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Mestrado profissional em Educação da UFMA/CCIm traz docentes de volta a sala de aula e transforma a educação do Brasil

publicado: 01/07/2026 15h48, última modificação: 01/07/2026 15h49
O mestrado profissional em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação e Práticas Educativas, da UFMA de Imperatriz, possibilita que professores e professoras retomem a formação acadêmica e criem produtos educacionais que podem impactar mudanças reais nas escolas brasileiras
Mestrado profissional em Educação da UFMA/CCIm traz docentes de volta a sala de aula e transforma a educação do Brasil

Jorge Santos, egresso do PPGEPE, em processo de escuta com crianças durante a elaboração de seu produto. Foto: Jorge Santos

Depois de se formar em pedagogia, a educadora popular, Leidiane de Souza, passou dez anos afastada da vida universitária. Foi quando conheceu o mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Educação e Práticas Educativas (PPGEPE), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) de Imperatriz, que ela decidiu dar continuidade a sua formação acadêmica.

Assim como Leidiane, a pedagoga da rede Municipal de Ensino de Imperatriz, Susy Azevedo, permaneceu por muitos anos na docência, mas longe da academia. Foi em 2023, que ela decidiu retomar sua formação acadêmica, quando conheceu e ingressou no mestrado profissional do PPGEPE. Ela diz que sua principal motivação para retomar a formação acadêmica foi a vontade de devolver algo à escola em forma de produto educacional, com impacto também para a rede municipal de ensino, onde já atuava.

Leidiane de Souza desenvolve trabalhos educativos com crianças e adolescentes em uma ONG de Açailândia. Foto: acervo pessoal

Seguindo o mesmo caminho de Leidiane e Susy, o professor da educação infantil, Jorge Santos, viu no mestrado profissional do PPGEPE uma forma de conciliar sua carreira com a formação acadêmica. “[...] busquei o programa justamente por ser um programa de mestrado profissional. E aí eu poderia aliar minhas práticas, o que eu já venho trabalhando, meu campo de trabalho [Educação Infantil] com o campo da formação continuada”, diz o pesquisador.

Não muito diferente dos outros docentes, o atual estudante do mestrado profissional do PPGEPE, Hego Henrique, também optou por focar só no trabalho, sem muitas motivações para a vida acadêmica. Ele conta que depois de finalizar a graduação, em 2015, fez concurso público e foi aprovado no seletivo. A partir de então, ele se distanciou dos estudos. “Depois, ao conhecer o PPGEPE, percebi que era um momento em que eu poderia retornar”, relata o mestrando. 

Conhecendo o PPGEPE

O Programa de Pós-Graduação em Educação e Práticas Educativas (PPGEPE) da UFMA, vinculado ao Centro de Ciências de Imperatriz (CCIm), surgiu em 30 de novembro de 2018. Originalmente, intitulado Programa de Pós-Graduação em Formação Docente em Práticas Educativas (PPGFOPRED), seu nome foi alterado em 27 de agosto de 2024, via portaria da Capes.

O PPGEPE oferece um curso de Mestrado Profissional em Educação que possui como característica uma maior aproximação com o mundo do trabalho. Segundo o coordenador do PPGEPE, Jónata Moura, diferente do mestrado acadêmico, que foca na formação de pesquisadores e professores universitários, demandando uma tese teórica, o mestrado profissional busca resolver problemas no mundo do trabalho por meio de produtos educacionais, além de, necessariamente, o mestrando desenvolver uma pesquisa acadêmica.

Jónata Moura é formado em pedagogia e matemática. Ele é lider do grupo de pesquisa HIFOPEM/UFMA. Foto: acervo pessoal

Os produtos educacionais

Os docentes ingressam no mestrado profissional do PPGEPE com pré-projetos oriundos de inquietações pessoais acerca das próprias atuações como educadores ou de pesquisas feitas durante a graduação. O professor, Jónata Moura, explica que essas ideias chegam cruas, mas são aperfeiçoadas ao longo do mestrado, com a ajuda dos orientadores e das discussões feitas com colegas e professores do curso em sala de aula.

Leidiane de Souza fez um fanzine sobre o trabalho que ela desenvolve com as crianças e adolescentes, dentro do Centro de Cuidados da Vida e dos Direitos Humanos, de Açailândia, do qual ela faz parte desde sua infância. “Meu estímulo veio de tentar sistematizar como era que eu realizava esse trabalho de educadora dentro dessa instituição, para que, enfim, ficasse documentado”, relata a pesquisadora. 

Susy Azevedo produziu o curta-metragem de animação “Marcas”, que conta a história de uma personagem fictícia cujas vivências representam as perspectivas da própria pesquisadora e das professoras ouvidas durante a produção da dissertação sobre gêneros e sexualidades. Ela conta que o tema surgiu de uma demanda profissional, por buscar entender o seu entendimento e o das colegas sobre o tema, e pessoal, por ser casada com outra mulher.

Jorge Santos escreveu o livro digital “Avaliação na Educação Infantil: concepções e práticas colaborativas”, cuja proposta era possibilitar a si mesmo e a outros docentes melhorarem a forma como avaliam as crianças, oferecendo um conjunto de orientações, baseadas em práticas colaborativas. “O que me motiva é querer melhorar o meu trabalho pedagógico e trazer para esse público que são os professores da Educação Infantil outros olhares sobre como avaliar”, diz o pesquisador.

Diferente dos outros docentes, Hego Henrique ainda está no mestrado, fazendo o seu produto. Sua pesquisa busca relacionar as unidades de medidas regionais, como o palmo, a braça e o “mói” ao Sistema Internacional de Unidades (SI) e à realidade vivenciada pelos estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) de Alto Alegre do Pindaré, onde ele mora. Ele relata que o projeto foi idealizado pelo professor Jónata e que decidiu assumir o trabalho pela relação que o tema da pesquisa tem com sua cidade e sua vida pessoal.

Desafios da produção

Os docentes relatam que tiveram dificuldades para conciliar o trabalho nos ambientes escolares, como o mestrado e a criação do produto educacional. Também tiveram problemas mais específicos relacionados às metodologias escolhidas para desenvolver as pesquisas, aos formatos de produtos escolhidos e ao processo de produção desses trabalhos. “Quando você acumula vínculos com o município, com o estado e ainda tem o mestrado, a escrita se torna um desafio grande. Foi bem difícil conciliar trabalho e pesquisa ao mesmo tempo”, diz o mestrando, Hego Henrique. 

Hego Henrique em encontro com estudantes do EJAI, durante a criação de seu produto. Foto: acervo pessoal

Para produzir o fanzine, Leidiane de Souza optou por uma metodologia de produção participativa e coletiva, que envolveu a colaboração com sete turmas formadas por crianças e adolescentes. Sua maior dificuldade foi fazer com que esse público comprasse a ideia, entendesse o que ela estava expondo por meio de seu produto e tornar o processo de criação do fanzine mais prazeroso.

Susy conta que recorreu à inteligência artificial generativa, como o ChatGPT para ajudar a criar o roteiro e as imagens, e utilizou também duas plataformas de apoio, o KlingAI para animação e o CapCut para edição de vídeo e áudio. O maior desafio que ela enfrentou foi, justamente, entender o funcionamento dessas ferramentas e a necessidade de financiar os recursos tecnológicos usados na criação do curta.

Jorge Santos descreve o processo de produção de seu livro como colaborativo e transformador, cuja metodologia foi desenvolvida por meio de grupos focais. A maior dificuldade enfrentada está relacionada com a parte técnica, na transcrição das entrevistas realizadas durante os grupos focais e na diagramação da capa do livro. O pesquisador também destacou a necessidade de se adaptar às “demandas espontâneas”, decorrentes das dinâmicas feitas nas escolas onde desenvolveu a pesquisa.

