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Pesquisa da UFMA avalia técnica que torna restaurações dentárias mais rápidas e eficientes
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) publicaram um estudo na revista internacional Journal of Dentistry que traz novas evidências sobre uma técnica capaz de reduzir o tempo de procedimentos restauradores sem comprometer a qualidade clínica das restaurações dentárias. A pesquisa acompanhou pacientes durante 36 meses e avaliou o desempenho de adesivos universais aplicados pela técnica conhecida como “sem espera” (no-waiting).
Adesivos odontológicos são materiais resinosos que promovem a união entre o material restaurador, como resinas compostas, e os tecidos dentais, formando uma ligação resistente e duradoura. Eles são essenciais para garantir a longevidade das restaurações, especialmente em casos de lesões cervicais não cariosas, desgastes próximos à gengiva que podem causar hipersensibilidade, desconforto durante a alimentação e prejuízos estéticos.
Segundo o coordenador da pesquisa e professor do curso de Odontologia da UFMA, Andrés Felipe Millán Cardenas, o estudo surgiu da necessidade de desenvolver procedimentos restauradores mais rápidos, sem comprometer a qualidade e a longevidade das restaurações. “A pesquisa foi motivada pela busca por procedimentos restauradores mais rápidos e simples, sem comprometer a qualidade e a longevidade das restaurações. Adicionalmente, novos sistemas adesivos universais foram lançados ao mercado odontológico e permitem a aplicação pela técnica ‘sem espera’, que reduz o tempo clínico”, explica.
No entanto, segundo o pesquisador, ainda faltavam evidências clínicas que comprovassem a eficácia da técnica em médio prazo. “Assim, o objetivo foi verificar se essa técnica apresenta desempenho semelhante ao protocolo convencional após 36 meses de acompanhamento”, completa.
A pesquisa envolveu 176 restaurações realizadas em 24 pacientes, divididas em quatro grupos conforme o tipo de adesivo e a técnica utilizada. Após três anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram elevadas taxas de retenção das restaurações, variando entre 84,1% e 100%.
Os resultados mostraram que a técnica “sem espera” apresentou desempenho clínico semelhante ao método convencional quando utilizada com a estratégia de condicionamento ácido total. Já quando associada à técnica autocondicionante, apresentou menor retenção, indicando que a escolha correta do protocolo é determinante para o sucesso clínico.
Benefícios para profissionais e pacientes
Além de apresentar resultados clínicos satisfatórios, a técnica “sem espera” pode trazer impactos positivos para a rotina dos serviços odontológicos. Ao reduzir o tempo necessário para a aplicação dos sistemas adesivos, o procedimento torna-se mais ágil, o que pode otimizar o fluxo de atendimentos em clínicas e unidades de saúde, especialmente naquelas que recebem um grande número de pacientes diariamente.
Para o coordenador da pesquisa, Andrés Felipe Millán Cardenas, a redução do tempo clínico representa vantagens tanto para os cirurgiões-dentistas quanto para quem recebe o tratamento. “A técnica ‘sem espera’ permite reduzir o tempo de aplicação dos sistemas adesivos universais, tornando o procedimento restaurador mais rápido e eficiente. Para os pacientes, especialmente aqueles com lesões cervicais não cariosas, os benefícios incluem um tratamento mais confortável, com menor tempo de atendimento e recuperação da função e da estética de uma região frequentemente acometida por hipersensibilidade dentinária. Além disso, após 36 meses de acompanhamento, as restaurações apresentaram excelente desempenho clínico, sem ocorrência de sensibilidade pós-operatória ou recidiva de cárie”, destaca.
Segundo o pesquisador, a adoção dessa abordagem também pode contribuir para aumentar a produtividade dos profissionais e reduzir custos operacionais, favorecendo a ampliação do acesso aos serviços odontológicos. Em sistemas públicos de saúde e locais com alta demanda, a otimização do tempo de atendimento pode permitir que mais pacientes sejam atendidos sem comprometer a qualidade da assistência prestada.
Pesquisa e inovação
Além dos impactos para a prática clínica, o estudo reforça o papel da Universidade Federal do Maranhão na produção de conhecimento científico voltado às demandas da sociedade. Para Andrés Millán, a infraestrutura oferecida pela instituição e o incentivo à pesquisa têm sido fundamentais para o desenvolvimento de estudos capazes de avaliar novas tecnologias e aperfeiçoar os tratamentos odontológicos.
“A Universidade Federal do Maranhão, por meio da Coordenação do Curso de Odontologia e do Programa de Pós-Graduação em Odontologia, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas que geram impacto direto na saúde da população. Ao oferecer infraestrutura, incentivo à pesquisa e formação de pesquisadores altamente qualificados, a instituição cria um ambiente propício para o desenvolvimento de estudos clínicos que avaliam novas tecnologias e materiais odontológicos. Além disso, a colaboração com pesquisadores de outras instituições fortalece a produção científica e amplia o alcance dos resultados, permitindo que o conhecimento gerado na universidade se transforme em tratamentos mais seguros, eficientes e acessíveis para a sociedade”, afirma Andrés Felipe Millán Cardenas.
Embora os resultados obtidos após 36 meses sejam promissores, os pesquisadores destacam que estudos com acompanhamento por períodos mais longos serão importantes para ampliar as evidências sobre a durabilidade das restaurações e consolidar o uso da técnica na prática clínica.
Por: Byanca Santos