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Exposição fotográfica “Olhos que sentem”, produzida por graduanda com deficiência visual, amplia debate sobre inclusão e acessibilidade
O ensaio fotográfico foi desenvolvido por Juliana a partir da escuta, do tato e da percepção sensorial. Foto: Sebastião Rocha (CCIm)
Entre os dias 27 e 29 de maio, o Centro de Ciências de Imperatriz (CCIm) foi espaço de uma experiência inovadora de fotojornalismo que reforça a importância da inclusão no ambiente acadêmico. A acadêmica de Jornalismo Juliana Fernandes Silva apresentou a exposição fotográfica “Olhos que sentem”, desenvolvida como trabalho de conclusão de curso (TCC), propondo uma reflexão sobre acessibilidade, fotografia e deficiência visual.
O projeto é baseado no conceito de Fotografia Cega e tem por tema central a pergunta: é possível fotografar sem enxergar? Partindo dessa provocação, Juliana construiu o ensaio fotográfico fundamentado em outras formas de percepção, como a escuta, o tato, a memória e a relação com o espaço e com as pessoas fotografadas.
As imagens foram produzidas na Avenida Beira Rio, em Imperatriz, durante um trabalho de campo realizado em outubro de 2025. Para a realização dos registros, foram utilizadas técnicas adaptadas de acessibilidade, incluindo audiodescrição contínua do ambiente e métodos de estabilização da câmera. O resultado foi um conjunto de 17 fotografias que retratam cenas cotidianas, encontros e experiências vividas no espaço urbano. A exposição também contou com fotografias em braile e em 3D.
Segundo Juliana, um dos principais desafios do trabalho foi compreender como transformar a proposta em prática. "No começo, eu não tinha ideia de como fazer, quais técnicas eu teria que usar. As professoras orientadoras me ajudaram muito nesse processo. Eu achava que não ia conseguir, ainda mais por ser um trabalho muito visual", relata. Ao longo da pesquisa, a estudante buscou referências em experiências de fotógrafos com deficiência visual e desenvolveu estratégias próprias para a construção do ensaio.
A exposição contou com 17 fotografias, apresentadas, também, em braile e no formato 3D.
Após a defesa do trabalho, a sensação foi de dever cumprido. "É um sentimento de muita gratidão porque é uma missão cumprida. Eu estava muito ansiosa para esse momento", afirma. Para ela, o projeto ultrapassa a dimensão acadêmica e pode servir de inspiração para outras pessoas com deficiência visual, assim como ela, que desejem ingressar na Universidade. "A minha história vai estar aqui para ser contada para que outras pessoas possam se basear nela e perceber que também podem ocupar esses espaços", destaca.
A trajetória de Juliana também marcou a história do curso de Jornalismo da UFMA em Imperatriz. De acordo com a orientadora do trabalho, professora Michelly Carvalho, a presença da estudante impulsionou mudanças importantes relacionadas à acessibilidade e à inclusão dentro da graduação. "O curso aprendeu junto com a Juliana. Tivemos que nos readequar, buscar formação e compreender quais recursos poderiam tornar as disciplinas mais acessíveis. Ela abriu portas para que possamos receber outros estudantes com deficiência de forma mais preparada", explica a docente.
Entre os aprendizados citados pela professora, estão a adoção de práticas de audiodescrição em conteúdos institucionais, o conhecimento sobre tecnologias assistivas e o fortalecimento da discussão sobre acessibilidade no cotidiano acadêmico. "Juliana representou uma revolução no curso. Ela nos mostrou que é possível construir um ambiente mais inclusivo e que a acessibilidade precisa fazer parte da nossa prática diária", ressalta.
Por: Sebastião Rocha
Fotos: Sebastião Rocha
Revisão: Jáder Cavalcante