Hego Henrique destaca que teve dificuldade com a escrita acadêmica e científica da dissertação. Assim como Jorge, a transcrição dos áudios coletados nas salas de aula, onde a pesquisa foi realizada, também foi um desafio enfrentado durante a criação da obra. Ele explica que, como as gravações tiveram cerca de 1h30 a 1h40 de duração, o trabalho de selecionar falas relevantes e organizar a experiência vivida pelos estudantes exigiu muito tempo e atenção.

O professor, Jónata Moura, recomenda que, para facilitar o processo de produção dos trabalhos, os estudantes devem aproveitar bem as contribuições dos orientadores e as discussões com colegas em sala de aula. “Eles vão tentando lapidar aquela ideia pra ficar o mais simples possível. Então, com o orientador, eles vão encontrando um caminho mais plausível para poder desenvolver o produto e chegar na defesa de dissertação com ele já organizado”, explica o professor.

Retorno social

Após a finalização dos produtos, eles podem ser utilizados em ambientes escolares e não escolares, comunidades tradicionais e movimentos sociais, com o intuito de gerar algum tipo de retorno social. Jónata Moura, cita alguns exemplos de produtos que tiveram impactos reais nos ambientes em que foram aplicados.

Um dos exemplos é o livro de literatura infantil, “A professora Marrom”, da mestra Maria dos Reis, que teve grande repercussão e trouxe a ela um convite para ser coordenadora da educação antirracista de Açailandia. Há também o caso de Yoná Ferreira, que desenvolveu uma prática educativa com as bordadeiras do projeto “Mulher Maravilha”, que trouxe para elas um senso de empreendedorismo e empoderamento, e mostrou que podiam transformar seus trabalhos em algo rentável.

Além do desenvolvimento em ambientes reais, esses trabalhos também são publicados no site do PPGEPE, ficando disponíveis para a população acessar a qualquer momento. O ex-mestrando, Jorge Santos, defende essa política de acesso aberto, mas critica a falta de esforço do programa em divulgar de forma ativa esses produtos depois que são publicados. “Eu valido muito isso, mas é preciso divulgarmos os produtos, porque, muita das vezes, ficam perdidos, ali armazenados como um livro que fica na estante”, diz o pesquisador.

Jorge Santos em um dos grupos focais feitos durante a realização de sua pesquisa de mestrado. Foto: acervo pessoal

Em contrapartida, o professor Jónata argumenta que, além da iniciativa do PPGEPE, os pesquisadores, responsáveis pelos produtos, também devem buscar meios de divulgar seus próprios trabalhos. “Em primeiro momento é ir nos eventos e divulgar os próprios produtos, não só a dissertação. O segundo passo é escrever sobre esses produtos em artigo, um relato de experiência e mandar para revistas específicas que publicam artigos de produtos educacionais”, aconselha o professor.

Próximos passos

De acordo com o professor Jónata Moura, o PPGEPE está em processo de reorganização. Após a avaliação do último quadriênio, a coordenação definiu algumas metas para os próximos quatro anos: alcançar os critérios estabelecidos pela Capes para melhorar a nota do programa, dar maior visibilidade, participando de eventos nacionais e regionais, expandir o colóquio feito todo ano, estruturar as publicações no site e ampliar o quadro de professores para aumentar o número de vagas ofertadas para os estudantes.

O mestrado profissional exerce um papel importante na carreira docente e é um ponto de mudança na formação acadêmica deles. É através dele que eles têm a oportunidade de contribuir para a melhoria das condições de trabalho dos professores e preencher as lacunas existentes no espaço educacional do Brasil. O mestrado também é o lugar onde os profissionais em formação podem adquirir mais conhecimento, desenvolver-se profissionalmente e, em vários casos, retomar e fortalecer os laços com a educação.

Por: Iago Sousa

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