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Estudantes da UFMA vencem etapa regional da Olimpíada Brasileira de Satélites
Vencedores vão representar o Maranhão na etapa nacional da Obsat. Foto: Agaminon Sales (DCOM)
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) conquistou destaque na etapa regional Nordeste da Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT). A equipe Stellaris, formada por estudantes do Laboratório de Análise de Dados e Inteligência Artificial (DARTiLab) da UFMA, venceu a competição na categoria N3 (ensino superior) com o projeto Green Orbit, desenvolvido para monitorar a qualidade do ar na região da Baía de São Marcos, região com alto tráfego de embarcações. A etapa regional foi realizada entre os dias 8 e 9 de julho, no Câmpus São Luís.
O integrante da equipe e estudante de Engenharia Elétrica da UFMA, Ediney Tavares, explica que o satélite foi projetado para identificar gases poluentes e contribuir para o monitoramento ambiental. "O nosso satélite tem o objetivo de captar esses gases para prevenir que cheguem a ser chuvas ácidas, porque a acumulação de gases ruins faz com que essa incidência de chuvas, tanto em terras litorâneas quanto as mais afastadas, acabem afetando cidades, comunidades e a própria agricultura", relata.
Exemplar de satélite desenvolvido por estudantes da UFMA. Foto: Agaminon Sales (DCOM)
Além da equipe da UFMA, a etapa regional premiou a equipe Déda, do Centro Educamais Professor Aquiles Batista Vieira, de Alcântara, vencedora na categoria N2 (ensino médio). O grupo recebe apoio do projeto Cientistas de Alcântara, desenvolvido pela UFMA, que contribui para a formação científica de estudantes da educação básica.
A estudante Andressa Ramos destacou que o projeto busca conscientizar a população sobre os impactos ambientais das queimadas."O nosso projeto visa descobrir o quanto de gases poluentes existem no território de Alcântara e mostrar para a população o quanto realizar queimadas pode prejudicar a nossa saúde. No futuro, esperamos que a população obtenha mais qualidade de vida. Para nós, é uma vitória importante porque conseguimos passar a mensagem do nosso projeto".
Para a professora da equipe Déda, Giulia Souza, participar da olimpíada amplia as perspectivas dos estudantes e aproxima os jovens das carreiras científicas e tecnológicas. "Eles estão tendo acesso a tecnologias que a gente não tem na escola, então ver isso na prática, botar a mão na massa, aproxima muito eles das possibilidades que eles têm pós-ensino médio. São alunos representantes de uma escola que tem muitos desafios, mas a gente tem pessoas ali dentro que querem muito fazer acontecer, que querem muito que os alunos se desenvolvam e se tornem cidadãos cada vez melhores", destacou.
A vencedora da categoria N1 (fundamental II) foi a equipe IDBSAT, do instituto Dom Barreto, de Teresina (PI), compondo o grupo que representará o Nordeste na próxima etapa.

Próximo desafio: etapa nacional
As equipes vencedoras chegaram à etapa regional após superar três fases da competição, que envolveram treinamento em tecnologia aeroespacial, planejamento da missão, desenvolvimento do projeto e construção do protótipo do satélite.
Com a conquista regional, as equipes garantiram vaga na etapa nacional da OBSAT, marcada para novembro, em Natal (RN). Os dez melhores projetos do país terão seus satélites lançados no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), durante a programação da Space Week, que ocorrerá de 9 a 15 de novembro.
Para Isabel Araújo, integrante da organização regional da olimpíada, iniciativas como a OBSAT contribuem para consolidar a cultura aeroespacial no Maranhão. "A importância desse evento no Maranhão é trazer essa chamativa e mostrar que as equipes daqui também podem participar de projetos que existem muito mais na região Sul, e em cidades como São Paulo e no Rio de Janeiro, principalmente. Aqui no Maranhão está começando a se criar essa cultura aeroespacial, tanto na área de foguetes quanto de satélites e para nós é muito gratificante".
O organizador nacional da Olimpíada Brasileira de Satélites, Wesley Gueta, destacou que a competição vai além do desenvolvimento tecnológico e fortalece a confiança dos estudantes em sua capacidade de inovar. "O objetivo é aumentar entre os alunos esse senso de significância, esse senso de eficácia. Mostrar que eles têm capacidade de desenvolver um projeto complexo, que é justamente construir um satélite em sala de aula. É mostrar para eles que, independentemente da realidade que ele vive, da questão social, das dificuldades, ele vai conseguir, dentro dos limites dele, desenvolver um projeto. A gente quer mostrar para os estudantes que eles conseguem fazer coisas difíceis e complexas também".
Olimpíada Brasileira de Satélites
A Olimpíada Brasileira de Satélites (OBSAT) é uma competição científica de abrangência nacional idealizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), organizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). A iniciativa busca popularizar a ciência e a tecnologia aeroespacial, estimulando estudantes de todo o país a desenvolver soluções práticas e despertando o interesse por carreiras ligadas ao setor.
Ao promover a etapa regional e apoiar equipes de diferentes níveis de ensino, a UFMA fortalece seu papel como pólo de ciência, da inovação e da formação de novos talentos, contribuindo para a formação da cultura aeroespacial no Maranhão e para o desenvolvimento científico da região Nordeste.
Por: Agaminon Sales
Fotos: Agaminon Sales