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Estudo da UFMA cria método mais rápido e barato para diagnosticar infecção que causa perda de dentes
Diagnóstico simplificado da periodontite é tema de pesquisa da UFMA. Foto: Divulgação
Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO), conduziram uma investigação detalhada que aponta um diagnóstico mais rápido e simples para descobrir se uma pessoa tem periodontite. A pesquisa aponta que o método pode reduzir tempo, custos e esforços em levantamentos sobre a saúde bucal, além de fortalecer o rastreamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), sem comprometer a confiabilidade do diagnóstico.
O estudo, chamado de “Acurácia de protocolos de registro clínico e radiográfico no diagnóstico da periodontite”, é derivado da tese de doutorado da egressa do PPGO, Halinna Buonocore, sob orientação da professora Soraia Carvalho, e mostra que exames clínicos focados em dentes específicos, chamados de "dentes-índice", são extremamente eficientes. A investigação avaliou 369 pessoas e comparou o diagnóstico padrão com os Protocolos de Registro Parcial (PRPs), que são exames que focam nos "dentes-índice". Os resultados indicaram que esses métodos parciais são extremamente eficientes, altamente precisos e fáceis de replicar.
O que é periodontite? A periodontite trata-se de uma infecção bacteriana grave que afeta os tecidos que dão suporte e fixam os dentes na boca, como a gengiva e os ossos. Geralmente, o problema começa com a falta de uma higiene bucal adequada, o que leva ao acúmulo de placa bacteriana e tártaro. Com o tempo, essa sujeira inflama a gengiva e começa a destruir o osso ao redor dos dentes. Se não for tratada a tempo por um dentista, a infecção faz com que os dentes fiquem moles e, em casos mais avançados, caiam. Além da perda dos dentes, a doença pode permitir que bactérias caiam na corrente sanguínea, impactando negativamente a saúde geral de todo o corpo.
Validação científica e o impacto no SUS
A orientadora do estudo, Soraia Carvalho, explica que a principal contribuição da pesquisa é dar uma base científica para o uso de exames mais simples, o que resolve um grande problema criado pelas regras internacionais de saúde de 2018. “A validação científica de que métodos simplificados de exame clínico são altamente precisos para diagnosticar a periodontite, mesmo sob as exigentes diretrizes da nova classificação periodontal, foi adotada a partir de 2018, após Consenso Internacional liderado pela American Academy of Periodontology e pela European Federation of Periodontology. A nova classificação demanda uma inspeção circunferencial minuciosa de seis sítios em todos os dentes da boca, o que gera um enorme gargalo operacional em triagens de rotina. Nosso estudo demonstrou que os Protocolos de Registro Parcial focados em dentes-índice conseguem uma acurácia superior a 80% e elimina falsos-positivos. Isso demonstra que é possível realizar o rastreio da doença de forma rápida e confiável”, explica ela.
Além da descoberta científica, os resultados mexem diretamente com o custo e a logística da saúde pública. Fazer o exame completo em mutirões ou no cotidiano corrido do SUS consome muito tempo. Soraia ressalta também o impacto direto dessa mudança: "Em levantamentos epidemiológicos de grande escala e no cotidiano dinâmico do SUS, o exame completo da boca toda consome muito tempo de cadeira, recursos públicos e gera cansaço ao paciente. No SUS, a adoção do protocolo de dentes-índice agiliza a triagem na atenção primária. Isso permite que as equipes de Saúde da Família identifiquem os pacientes com periodontite com maior rapidez, acelerando o encaminhamento para o tratamento precoce na rede de especialidades. Em pesquisas de grande escala, maximiza o número de pessoas examinadas no tempo disponível e reduz os custos operacionais da coleta de dados em campo”, finaliza.
Ao provar que o exame de dentes específicos é altamente confiável e não gera alarmes falsos, a pesquisa da UFMA entrega uma ferramenta valiosa para os gestores públicos e cientistas. A partir de agora, o rastro da periodontite pode ser feito em larga escala de maneira muito mais eficiente.
O estudo não apenas projeta o nome da Universidade no cenário científico, mas se transforma em um benefício real na ponta do atendimento: menos tempo na cadeira do dentista, economia de dinheiro público e mais sorrisos protegidos ao redor do país.
Por: Judson Nunes
Foto: Divulgação
Revisão: Jáder Cavalcante