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Entre a primeira matrícula e o diploma, uma vida inteira aconteceu: UFMA celebra 417 novos profissionais

publicado: 11/08/2026 11h52, última modificação: 11/08/2026 13h35
Cerimônia marca o encerramento de trajetórias atravessadas por desafios, descobertas, conquistas e sonhos
Entre a primeira matrícula e o diploma, uma vida inteira aconteceu: UFMA celebra 417 novos profissionais

Primeiro dia de colação de grau, em São Luís, reuniu formandos dos Centros de Ciências Humanas e Ciências Exatas e Tecnologia. Foto: Agaminon Sales (Dcom).

Entre a primeira matrícula e o diploma, cabe uma vida inteira. Cabem noites de estudo, amizades construídas, projetos, pesquisas, dúvidas, descobertas e, para muitos estudantes, a superação de obstáculos que pareciam grandes demais no início da caminhada. São essas histórias de transformação que marcaram a primeira noite de colação de grau da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís, que reuniu 417 formandos dos Centros de Ciências Humanas e Ciências Exatas e Tecnologia.

Mais do que celebrar a conclusão de diferentes cursos de graduação, a solenidade marcou a chegada de uma nova etapa para estudantes que passaram anos dentro da Universidade e que, a partir daquele momento, deixaram a condição de graduandos para se tornarem egressos da instituição. Para quem recebe o diploma, a formatura representa um ponto de chegada. Mas também é a passagem para um novo começo.

Foi assim para Marina Micenas, formada em Engenharia Civil. A relação dela com a UFMA começou ainda antes da graduação, cursando o ensino médio no Colégio Universitário (Colun). Depois, passou pelo Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BICT), primeiro ciclo da formação na área de Engenharia, até chegar à graduação em Engenharia Civil. Ao recordar a trajetória, Marina define o sentimento do dia como uma combinação de alívio e gratidão.

“É mais um sentimento de alívio e gratidão”, afirmou.

Durante os anos de universidade, a estudante participou de projetos de extensão e pesquisa. Experiências que fizeram com que a formação ultrapassasse os limites da sala de aula. Marina acredita que a universidade ensina não apenas uma profissão, mas também a estudar, pesquisar, trabalhar em equipe, estabelecer relações e manter a curiosidade diante do mundo.

“Eu acho que a universidade tem esse poder de fazer a pessoa, todo mundo que passa, aprender a estudar, aprender a trabalhar também, a ter relações, a pesquisar, a ser curioso, então acho que a universidade, no geral, me ajudou para, além de melhorar a minha capacidade profissional, como estudante e como pessoa, então me levou para além”, destacou.

Agora, o primeiro passo será buscar espaço no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, ela já considera continuar a formação acadêmica, tendo pesquisado possibilidades de pós-graduação e mestrado.

Marina Micenas concluiu o curso de Engenharia Civil depois de uma longa trajetória na UFMA. Foto: Agaminon Sales (Dcom).

Uma mãe, três filhas e a educação como projeto de vida

A conquista de Marina também é uma vitória compartilhada com a mãe, Lívia Collins. Criando três filhas sozinha, ela acompanhou de perto os desafios enfrentados pela filha durante a graduação. “Hoje, vendo ela realizar, concretizar mais uma etapa, para mim, é muito satisfatório, porque foi muita luta, foi muita dedicação, foi muita disciplina”, contou.

Lívia lembra-se das noites em que acordava e encontrava Marina estudando. Também recorda os momentos em que a filha pensou em desistir, inclusive antes mesmo de iniciar a graduação, depois de um período difícil no ensino médio. A pandemia de covid-19 foi outro obstáculo no caminho. Marina precisou interromper os estudos durante seis meses. Ainda assim, retomou a trajetória e seguiu até a conclusão.

A história da família também dá à formatura um significado que ultrapassa o diploma. A mãe de Lívia não conseguiu concluir uma formação universitária porque precisou se dedicar à criação dos filhos muito cedo. Agora, na geração seguinte, as três filhas chegaram à universidade e conquistaram a formação superior. Sempre incentivadas por Lívia.

