gastronomia-Ajeum; saberes dos modos de pertencimento ao território e aos lugares de memória-Baobá; saberes, tradições, espiritualidades e práticas de cura -Abayomi; saberes das festividades, danças e expressões de alegria na comunidade- Kwanzaa.

A programação segue no dia 20 de fevereiro, com roda de saberes intergeracionais, em que os griots do território vão ensinar a fazer abano e meaçaba; em seguida, os grupos farão exposição dos mapeamentos dos saberes identificados no território; após esse momento, as professoras cursistas vão vivenciar com as crianças as mesmas oficinas, porém com base nos saberes mapeados no Arqiuipá´.

Iniciativas como as oficinas realizadas em São Luís, reforçam o compromisso da UFMA com uma formação docente comprometida com a equidade, com a justiça social e com a valorização das identidades e saberes das comunidades quilombolas maranhenses.

Por: Ingrid Trindade

Fotos: acervo pessoal

Revisão: Jáder Cavalcante

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