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Sítio Piranhenga: patrimônio secular no Maranhão preserva memória da arquitetura colonial

Com cerca de 34 hectares e construções erguidas há mais de dois séculos, o espaço histórico convida à reflexão sobre a memória e as relações sociais do período colonial.

 

 

 

 

Às margens do Rio Bacanga, em uma área de mata preservada, o Sítio Piranhenga mantém viva a história da formação do estado do Maranhão. Com cerca de 34 hectares e construções erguidas há mais de dois séculos, o espaço histórico convida à reflexão sobre a memória e as relações sociais do período colonial.

História de exploração e contraste social

Construída no século XVIII, a propriedade pertenceu a um grande proprietário escravocrata e traficante de pessoas escravizadas. A própria distribuição geográfica do terreno reflete a divisão de classes e a violência da época: na parte mais baixa, encontra-se a antiga senzala — um espaço pequeno, com apenas uma porta e sem ventilação, onde centenas de escravizados viviam abrigados em condições desumanas.

Uma escadaria de pedras construída por mãos negras conecta a senzala à parte alta da propriedade . No topo, ergue-se a Casa Grande, que ainda preserva características arquitetônicas originais da época colonial, ao lado de uma capela ornamentada com azulejos em relevo e pia batismal, testemunhos da forte presença da religiosidade católica nas propriedades rurais do Brasil Colônia.

Entre os relatos transmitidos ao longo das gerações na propriedade, destaca-se a história de um dos filhos do fazendeiro que, ao se apaixonar por uma mulher escravizada após a abolição da escravatura, acabou sendo deserdado pelo pai.

Desafios para a preservação

Apesar da relevância histórica e do encanto arquitetônico que atrai os visitantes, os responsáveis pelo sítio enfrentam escassez de recursos financeiros para a manutenção do patrimônio, que não conta com verbas fixas do Estado ou do Município.

Mais do que um conjunto de edificações centenárias, o Sítio Piranhenga permanece como um espaço de conhecimento e reflexão sobre as origens da sociedade maranhense, reforçando a urgência da preservação da memória para a compreensão do presente.

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