“Eu as incentivei desde pequena. Vocês vão estudar e vão passar numa universidade pública. Eu não tenho condição de pagar a universidade”, recordou Lívia.

A experiência confirma uma convicção construída ao longo da vida: o estudo pode transformar histórias e abrir caminhos para as próximas gerações.

A conquista não acontece sozinha

Ao falar sobre os momentos mais difíceis da graduação, Marina destaca a importância dos professores. A proximidade com os docentes, tanto no BICT quanto na etapa final da Engenharia Civil, foi fundamental para que ela encontrasse forças para continuar.

Entre os professores que marcaram sua trajetória, ela cita Felipe Bassan, que também foi seu orientador, e José Marão, do BICT. “Acho que o que mais me deu força nos momentos que eu estava mais para baixo seriam os professores”, afirmou.

A fala traduz uma dimensão frequentemente invisível da formação universitária: a rede de pessoas que acompanha o estudante durante os anos de graduação. Professores, técnicos, servidores e trabalhadores que fazem a universidade funcionar também passam a fazer parte da história de cada formando.

A paraninfa oficial da cerimônia, professora doutora Carliane Diniz e Silva, do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, também lembrou que a conquista dos estudantes foi construída coletivamente. Em seu discurso, destacou os contratempos enfrentados ao longo da trajetória acadêmica e a capacidade dos formandos de superar as dificuldades até alcançar o momento da colação de grau.

A professora também chamou atenção para as pessoas que, muitas vezes longe dos holofotes, participam diariamente da construção da experiência universitária. Familiares, amigos, colegas e professores foram lembrados como parte dessa caminhada, assim como os profissionais responsáveis pelos serviços gerais, pela organização e limpeza das salas e laboratórios e trabalhadores de diferentes setores da Universidade.

“Um sonho buscado junto com seus familiares, amigos, colegas, nós, professores, que fizemos parte dessa história, mas não só nós, os agentes dos serviços gerais, que sempre deixavam as salas organizadas, laboratórios limpos. Passando pelo setor do administrativo, chegando a instâncias superiores, todos cumpriram o papel nesse processo”, ressaltou.

A ideia de que nenhum diploma é construído individualmente também apareceu no discurso da oradora da solenidade, Verônica Maria França Mateus, do curso de Letras Português-Libras, representando os formandos. Em seu discurso, Verônica destacou que, apesar de cada estudante ter percorrido um caminho diferente, todos compartilhavam naquele momento a mesma conquista.

“É uma honra estar aqui, representando todos os cursos desta noite tão especial. Embora cada um de nós tenha seguido um caminho diferente, hoje compartilhamos a mesma conquista e a mesma emoção”, declarou.

Verônica lembrou que a formatura representa mais do que a conclusão de um curso. É a celebração de anos de dedicação, renúncias, desafios e sonhos e ressaltou que parte dos estudantes iniciou ou vivenciou uma parcela significativa da graduação durante a pandemia, período que impôs mudanças e dificuldades à vida acadêmica. Para a oradora, a trajetória dos formandos demonstra que é possível atravessar períodos de incerteza e continuar acreditando nos próprios objetivos.

“Somos a prova de que a esperança pode vencer o medo, de que a perseverança supera as dificuldades”, afirmou.

Ao concluir sua fala, Verônica ressaltou o significado que a UFMA passa a ocupar na memória dos novos profissionais: “Que a Universidade Federal do Maranhão permaneça para sempre em nossa memória, como lugar onde aprendemos que sonhar vale a pena, que desistir nunca é a melhor escolha e que o conhecimento tem o poder de transformar vidas”.

Colação de Grau CCH e CCET 10-08-2026

Registros da Colação de Grau dos Centros de Ciências Humanas e Ciências Exatas e Tecnologia. Foto: Agaminon Sales (Dcom).

