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Mulheres, política e democracia: seminário na UFMA discute desafios da representatividade feminina
A jornalista Regina Souza durante fala no seminário “Violência política de gênero e o papel da mulher na sociedade atual”, realizado na UFMA. Foto: Alice Everton
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) realizou, na última terça-feira, 5 de maio, no Anfiteatro do Centro de Ciências Sociais (CCSO), o seminário “Violência política de gênero e o papel da mulher na sociedade atual”. A atividade foi promovida por estudantes do curso de Jornalismo, como parte da disciplina de Seminários de Jornalismo, ministrada pela professora Patrícia Rakel de Castro Sena.
A programação contou com a presença da jornalista e correspondente nacional da TV Mirante, Regina Souza, reconhecida pela cobertura de direitos sociais e culturais. O evento também contou com a participação da diretora LGBTQIAPN+ da União Nacional dos Estudantes (UNE) e secretaria de Cultura do Partido dos Trabalhadores do Maranhão, Rafa Araújo, e a professora do curso de Biblioteconomia da UFMA e coordenadora do Núcleo de Pesquisa Mulher, Cidadania e Relações de Gênero, Mary Ferreira.
Durante o seminário, foram debatidos temas como a representatividade feminina, violência política de gênero e os desafios enfrentados por mulheres que ocupam ou tentam ocupar espaços de decisões políticas. As convidadas também debateram sobre a importância da atuação feminina na democracia e os impactos da exclusão das mulheres.
A jornalista Regina Souza destacou a importância de promover debates como esse. “Fiquei muito feliz de estar aqui com os estudantes de Jornalismo da UFMA para debater um tema tão necessário. A violência política de gênero não afeta apenas a mulher que se candidata ou aquela que ocupa um espaço de poder, mas toda a sociedade. Quando as mulheres são impedidas de participar da política, a democracia se enfraquece, porque ela pressupõe diversidade de ideias e de perspectivas. Sem essa diversidade, não existem políticas públicas que contemplem toda a sociedade. Por isso, a violência política de gênero é prejudicial para todos”, afirmou.
A professora Mary Ferreira, reforçou a significância dos comunicadores na socialização dos debates sobre pautas sociais. “Para mim, é sempre um grande prazer participar de debates como esse. Na condição de cientista social e feminista, considero fundamental discutir questões de gênero, democracia, política e violência contra a mulher, porque esse diálogo ajuda a conscientizar a sociedade sobre a importância desses temas. Nós, mulheres, vivenciamos diariamente situações constrangedoras, agressivas e violentas, e precisamos de mais solidariedade e parceria da sociedade, especialmente dos homens, para enfrentar esse cenário. Nesse processo, a comunicação e os jornalistas têm um papel fundamental na ampliação e socialização desse debate”.

Seminário discutiu violência política de gênero com estudantes e convidadas. Foto: Alice Everton
Complementando essa visão, a organização do evento, conduzida pelos discentes, destacou a busca pelo rigor científico. Segundo a estudante Gabriela Moraes, o grupo utilizou dados e fatos para fundamentar as discussões, garantindo que o conhecimento produzido na academia chegasse de forma acolhedora tanto aos universitários quanto à comunidade externa.
Além das discussões sobre violência política, o seminário também abordou o papel da imprensa na cobertura de pautas relacionadas aos direitos humanos e às questões de gênero. O debate destacou a responsabilidade dos profissionais da comunicação na construção de narrativas mais éticas e comprometidas com o interesse público.
Com o cenário de 2026 apontando para um período eleitoral intenso, a professora Patrícia Rakel enfatizou a importância de preparar futuros jornalistas para lidar com essas questões de maneira responsável. “Discutir violência de gênero em sala de aula é uma estratégia fundamental para enfrentar violências que não acontecem apenas no âmbito privado, mas estão presentes em toda a sociedade. Relacionar esse debate ao curso de Jornalismo é ensinar nossos alunos a identificar situações de violência, evitar a revitimização de mulheres em conteúdos jornalísticos e reconhecer representações midiáticas que reforçam essa lógica. Tratar desses temas dentro da Universidade é essencial para garantir uma comunicação de qualidade e comprometida com o interesse público”, destacou.
Eventos como esse reforçam o compromisso da Universidade Federal do Maranhão com a promoção do debate público, da formação crítica e da construção de uma comunicação mais ética e comprometida com os direitos humanos.
Por: Byanca Santos
Fotos: Alice Everton
Revisão: Jáder Cavalcante