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Pesquisadora da UFMA cria "sorvete inclusivo'' à base de ingredientes típicos da culinária maranhense
Pesquisadora Sâmyla Cavalcante em laboratório da UFMA Imperatriz. Arquivo: Luana Santos, Lara Sofia Brito e Henry Adrian.
A busca por alimentos saudáveis e inclusivos, que dispensam ingredientes ultraprocessados, é uma das demandas crescentes da indústria. Visando oferecer alternativas, uma pesquisa desenvolvida no Centro de Ciências de Imperatriz (CCIm) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) resultou na criação de um "sorvete inclusivo". Elaborada com arroz vermelho e vinagreira, a sobremesa elimina ingredientes nocivos e de origem animal, oferecendo um produto de alto valor nutricional.
O projeto, liderado pela engenheira de alimentos Sâmyla Cavalcante sob orientação da professora Tatiana Lemos, foi premiado em 3º lugar no Prêmio Fapema 2025, na categoria POPVídeo Ciências, atendendo aos critérios de inovação, desenvolvimento e sustentabilidade para o estado. O vídeo pode ser acessado clicando neste link.

Pesquisa conquistou o 3º lugar na categoria POPVídeo Ciências no Prêmio FAPEMA 2025. Foto: arquivo pessoal
Ciência com sabor regional
Diferente das opções convencionais, o sorvete entra na categoria de "alimentos de indulgência", que são consumidos pelo prazer sensorial, mas com o diferencial da saudabilidade. O produto é livre de gordura trans, possui baixo teor de sódio e é naturalmente rico em ferro e vitamina C.
A orientadora da pesquisa, Tatiana Lemos, destaca que um dos objetivos foi criar uma sobremesa diferente, com base em elementos típicos da culinária regional. “Procuramos reunir matérias-primas do Maranhão para melhorar o perfil nutricional desse tipo de sobremesa. Optamos pelo arroz vermelho, em vez do branco, por ele ser amplamente produzido no Brasil e apresentar propriedades superiores”, explica.
Segundo ela, o sabor é único e equilibrado, proporcionando uma experiência sensorial que foge ao comum. "Ele tem um equilíbrio entre a acidez da vinagreira e o doce, sem excesso de açúcar. Não lembra exatamente nenhum sorvete convencional, talvez algo próximo ao cupuaçu", detalha.
Além de destacar a vinagreira e o arroz vermelho como ingredientes principais, o sorvete utiliza quantidades reduzidas de açúcar e substitui a gordura animal por uma alternativa vegetal, tornando a sobremesa ainda mais leve e nutritiva.
Quatro anos de testes
O caminho até a cremosidade ideal exigiu paciência e rigor durante as pesquisas. O projeto durou cerca de quatro anos e teve como ponto de partida um estudo anterior realizado entre a UFMA e a Universidade Federal do Ceará (UFC).
O maior desafio foi a substituição de bases de amêndoas por ingredientes típicos do Maranhão. Como não existe "bebida de arroz vermelho" pronta no mercado, as pesquisadoras precisaram desenvolver o próprio extrato, além de padronizar a vinagreira em forma de polpa e farinha para chegar à formulação final.

UFMA cria 'Sorvete inclusivo' à base de vinagreira e arroz vermelho.
O esforço garantiu um sorvete que atende a um público diversificado, que busca novas experiências em opções mais saudáveis, sem deixar de lado o prazer de consumir sorvete. “O público beneficiado inclui pessoas intolerantes a lactose, vegetarianos e veganos, além de quem busca novas experiências e opções mais saudáveis. O sorvete proporciona inclusão e inovação", destaca.
A Universidade e o mercado
Para Sâmyla Cavalcante, o reconhecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) é uma ponte necessária entre a academia e a sociedade. “É algo muito gratificante para nós divulgar a pesquisa, porque, às vezes, o nosso trabalho na Universidade fica apenas com o público interno, mas, com o prêmio, a gente divulga o nosso trabalho para a comunidade, para as pessoas verem o que a Universidade está desenvolvendo”, afirma a engenheira.
A professora Tatiana Lemos reforça que o papel da ciência aplicada é oferecer soluções adequadas para demandas reais da sociedade e do mercado. Nesse sentido, a UFMA atua como instrumento para a realização de pesquisas de alto nível, capaz de apresentar soluções adequadas para essa busca.
“A pesquisa é importante porque a Universidade está indo no mercado ver as dores e os problemas que se têm para que a gente possa, a partir da pesquisa e do fomento do governo por meio dos ministérios, usar o nosso conhecimento aplicado para solucionar problemas de mercado”, conclui.
Ao investir em projetos de pesquisas como esses, que entregam produtos inovadores, saudáveis e com alto potencial de mercado, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) se destaca como um importante agente de transformação social, fomentando cadeias produtivas e fornecendo alternativas econômicas à sociedade.
Por: Agaminon Sales
Fotos: arquivo pessoal
Revisão: Jáder Cavalcante