 “A Universidade está fazendo o seu papel”, destaca reitor

Durante a cerimônia, o reitor da UFMA, Fernando Carvalho e Silva, destacou a responsabilidade da Universidade na formação de profissionais qualificados e na contribuição para a sociedade maranhense.

“Estamos mais uma vez entregando profissionais altamente qualificados para a sociedade. Aqui são quase quinhentos profissionais que estão colando grau hoje, e, com isso, a Universidade está fazendo o seu papel, que é o ensino, assim também como a pesquisa, a extensão e a inovação. A nossa Universidade tem se destacado nesse novo momento se modernizando, buscando outras opções em termos de modernização para a instituição, e eu tenho certeza de que, cada vez mais, com os investimentos que nós estamos fazendo, nós teremos aí mais alunos sendo formados com alta qualificação para que sejam entregues à sociedade do nosso Estado do Maranhão”, afirmou.

Uma celebração que reconhece quem chegou até aqui

A cerimônia também foi marcada pelo reconhecimento ao desempenho acadêmico. A UFMA concedeu o Prêmio de Mérito Acadêmico aos graduandos que demonstraram destacado desempenho ao longo da formação.

A honraria é concedida de acordo com a Resolução nº 3.391-CONSEPE, de 9 de abril de 2024, e reconhece estudantes que alcançaram bons coeficientes de rendimento e desempenho acadêmico, conforme os requisitos estabelecidos pela instituição.

Nesta cerimônia, receberam o prêmio estudantes dos cursos de Ciência da Computação; Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia; Ciências Sociais; Design; Engenharia Ambiental e Sanitária; Engenharia Civil; Engenharia da Computação; Engenharia Elétrica; Filosofia; Física - Bacharelado; Física – Licenciatura; Geografia – Bacharelado; Geografia – Licenciatura; História – Licenciatura; Psicologia e Teatro.

Estudantes recebem Prêmio de Mérito Acadêmico. Foto: Agaminon Sales (Dcom).

Entre os homenageados, estava Joel Lima de Sousa e Sousa, do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, que foi surpreendido com a honraria. Segundo o estudante, o resultado é fruto de uma trajetória marcada por esforço e dedicação.

“Muito esforço, muita dedicação. Eu não esperava. Consegui, graças a Deus, ter boas notas, terminar o curso sem reprovações, mesmo que o curso seja marcado por isso”, contou.

Mais do que o reconhecimento individual, Joel considera a conquista uma forma de representar o próprio curso e compartilhar o orgulho com a família. “Hoje estou muito feliz. Posso ter esse orgulho para a minha família e agradecer a Deus essa conquista e representar o meu curso”, afirmou.

Cada formando chegou à Universidade em um momento diferente da vida e percorreu um caminho particular. Alguns enfrentaram dificuldades financeiras, outros precisaram conciliar estudos e outras responsabilidades. Houve quem pensasse em desistir, quem precisasse interromper a graduação e quem atravessasse a pandemia sem saber exatamente quando poderia voltar à rotina acadêmica. No entanto todos chegaram ao mesmo lugar: ao momento de receber o diploma.

Para a Universidade, os 417 formandos representam novos profissionais que agora levam para a sociedade o conhecimento construído durante anos de formação. Para Marina, a sensação é de gratidão. Para sua mãe, é também a confirmação de um projeto familiar baseado na educação. Para Joel, o reconhecimento acadêmico simboliza esforço e orgulho. Para Verônica, a formatura representa a força de uma turma que atravessou desafios coletivos. Para a professora Carliane, é a celebração de uma conquista construída por muitas mãos.

Para cada coração que bateu na noite de 10 de agosto de 2026, no Centro de Convenções da UFMA, entre a primeira matrícula e o diploma, não aconteceu apenas uma graduação. Aconteceu uma vida inteira.

Por: Ingrid Trindade

Fotos: Agaminon Sales

Revisão: Jáder Cavalcante

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