Notícias

Estudantes de Geografia da UFMA exploram comunidades da Baixada Maranhense e do Pará em expedição acadêmica

publicado: 16/07/2026 09h20, última modificação: 16/07/2026 11h20
A atividade percorreu municípios do litoral e da Baixada Maranhense, avançou até o Pará e encerrou em Belém, promovendo reflexões sobre os impactos da COP30
Estudantes de Geografia da UFMA exploram comunidades da Baixada Maranhense e do Pará em excursão acadêmica

Estudantes e docentes da UFMA em expedição por comunidades amazônicas. Foto: LEPENG

Com o objetivo de proporcionar a vivência prática dos conceitos de regionalização e planejamento territorial, estudantes e docentes do Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino de Geografia (LEPENG), do curso de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), realizaram uma expedição acadêmica por municípios do litoral e da Baixada Maranhense, estendendo o percurso até o estado do Pará. Ao longo da viagem, o grupo conheceu de perto os territórios estudados em sala de aula e aprofundou a compreensão sobre as dinâmicas sociais, culturais e espaciais dessas regiões.

Entre os locais visitados, o Quilombo Itamatatiua, em Alcântara, no Maranhão, e a comunidade de Itamoari, no município de Cachoeira do Piriá, estado do Pará, territórios que preservam importantes patrimônios naturais e culturais ligados às identidades negra e indígena brasileiras.

Visita ao quilombo Itamoari, em Cachoeira do Piriá, Pará. Foto: LEPENG

Para o mestrando em Geografia Roberto Alves, a experiência ampliou a compreensão dos conteúdos estudados e fortaleceu sua formação acadêmica."Ao realizar atividade de campo, a gente evidencia aspectos que só encontrou durante a nossa formação na literatura. Então, ir a campo para conhecer a realidade que a gente estuda é satisfatório. Além da questão das redes de influência, nós encontramos outras culturas, outros saberes. Seja nas comunidades tradicionais, seja por meio dos professores, dos comerciantes, a gente tem acesso a uma riqueza de informações incrível, agregando conhecimento enquanto mestrando e pesquisador".

Intercâmbio cultural

Além dos quilombos e comunidades tradicionais, a expedição passou por municípios como Pinheiro, Centro Novo do Maranhão, Santa Helena e Maracaçumé. A viagem foi concluída em Belém, capital paraense, onde os estudantes realizaram estudos de campo no Complexo do Ver-o-Peso, analisando temas como patrimônio territorial, redes fluviais e saberes tradicionais da Amazônia.

A atividade contou com a parceria da pesquisadora Olga Freitas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), referência em estudos sobre os territórios amazônicos, e serviu como ponto de partida para reflexões sobre os impactos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em 2025 em Belém.

 Professora da UFPA, Olga Freitas, em atividade do projeto Geoturismo. Foto: LEPENG

Para o coordenador da expedição e professor da UFMA, Márcio Celeri, proporcionar aos estudantes maranhenses o contato com a realidade da capital paraense foi essencial para compreender os processos de organização geográfica da cidade. "O encontro proporcionou um rico diálogo sobre as mudanças que a capital paraense vem experimentando em função da conferência climática, abordando temas como reestruturação urbana, mobilidade, turismo, patrimônio e os desafios socioespaciais decorrentes desse processo. Os estudantes percorreram a cidade, exercitando a percepção geográfica construída ao longo do trabalho de campo e observando, na prática, as transformações discutidas".

A estudante do 7º período de Geografia Larissa Santos Ferreira destacou que a experiência contribuiu para sua formação como futura pesquisadora. "A importância desses trabalhos grandes de campo é conhecer a geografia para além da sala de aula, é conhecer a dinâmica de outro local, a cultura de outro local, a geomorfologia de outro local, a geologia de outro estado, porque a gente conhece muito sobre o Maranhão. As nossas viagens de campo pelo Maranhão eram completas, mas viajar para outro estado e conhecer todas essas questões físicas e sociais de outro estado é muito importante".

Ensino, extensão e reflexão

O coordenador do LEPENG, professor Ronaldo Sodré, ressaltou que os trabalhos de campo são fundamentais para a formação dos geógrafos ao permitir a análise crítica da produção do espaço amazônico contemporâneo e aproximam os estudantes da realidade dos territórios onde atuarão profissionalmente.

"O trabalho de campo é importante para a formação do geógrafo, pois permite que o acadêmico tenha a experiência de ver na prática o que aprende em sala de aula. Dessa forma, entendemos que o trabalho de campo é uma espécie de laboratório, uma extensão da sala de aula".

Mais do que percorrer regiões marcadas por diferentes dinâmicas sociais, culturais e ambientais, a expedição fortaleceu o estudo de temas como planejamento regional, patrimônio, dinâmicas territoriais e transformações socioambientais. Para o professor Márcio Celeri, a experiência permitiu que os estudantes transformassem conceitos teóricos em vivências concretas. "Percorrer esse caminho fez com que conceitos discutidos em sala de aula deixassem de ser apenas conteúdos teóricos para se tornarem experiências concretas. Conhecer o próprio território é uma das bases da formação do geógrafo, pois amplia sua capacidade de interpretar a realidade, valorizar a diversidade regional e atuar de forma ética e comprometida com o desenvolvimento do Maranhão e da Amazônia".

Ao promover atividades como essa, a Universidade Federal do Maranhão reafirma seu compromisso com uma formação acadêmica conectada à realidade dos territórios. A iniciativa fortalece a formação crítica dos estudantes e amplia sua capacidade de compreender os desafios e as potencialidades do Maranhão e da Amazônia, preparando profissionais qualificados para atuar nos diferentes segmentos da Geografia.  

Por: Agaminon Sales

Fotos: LEPENG

registrado em: