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Exposição “Em Tempos de Guarnicê” é aberta ao público no Palacete Gentil Braga

publicado: 26/06/2026 16h13, última modificação: 26/06/2026 16h20
Obras de catorze artistas maranhenses ficarão expostas gratuitamente até o dia 28 de agosto
Exposição “Em Tempos de Guarnicê” é aberta ao público no Palacete Gentil Braga

Abertura da exposição “Em Tempos de Guarnicê”. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

O Centro Histórico de São Luís acaba de ganhar mais uma opção de turismo cultural com a abertura da exposição “Em Tempos de Guarnicê”, realizada nessa quinta-feira, 25, no Palacete Gentil Braga. A iniciativa da Diretoria de Assuntos Culturais (DAC), vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), tem por objetivo celebrar a produção artística local e valorizar as expressões que compõem o imaginário coletivo maranhense.

A mostra reúne obras de catorze artistas inspiradas nas tradições juninas. O evento de lançamento contou com a presença de representantes da UFMA, dos artistas participantes e do público, que dialogaram sobre a importância das artes visuais na preservação da identidade cultural do estado.

Entre os expositores, está o artista João Ewerton, que apresentou a obra “A Mãe das Coreiras”. A pintura, produzida em acrílica sobre tela, retrata uma mulher negra adornada com uma “traca” na cabeça, elemento característico da indumentária feminina maranhense, em contraste com os turbantes tradicionalmente utilizados pelas mulheres baianas.

Obra "Mãe das Coreiras" e autor, João Ewerton. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Segundo o artista, a obra dialoga com registros históricos dos chamados tambores de etnia, encontros de negros que se reuniam nos trapiches de São Luís para manterem vivas as tradições culturais trazidas durante o período escravagista no Maranhão. “Eu fiz essa mulher, a Mãe das Coreiras, que é uma alegoria dessas mulheres, porque a gente tem o período escravagista do Maranhão, o pior do Brasil, o mais cruel de todos. E as mulheres tiveram uma importância muito grande na rebelião e na oposição a isso, a ponto até de usar o próprio aborto como uma forma de resistência”, explica.

Para Ewerton, a arte é um instrumento de sensibilização e conexão com o público. “Todo artista é exibicionista. O ator que está no palco, o escritor que publica um texto, então todos querem transmitir algo a alguém. A arte da gente não é feita para a gente, é feita para os outros”, afirma.

Outra expositora é a artista Dulce Serra Moreira. Formada em Artes Visuais pela UFMA, ela conta que sua obra, "Em camadas", também produzida em acrílico sobre tela, busca retratar a resistência do sertão nordestino.

“Pensei em cactos, em mandacaru, e fui pintando. Jogava camadas e mais camadas de tinta. Quando percebi, minha tela estava pronta. Percebi que as camadas remetiam ao sertão, à poeira, às cores terrosas que lembram a terra, o chão. E também às nossas próprias camadas como seres humanos. Ao longo da vida, vamos nos vestindo de camadas e mais camadas. E tem a ver com resistência também, porque o cacto, o mandacaru, é uma planta resistente”, explica.

Obra "Em camadas" e artista Dulce Serra. Foto: Agaminon Sales (DCOM)

Além de João e Dulce, participam da exposição os artistas Airton Marinho, Miguel Veiga, Paulo César, Edgar Rocha, Fábio Vidotti, Maria Clara Vidotti, Gabriel Martins, Isabel Costa, Vitória Maria, Ojuara, Ciro Falcão e Fernando Almeida.

Diversidade de obras

A exposição também reúne outras peças artísticas, como pinturas em cerâmica, esculturas em argila e metal e miniaturas de figuras típicas dos festejos juninos, confeccionadas em diferentes materiais. Mais do que uma exposição, a iniciativa convida os visitantes a uma verdadeira imersão na riqueza cultural do Maranhão.

A pró-reitora de Extensão e Cultura, Zefinha Bentivi, destacou o papel da Universidade Federal do Maranhão como instrumento de resgate, valorização e perpetuação da cultura maranhense.“A Universidade está muito atenta a acolher e valorizar o artista maranhense, sobretudo, nesse momento que é tempo de guarnicê. E nada melhor do que trazer artistas que cultivam as nossas raízes, que representam em quadros, esculturas e pinturas. O talento maranhense é diverso, é muito bom. E, nesse tempo, então, com a temática junina, fica simplesmente maravilhoso. A gente convida a população em geral para vir ao nosso Palacete Gentil Braga e sentir de perto, na Galeria Antônio Almeida, a força da nossa arte maranhense”.   

A exposição “Em Tempos de Guarnicê” permanece aberta ao público até o dia 28 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h, exceto nos feriados. As visitas ocorrem na Galeria Antônio Almeida, localizada no Palacete Gentil Braga, no Centro de São Luís.

A mostra reafirma o compromisso da Universidade Federal do Maranhão com a valorização da produção artística local e a preservação das tradições que compõem o patrimônio cultural do estado. Ao abrir suas portas para o público, o Palacete Gentil Braga transforma-se em um espaço de celebração e resistência da arte maranhense, convidando todos a vivenciar de perto a força e a beleza das manifestações culturais do Maranhão.

Acesse as fotos da abertura da exposição aqui. 

Por: Agaminon Sales

Fotos: Agaminon Sales

Revisão: Jáder Cavalcante

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