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ENTREVISTA: Professor e coordenador do Projeto Budiões no Maranhão, Jorge Nunes, fala sobre as espécies do peixe e sobre a importância de sua conservação

publicado: 09/03/2021 11h31, última modificação: 10/03/2021 18h20

O Projeto Budiões é uma iniciativa de pesquisa e extensão, por meio de ações socioambientais, criada com a colaboração de grupos de pesquisa de sete universidades públicas brasileiras, incluindo a Universidade Federal do Maranhão, que realizam estudos em prol do entendimento e da conservação dos ambientes recifais e dos organismos que habitam esses ecossistemas.

Para falar sobre as atividades do projeto e da espécie de peixe Budiões, confira a entrevista que foi concedida à Diretoria de Comunicação (DCom) da Superintendência de Comunicação e Eventos (SCE) da UFMA por Jorge Luiz Silva Nunes, coordenador do projeto no Maranhão, vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação (PPGBC), docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PPGSA) e professor permanente da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal.

DCom: O que são os peixes budiões?

Jorge Nunes - Os budiões são espécies chave para os ambientes recifais, pois desenvolvem funções únicas como bioengenheiros dos recifes, controlando o crescimento e a proliferação de algas e reciclando nutrientes. Pela sua função na manutenção do frágil equilíbrio dos ambientes recifais e pelo crescente decréscimo de suas populações, esses peixes se tornaram o foco do Projeto Budiões.

DCom – Como surgiu o projeto?

JN - Com base em uma série de artigos e trabalhos acadêmicos realizados por pesquisadores de sete universidades públicas, observou-se a necessidade de aprofundamento de ações voltadas para um grupo de peixes singulares e coloridos, os budiões, também conhecidos como peixes-papagaio.

Em 2019, deu-se início ao Projeto Budiões, que passou por um período inicial com foco em ações digitais, devido à pandemia da covid-19 e à recomendação para isolamento social, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Aos poucos, foram iniciadas suas atividades presenciais, pelas saídas a campo com o objetivo de coletar dados e adquirir conhecimentos científicos que auxiliem na conservação dos ambientes recifais e dos budiões. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, novas perspectivas e ações para a conservação, educação ambiental e pesquisa científica são realizadas nas sete áreas de atuação do projeto, nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte.

DCom – Quais são os objetivos do projeto?

JN - Os principais compromissos do projeto são integrar pessoas, realizar pesquisas e monitoramentos e propor e implantar políticas públicas para que a conservação dos budiões e dos ambientes recifais aconteça de fato. Além de objetivos específicos, como produzir conhecimentos científicos sobre a biologia e ecologia destes peixes;  monitorar a atividade pesqueira voltada aos budiões; sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre a importância dos budiões para os habitats coralíneos, por meio da formação de professores-multiplicadores e da formação de agentes de turismo locais como multiplicadores ambientais;  incentivar o desenvolvimento junto às comunidades envolvidas por imtermédio de atividades como o turismo subaquático, promovendo a capacitação para o turismo de base comunitária e, por fim, subsidiar políticas públicas.

 

Conheça as ações desenvolvidas pelo Projeto Budiões:

 

 Pesquisa Científica

Avaliação da estrutura populacional das espécies de budiões, por meio de censos visuais subaquáticos nos sete estados; avaliação da estrutura e conectividade genética das populações ao longo da costa; entender os padrões de ecologia trófica das espécies; avaliar os padrões de movimentação e área de vida e a ocorrência e distribuição em ambientes profundos.

Monitoramento pesqueiro

 Focado primariamente no banco dos Abrolhos, onde, há alguns anos, se registram os maiores desembarques e um esforço pesqueiro específico para essas espécies. Busca-se estabelecer um monitoramento pesqueiro participativo, em que os próprios comunitários serão monitores e coletores de dados dos desembarques. Além disso, pesquisas sobre o conhecimento ecológico local serão realizadas nas comunidades envolvidas nesta ação para promover o entendimento histórico da pesca dos budiões.

