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Projeto da UFMA leva Olimpíada de Foguetes ao Centro de Lançamento de Alcântara e populariza ciência entre estudantes do interior do Maranhão
1ª Olimpíada Oitiuense de Foguetes oportuniza experiências únicas a estudantes da rede pública de ensino. Foto: CLA
O projeto de extensão “Astronomia no Sertão”, desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Grajaú, em parceria com o Instituto Federal do Maranhão, Câmpus Grajaú, realizou uma ação inédita com estudantes da rede pública no povoado de Oitiua, no município de Alcântara: a 1ª Olimpíada Oitiuense de Foguetes. A iniciativa promoveu oficinas de construção e lançamento de foguetes educativos produzidos com garrafas PET.
A atividade foi coordenada pela professora da UFMA Grajaú e coordenadora do projeto, Daniely Gaspar, e contou com a participação de estudantes da UFMA e do IFMA, além de professores das duas instituições e envolveu 54 estudantes da Escola Duque de Caxias, no povoado de Oitiua, em Alcântara. Segundo a professora, o trabalho faz parte das ações desenvolvidas dentro do projeto Astronomia no Sertão, que também mantém o projeto de extensão “Voando Alto”.
“Dentro do projeto Astronomia no Sertão, nós temos outros trabalhos, como a Astronáutica, e a gente tem um projeto de extensão chamado Voando Alto, desenvolvendo a Olimpíada Brasileira de Foguetes, o OBAFOG, que é uma olimpíada de foguetes educativos construídos com garrafa PET. A gente está desenvolvendo esses trabalhos em algumas escolas no município de Grajaú, e a gente fez uma parceria com uma escola em Alcântara, do povoado Oitiua, que nunca antes tinha feito um trabalho dessa forma”, explicou Daniely Gaspar.
Estudantes da Escola Duque de Caxias imergiram na ciência espacial e produziram seus próprios foguetes. Foto: acervo pessoal
Para Daniely, o evento representou uma oportunidade de aproximar a ciência da realidade dos jovens, especialmente, daqueles que vivem em regiões de pouco acesso a atividades científicas e tecnológicas. "A educação enfrenta um grande desafio de competir pela atenção e interesse das novas gerações que estão expostas a inúmeros estímulos. Então, precisamos inovar nas formas de ensinar, tornado o aprendizado mais criativo e significativo", afirmou a docente.
Construção de foguetes e experiência no Centro de Lançamento de Alcântara
A primeira etapa da ação ocorreu com a realização de oficinas educativas voltadas aos estudantes da Escola Duque de Caxias, que receberam orientações sobre o funcionamento e diferenças entre os modelos de foguetes tradicionais e educativos e participaram da construção dos próprios equipamentos, que foram lançados no dia seguinte.
No segundo dia da programação, os estudantes conheceram as instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), incluindo o centro de controle, além de participarem de uma palestra sobre segurança de voo.
“Tudo foi aberto para que a gente pudesse visitar. Tivemos também uma palestra sobre segurança de voo. Foi incrível essa visita”, relatou Daniely Gaspar.
Alunos da Escola Duque de Caxias visitam o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Foto: CLA
Após a visita técnica, os participantes realizaram o lançamento dos foguetes educativos na área da TMI, espaço conhecido por sediar operações reais de lançamento.
Para a bolsista do projeto Astronomia no Sertão e discente do curso de Ciências Naturais – Química, na UFMA Grajaú, Klebiane Santos Silva, a experiência na 1ª Olimpíada Oitiuense de Foguetes foi gratificante:
“Foi uma experiência inenarrável. Estar ali nesse primeiro dia ensinando os alunos a produzir os foguetes, que logo mais seriam lançados, ver o interesse deles de buscar mais conhecimento a respeito da ciência, da física, astronomia, é muito encantador para a gente. No segundo dia, fomos ao CLA, e foi uma experiência única. [...] É muito gratificante poder participar desse momento, poder vivenciar essas experiências tão emocionantes. E foi muito bom poder compartilhar conhecimento, poder ensinar aqueles alunos, e também aprender com eles de uma certa forma”, expressou Klebiane, que é uma das bolsistas mais antigas do projeto.
"Ver o entusiasmo dos estudantes de Oitiua reforça a importância de projetos como o Astronomia no sertão, que buscam democratizar o conhecimento científico. Tenho certeza que investir em educação científica é investir em transformação social", avalia a coordenadora do Astronomia no Sertão, Daniely Gaspar.
Parceria fortalece popularização da ciência
A ação foi desenvolvida em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Centro de Lançamento de Alcântara e a Prefeitura Municipal de Alcântara. Segundo a coordenadora do projeto, a aproximação com a Agência Espacial Brasileira já vinha sendo construída por meio das atividades do Astronomia no Sertão.
Os lançamentos ocorreram no Centro de Lançamento de Alcântara. Foto: CLA
A iniciativa também integra o projeto “Meninas e Mulheres na Ciência”, que incentiva a participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas.
Saiba mais
Em 2024, estudantes das escolas indígenas Y’yzar Lorena e Tamarinda venceram a Jornada de Foguetes, por meio do Projeto de Extensão “Astronomia no Sertão”. Nove estudantes da etnia guajajara da Terra Indígena Bacurizinho participaram do evento, fruto dos resultados obtidos na Mostra Brasileira de Foguetes (atual Olimpíada Brasileira de Foguetes) realizada na Aldeia Arymy.
O Projeto de Extensão Astronomia no Sertão tem como intuito transmitir o conhecimento científico para áreas mais remotas como: povoados e comunidades tradicionais, população que tradicionalmente tem menos acesso a essas oportunidades. O projeto realiza ações de divulgação científica, que, além de proporcionar aos jovens o acesso à tecnologia, demostra que a ciência pode transformar e melhorar suas vidas.
A Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) é uma olimpíada inteiramente experimental, pois consiste em construir e lançar, obliquamente, foguetes, a partir de uma base de lançamento, o mais distante possível. Foguetes e bases de lançamentos devem ser construídos por alunos individualmente ou em equipes de até três componentes.
Por: Ingrid Trindade
Fotos: CLA e acervo pessoal
Revisão: Jáder Cavalcante