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Projeto de extensão da UFMA capacita o terceiro setor em inteligência artificial e planejamento estratégico
Membros do terceiro setor durante capacitação. Foto: divulgação
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Profissional (PPGCOMPro), está capacitando organizações de pequeno porte, do terceiro setor de São Luís, para fortalecer a gestão e ampliar o impacto social de suas ações. A iniciativa faz parte do projeto INOVACOM, que oferece oficinas de Planejamento Estratégico, Introdução à Inteligência Artificial Generativa e Produção de Conteúdo para Redes Sociais, com o objetivo de promover mais autonomia, sustentabilidade e crescimento às instituições participantes.
O curso é financiado por edital da CAPES, em parceria com a Agência de Inovação, Empreendedorismo, Pesquisa, Pós-Graduação e Internacionalização (AGEUFMA) e a Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Difusão da Ciência e Tecnologia (PROEC), pró-reitorias responsáveis pelo Programa de Extensão na Pós-Graduação (PROEXT-PG).
Ao todo, as organizações participantes beneficiam mais de cinco mil pessoas por ano, entre crianças, adolescentes e adultos, com projetos voltados para áreas como educação infantil, agricultura familiar, esporte e lazer. Além da formação, o projeto disponibiliza ferramentas tecnológicas para apoiar o desenvolvimento das instituições, como a inteligência artifical generativa (Assist Ed), um assistente que está sendo testado para auxiliar na análise de editais públicos e privados, facilitando o acesso a oportunidades de financiamento e contribuindo para o crescimento das entidades.
Além de apresentar os conceitos da inteligência artificial generativa, o projeto também busca oferecer ferramentas práticas para o dia a dia das organizações. Segundo o professor do curso de Comunicação da UFMA e coordenador do INOVACOM, Márcio Carneiro, a proposta foi desenvolver habilidades que pudessem ser úteis aos gestores. "A gente fez primeiro um treinamento para que eles tivessem um contexto geral. O grande problema da IA generativa é a falta de literacia. Todo mundo usa, mas as pessoas não sabem direito os limites, os riscos e as características específicas. A partir do que identificamos no planejamento estratégico, criamos um assistente de IA generativa completamente gratuito para analisar editais públicos e privados, identificando prazos, pontos importantes e se o edital tem aderência ao que eles fazem. Acho que é uma ferramenta a mais que eles vão poder usar agora com mais propriedade", afirma.
Ele ainda ressalta que, durante a etapa de planejamento estratégico, foi possível identificar desafios comuns entre as organizações, o que passou a orientar as próximas ações do projeto. "Alguns deles ainda nem tinham um documento de planejamento estratégico, uma forma mais organizada de olhar para a situação atual, olhar para cenários futuros e estabelecer metas. A partir disso, conseguimos identificar necessidades comuns, como divulgação, captação de recursos, captação de voluntários e a análise de editais. Essas questões estão servindo para orientar as ações que vêm à frente. A gente não está lá para dizer o que eles têm que fazer. A gente está lá para aprender com eles, entender os problemas deles e ajudar a desenhar soluções para essas organizações", disse o professor.
Ele também destaca que, embora as oficinas reúnam um número reduzido de participantes, o alcance do projeto é muito maior por envolver gestores de organizações que atendem milhares de pessoas ao longo do ano. "Quando você olha as fotos, normalmente são seis, oito, dez pessoas, então parece uma ação muito pequena, mas ela não é. Aquelas pessoas são gestoras de organizações que ofertam serviços para muita gente. Algumas trabalham com mais de mil pessoas por ano, outras atendem 150, 200 pessoas entre crianças, jovens e adultos. Essas organizações vão sair do programa com um conjunto totalmente novo de conhecimento, ferramentas e apoio, gerando multiplicadores e ações que vão impactar quantidades bem maiores de pessoas. Acho que esse é o grande legado que o INOVACOM vai deixar: uma ação que vai gerar um efeito multiplicador e se desdobrar em várias comunidades e segmentos sociais", finaliza.
O INOVACOM entra agora na fase de acompanhamento das organizações participantes. Nessa etapa, o projeto dará continuidade ao suporte oferecido durante as oficinas, fortalecendo a conexão entre as instituições e a UFMA para que as soluções desenvolvidas sejam aplicadas na prática e contribuam para ampliar a capacidade de atuação, captação de recursos e sustentabilidade das entidades e apostando na formação de gestores no uso de ferramentas digitais, o projeto busca fortalecer as organizações para que elas ampliem sua capacidade de atuação e levem os conhecimentos adquiridos para dentro da comunidade onde desenvolvem suas atividades.
Com o encerramento das oficinas, o INOVACOM seguirá acompanhando as instituições participantes, reforçando o compromisso da UFMA com a extensão universitária e a inovação social. A expectativa é que o conhecimento compartilhado ao longo do projeto continue fortalecendo o terceiro setor e contribuindo para ampliar o impacto das organizações nas comunidades maranhenses.
Por: Judson Nunes