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Em Pinheiro, ação extensionista da UFMA leva saúde, empreendedorismo e troca de saberes a comunidade quilombola
O professor Franklin Duarte Cueva, da PUCP, com membros dos projetos e representantes da comunidade. Foto: acervo do projeto
Realizada em agosto, uma ação dos projetos de extensão da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) “Saúde na Porta Quilombola” e “Educação em Saúde para a melhoria da qualidade de vida”, do Câmpus Pinheiro, levou atendimento em saúde, educação, empreendedorismo e novas perspectivas de desenvolvimento às 25 famílias da comunidade quilombola Sudário II, em Pinheiro (MA).
Sob a orientação dos docentes Sueli de Souza Costa e José Braz Costa Castro Júnior, a iniciativa contou com a parceria da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e a participação de discentes do curso de Medicina da UFMA Pinheiro e da equipe da Unidade de Saúde da Família (USF) local, além da participação do professor Franklin Duarte Cueva, da Pontificia Universidad Católica del Peru (PUCP), que possui vasta experiência com o desenvolvimento de comunidades vulneráveis. Essa é a primeira vez que uma ação de extensão conta uma parceria internacional.
A comunidade está localizada em uma região de difícil acesso, e os moradores convivem com limitações relacionadas ao acesso à internet, à educação, à saúde e a outros serviços públicos essenciais. Para a orientadora da atividade, Sueli de Souza Costa, a extensão realizada no território representa uma oportunidade de aprendizado compartilhado entre Universidade e comunidade.
“Ações que se realizam em comunidades representam uma dupla mão de troca de saberes, onde todos (discentes, docentes, comunidade, equipe de saúde e convidados) aprendem, compreendem, e acrescentam conhecimento mútuo. A presença de um professor convidado internacional consolida o conhecimento, ampliando as fronteiras do saber”, pontuou a docente.

O médico Luan Monteiro Lima, da Unidade de Saúde da Família local, em atendimento. Foto: acervo do projeto
Durante a ação, foram realizadas palestras educativas sobre hipertensão arterial, diabetes mellitus, saúde mental e empreendedorismo comunitário. Na sequência, os participantes tiveram acesso a atendimentos clínicos e de enfermagem, incluindo triagem, consultas básicas e vacinação de rotina para o público infantil. A equipe de saúde também realizou aferição de pressão arterial, medição de glicemia, orientações e encaminhamentos para exames, laboratórios e hospitais, quando necessário.
As ações extensionistas são oportunidades para os estudantes colocarem em prática conhecimentos adquiridos durante a formação e, ao mesmo tempo, compreender, de maneira mais aprofundada, a realidade vivenciada pelas comunidades.
Segundo Sueli, para os discentes de Medicina da UFMA Pinheiro, a experiência possibilitou “a troca de saberes, a experiência com a realidade do território, o trabalho em equipe multiprofissional, o aperfeiçoamento das habilidades de comunicação com os pacientes e o desenvolvimento de maior sensibilidade e empatia no atendimento. A vivência também contribuiu para ampliar a compreensão dos estudantes sobre o funcionamento e a importância da atenção básica em saúde”.
O contato direto com os moradores, inclusive durante o almoço compartilhado com a comunidade, proporcionou aos acadêmicos uma experiência de imersão nos costumes, na cultura e nas condições socioeconômicas locais.
Empreendedorismo como possibilidade de transformação
De acordo com Sueli, “foi colocada também uma ‘sementinha’ do empreendedorismo, no intuito de melhorar a qualidade de vida da comunidade bem como a saúde mental de todos os envolvidos”.
Além dos atendimentos em saúde, a programação abriu espaço para discutir possibilidades de geração de trabalho e renda a partir dos próprios potenciais da comunidade. O professor Franklin Duarte Cueva debateu iniciativas como turismo rural, gastronomia regional, valorização do artesanato e de outros produtos locais, sempre respeitando a identidade cultural da comunidade e buscando alternativas sustentáveis de geração de renda e melhoria da qualidade de vida.
Para Roseane, da comunidade quilombola Sudário II, a ação “mostrou a importância de acreditar, inovar, transformar e de sonhar e fazer a diferença aqui no quilombo. Foi um momento de aprendizado e inspiração que vai marcar a todos nós. Vimos, como alunos, na prática, a importância de agir”. Para Lidiane, também da comunidade, “a ação solidária que foi realizada neste quilombo foi de grande importância para todos; foi muito gratificante a presença dos universitários, com doações de cestas básicas e materiais escolares, a equipe de saúde em consultas e vacinas, e também a presença do professor Franklin e sua equipe, com uma apresentação extraordinária sobre empreendedorismo, plantando uma sementinha em cada um de nós; foi um momento único e maravilhoso para todos”.

A comunidade teve acesso a diversas palestras. Foto: acervo do projeto
Para o professor Franklin, “ações como esta devem ocorrer continuamente, a fim de que as comunidades se desenvolvam”. Como experiência de vida na localidade, desenvolver esta ação representou “um espaço de reflexão que engloba a troca de saberes e permite vincular os conhecimentos acadêmicos e os da comunidade para o desenvolvimento mútuo”. Diz que se sentiu “enriquecido de ter tido a experiência em um ambiente singular, o qual nunca imaginou que houvesse, e que ficará marcado em sua memória”.
O docente da Pontificia Universidad Católica del Peru continuará acompanhando os interessados em transformar ideias em projetos concretos, oferecendo suporte para a criação de um selo de identificação dos produtos produzidos na comunidade quilombola local, a regularização da comercialização desses produtos e o incentivo à criação de pequenos empreendimentos.
Extensão que aproxima a UFMA da sociedade
A iniciativa reforçou o papel da extensão universitária como instrumento de transformação social ao aproximar Universidade, comunidade e parceiros internacionais.
Enquanto, para a comunidade, a ação representou acesso a serviços, informações e novas possibilidades construídas a partir de seus próprios saberes, necessidades e potencialidades, para os estudantes, representou uma experiência formativa que ultrapassa os limites da sala de aula. O contato com a comunidade permitiu colocar conhecimentos em prática, exercitar a comunicação e o trabalho multiprofissional e compreender que o cuidado em saúde também envolve escuta, vínculo, empatia, conhecimento do território e atenção às condições sociais que influenciam a qualidade de vida, contribuindo para uma formação médica mais humana, sensível e conectada às diferentes realidades da sociedade.
Ao final das atividades, discentes e docentes realizaram uma avaliação conjunta da experiência e discutiram estratégias para ampliar o caráter transversal e horizontal do projeto. A proposta é fortalecer a atuação da UFMA junto às populações tradicionais e historicamente vulnerabilizadas, articulando formação acadêmica, assistência, pesquisa, extensão e transformação social.
Aproximando discentes, docentes, profissionais de saúde, comunidade e parceiros internacionais, a iniciativa reafirma a extensão universitária também como espaço de troca de saberes e construção coletiva.
Por: Ingrid Trindade
Fotos: acervo do projeto
Revisão: Jáder Cavalcante