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Afrofuturismo no Maranhão: entre o ontem e o amanhã
O afrofuturismo é um movimento artístico, cultural e político que se propõe a imaginar futuros a partir das experiências, estéticas e saberes das populações negras. Mais do que uma estética sci-fi com referências africanas, o afrofuturismo é uma forma de reinscrever os corpos negros nas narrativas do futuro, rompendo com a exclusão histórica imposta por séculos de colonialismo e racismo.
No Maranhão, esse movimento encontra terreno fértil. O estado, marcado por uma rica herança afro-brasileira, tem sido palco de iniciativas que resgatam tradições ancestrais ao mesmo tempo em que projetam novas possibilidades de existência e criação para o povo negro. O vídeo produzido pela JTV UFMA mergulha nesse universo e mostra como o afrofuturismo maranhense é, na verdade, um elo entre o passado e o futuro.
Entre os exemplos destacados está o Museu Afro-Digital do Maranhão, criado para preservar e divulgar práticas culturais de matriz africana por meio de uma plataforma digital. O museu reúne registros audiovisuais, documentos e objetos relacionados a terreiros tradicionais, festas populares e outras expressões da cultura afro-maranhense. Ao utilizar a tecnologia para dar visibilidade a esses saberes, o projeto materializa a proposta do afrofuturismo: conectar ancestralidade e inovação.
As manifestações populares do Maranhão também dialogam com esse conceito. O Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula e outras expressões culturais negras não apenas resistem ao tempo, mas se reinventam continuamente. São formas de arte e espiritualidade que carregam memórias, fortalecem identidades e abrem caminhos para futuros mais diversos e inclusivos.
O vídeo ainda destaca a potência das comunidades quilombolas da Baixada Maranhense, que fazem da oralidade, da música e da arte instrumentos de resistência e de construção de mundo. Nessas comunidades, o afrofuturismo não é apenas uma ideia abstrata, mas uma prática cotidiana que afirma a vida, a cultura e o direito de sonhar com um amanhã em que os povos negros sejam protagonistas.
Ao olhar para o afrofuturismo no Maranhão, percebemos que o futuro já está sendo construído agora — e ele carrega o som dos tambores, a força dos rituais e a criatividade de um povo que nunca deixou de imaginar, resistir e criar.