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Pesquisa da UFMA registra memórias e práticas culturais da comunidade quilombola de Pericumã em livro
Ingrid Fabiana Fonseca e Eduardo Bezerra no lançamento do livro. Foto: acervo pessoal
De autoria da pesquisadora Ingrid Fabiana Fonseca e do docente do curso de Biologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Eduardo Bezerra, com a colaboração de outros pesquisadores, o livro “Raízes Sagradas de Pericumã: Memórias e Narrativas” reúne e sistematiza saberes tradicionais relacionados à ancestralidade, à religiosidade e ao uso de plantas medicinais e ritualísticas. A obra, lançada em dezembro, resulta de anos de pesquisa etnobotânica e de interação acadêmica com a Comunidade Quilombola de Pericumã, no Maranhão.
A publicação registra narrativas sobre os festejos religiosos, as práticas culturais e as formas de relação da comunidade com o território, evidenciando o papel do conhecimento tradicional na preservação da biodiversidade e da identidade quilombola. O livro foi fruto da pesquisa de doutorado de Ingrid Fabiana Fonseca, baseado no estudo da diversidade de plantas e de suas formas de uso. “Foi resultado de um percurso de escuta atenta e de convivência prolongada, no qual as narrativas, memórias e práticas culturais foram registradas respeitando os tempos, os modos de falar e as formas próprias de transmissão do saber da comunidade”, contou ela.
Assim, a publicação foi concebida como forma de dar visibilidade à comunidade e valorizar seus conhecimentos culturais. Ainda segundo a pesquisadora, “o livro mostra que as plantas não são usadas apenas como remédios caseiros, mas como elementos que conectam corpo, espírito e natureza. Há todo um cuidado com a forma de coletar, preparar e utilizar cada planta, um aprendizado que passa de pai para filho, de avós para netos”.
Estruturada em três capítulos, a obra apresenta diferentes dimensões da história e da cultura de Pericumã, articulando memória coletiva, práticas ancestrais e ciência. O conteúdo dialoga com temas como etnobotânica e conservação ambiental, sendo construído com grande participação da comunidade, como ressaltou Eduardo Bezerra:
“A confiança é a base que sustenta todo o processo de pesquisa. Sem a parceria e confiança das pessoas, não seria possível acessar as histórias, as práticas, as crenças e as experiências que fazem parte da vida íntima e coletiva da comunidade. Ao longo do trabalho, a troca de saberes aconteceu da melhor forma, pois a equipe de pesquisadores não apenas coletou informações, mas escutou, aprendeu e construiu conhecimento junto com os moradores”.
Além dos autores principais, o livro contou com contribuições de Ariade Nazaré Fontes da Silva, Thauana Oliveira Rabelo, Felipe Corrêa Sousa, Zulma Guadalupe Alves Pinheiro e Antônio Fernando Costa da Silva, reforçando o caráter coletivo do trabalho.
A publicação integra as ações do Projeto Amazônia Legal Maranhense, vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e teve apoio institucional da UFMA e dos Programas de Pós-graduação em Biodiversidade e Conservação (PPGBC), de Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte) e da Academia Maranhense de Ciências (AMC).
Promovendo o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes tradicionais, a obra reafirma a importância de reconhecer diferentes formas de produção do conhecimento. As análises científicas contribuem para contextualizar as narrativas, enquanto os saberes construídos com base na experiência da comunidade quilombola de Pericumã revelam uma profunda dimensão histórica, cultural e social.
“O livro se torna um espaço de encontro entre diferentes formas de conhecer e compreender o mundo, sempre destacando a importância e a necessidade de respeito ao conhecimento tradicional, pois o trabalho é para a comunidade, um documento que atesta, registra e reconhece a importância cultural dessa comunidade”, concluiu o professor Eduardo Bezerra.
Por: Giovanna Carvalho
Fotos: acervo pessoal
Revisão: Jáder Cavalcante