Educação Ambiental

Ações específicas desenvolvidas com base em um plano de educação ambiental construído para o projeto e direcionadas a dois segmentos: professores da educação básica e agentes de turismo, que serão treinados para atuarem como multiplicadores ambientais.

Divulgação Científica

Com ações de sensibilização e educomunicação, buscamos abordar todos os atores sociais envolvidos na proposta do Projeto Budiões, e o público em geral, por meio de redes sociais, participação em eventos, palestras, realização de oficinas e workshops temáticos, trazendo temas atuais sobre conservação e impactos dos mares e oceanos e das principais descobertas e ações do projeto. 

Incentivo e capacitação para o turismo de base comunitária

 Buscando levar oportunidades econômicas às comunidades tradicionais que dependem da pesca dos budiões como sustento, de forma a minimizar o impacto da extração garantindo a renda e sustentabilidade para essas famílias.

 

 

Conheça as espécies pesquisadas pelo Projeto Budiões 

Segundo Jorge Luiz, coordenador do projeto no estado, os budiões são peixes pertencentes à Tribo Scarini, da Família Labridae. Essa família é composta por aproximadamente 100 espécies, distribuídas em 10 gêneros. No Brasil, 10 espécies têm ocorrência registrada, das quais o projeto foca em cinco delas. 

Nome popular: Budião-azul, bico-verde

Nome científico: Scarus trispinosus

Status de conservação: em perigo (EN)

Tamanho: até 90cm

Espécie endêmica da costa brasileira, essa é a maior espécie de budião encontrada no Brasil. Ocorre em toda a costa, desde o Maranhão até Santa Catarina, ainda que seja muito raro ao sul do Rio de Janeiro. Frequentemente avistado em grandes cardumes mistos, juntos com peixes cirurgiões e outros budiões. Nos últimos anos, teve sua população severamente reduzida, principalmente devido à pesca. É muito apreciado na culinária por apresentar a carne branca, macia e suave.

 

 

Nome popular: Budião-bandeira

Nome científico: Sparisoma amplum

Status de conservação: vulnerável (VU)

Tamanho: até 60cm

Espécie endêmica da costa brasileira. Ocorre em zonas rasas até os 40m de profundidade. Encontrado tanto na costa quanto nas Ilhas Oceânicas. É a espécie avistada com menor frequência por viver em pequenos grupos e preferir zonas recifais mais profundas.

 

 

Nome popular: budião-banana, budião-palhaço

Nome científico: Scarus zelindae

Status de conservação: vulnerável (VU)

Tamanho: até 45cm

Espécie endêmica da costa brasileira. Ocorre em zonas rasas até os 40m de profundidade. Encontrado tanto na costa quanto nas Ilhas Oceânicas. É a espécie menos frequentemente avistada por viver em pequenos grupos e preferir zonas recifais mais profundas.

 

 

Nome popular: budião-ferrugem, budião-cinza

Nome científico: Sparisoma axillare

Status de conservação: vulnerável (VU)

Tamanho: até 45cm

Espécie endêmica da costa brasileira. Esta é uma das espécies mais abundantes de budiões da costa brasileira e que apresenta maior distribuição geográfica atual. É bastante comum em sua fase inicial nos recifes e costões rochosos rasos e encontrado até os 40m de profundidade.

 

 

Nome popular: budião-sinaleiro, budião-batata

Nome científico: Sparisoma frondosum

Status de conservação: vulnerável (VU)

Tamanho: até 45cm

Também bastante abundantes na costa brasileira. É comum nos recifes e costões rochosos rasos e encontrado até os 40m de profundidade.

 

Saiba mais

Com o foco na pesquisa científica e no envolvimento fundamental das universidades em ações de conservação, o Projeto Budiões é desenvolvido pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, em parceria com uma rede de pesquisa formada por professores e laboratórios da UFMA, Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Estadual Santa Cruz (Uesc).

Outras informações podem ser obtidas pelo site do Projeto, canal no Youtube e pelo Instagram @budioes.

 

Por: Allan Potter

Produção: Marcos Paulo Albuquerque

Fonte: Projeto Budiões

Foto: Acervo Projeto Budiões

Revisão: Jáder Cavalcante

 

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