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Inovação da UFMA pode transformar o combate a mosquitos transmissores de doenças
São Luís, MA — A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) obteve, em 2021, a concessão da patente nº BR 102016008090-8 para um inseticida natural à base da pasta das folhas do Azadirachta indica — popularmente conhecida como nim — desenvolvido para eliminar mosquitos vetores de doenças e pragas agrícolas. A invenção, que resultou de um depósito realizado em 12 de abril de 2016, representa uma contribuição significativa para o controle de vetores urbanos e agronômicos em contexto nacional.
Diante dos riscos à saúde humana, ao meio ambiente e da crescente resistência de vetores a inseticidas químicos tradicionais, a nova formulação à base de nim da UFMA surge como alternativa eficaz, segura e sustentável para o combate a mosquitos como Aedes aegypti, com potencial de impacto tanto em áreas urbanas quanto rurais.
O problema: limitações dos métodos convencionais
Os inseticidas químicos comumente utilizados — como piretróides e organofosforados — apresentam elevado grau de toxicidade para humanos, animais e meio ambiente, além de contribuir para a resistência de mosquitos e outros vetores. Alternativas naturais existentes, embora menos agressivas, frequentemente são limitadas a ação repelente ou requerem processos de fabricação complexos, com eficácia reduzida.
Por outro lado, os desafios sanitários permanecem — doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, seguem sendo preocupação em diversas regiões do país. A necessidade de soluções seguras, acessíveis e efetivas é urgente.
A invenção da UFMA: características e vantagens
A formulação patenteada pela UFMA — apelidada de “Nim10” — apresenta diferenciais relevantes:
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Alta eficácia letal: em testes preliminares, a “Nim10” demonstrou 100% de mortalidade em mosquitos adultos de Aedes aegypti com apenas 5 minutos de exposição.
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Segurança ambiental e biológica: segundo os responsáveis pela patente, o produto não causa danos a mamíferos, animais silvestres ou insetos polinizadores.
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Versatilidade de aplicação: pode ser preparada em forma líquida ou granulado solúvel, com veículos simples como água ou álcool, e aplicada por aerosol, spray, nebulização ou como pó granulado.
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Amplitude de uso: eficaz contra mosquitos vetores de doenças (Aedes, Anopheles, Culex) e contra pragas agrícolas como lagartas, pulgões e besouros — o que amplia o impacto da tecnologia para além da saúde pública, atingindo também a agricultura.
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Sustentabilidade: utiliza folhas de nim — uma árvore já aclimatada e comum em várias regiões do Brasil — reduzindo a dependência de componentes sintéticos não biodegradáveis e oferecendo uma alternativa ecologicamente responsável.
Relevância para saúde pública e agricultura
A adoção de inseticidas naturais como a “Nim10” da UFMA pode representar um avanço estratégico para políticas públicas de saúde e agricultura sustentável:
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Redução do risco toxicológico — ao substituir compostos sintéticos nocivos, diminui os impactos adversos à saúde humana, à fauna não-alvo e ao meio ambiente.
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Acessibilidade e autonomia local — o uso de matéria-prima vegetal abundante e de baixo custo (folhas de nim) pode facilitar a produção local, reduzindo a dependência de insumos importados e caros.
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Dupla função: saúde e segurança alimentar — além de combater vetores de doenças, o produto pode atuar como biopesticida na agricultura, controlando pragas sem contaminar o solo ou os cultivos com resíduos tóxicos.
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Sustentabilidade — contribui para práticas agroecológicas e de controle integrado de pragas, alinhadas às agendas ambientais e de desenvolvimento sustentável.
Desafios e perspectivas
Embora promissora, a transposição da tecnologia da bancada de desenvolvimento para a escala real ainda enfrenta desafios: necessidade de testes em condições reais de campo, avaliação da persistência e do impacto ambiental em longo prazo, bem como regulamentação para uso doméstico, urbano, rural e agrícola.
Além disso, uma advertência presente na literatura sobre neem: alguns estudos apontam que certas preparações, especialmente extratos não aquosos ou concentrados, podem apresentar toxicidade sistêmica em mamíferos, especialmente em doses elevadas ou uso prolongado — o que demanda cautela e rigor nos protocolos de segurança. PubMed+1