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Mapeamento com geotecnologias pode auxiliar gestão de resíduos sólidos em São Luís

publicado: 05/01/2026 11h42, última modificação: 05/01/2026 13h53
FOTO 3 - A ponto inicial da avenida_ B resíduos de construção civil_ C resíduos sólidos urbanos_ D resíduos comerciais. [Fonte Acervo-LEPENG] - Copia.jpg

A Gestão de Resíduos Sólidos em cidades brasileiras é uma questão que gera intensos debates porque, quando mal feita, resulta em impacto negativos para o paisagismo e, principalmente, para o meio ambiente: contaminação de solos e água; proliferação de vetores de doenças e entupimento de bueiros.

 

Observando esse cenário, os acadêmicos do Curso de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Roberto Victor Costa Batista e Larissa Letícia Santos Ferreira, desenvolveram o artigo “Uso de Geotecnologias para o Mapeamento de Resíduos Sólidos na Avenida Moçambique, São Luís - Maranhão”, com a proposta de mapear os pontos de descarte desses resíduos no trecho da via que abrange os bairros Anjo da Guarda e São Raimundo, região Itaqui-Bacanga.

 

A equipe executora da pesquisa é vinculada ao LEPENG/UFMA [Foto: Acervo/LEPENG]

 

De acordo com Roberto, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece regras para o manejo e gestão dos resíduos sólidos, ainda enfrenta diversos desafios em sua aplicação.

 

“Os principais entraves estão ligados à falta de infraestrutura dos municípios, descontinuidade das políticas públicas e ausência de investimentos contínuos em educação ambiental. No caso de São Luís, isso fica mais evidente nas áreas periféricas, onde os serviços de coleta são limitados e o descarte irregular se torna uma prática cotidiana”, afirma.

 

Como auxílio para a investigação, os pesquisadores utilizaram as chamadas geotecnologias, ou seja, um conjunto de ferramentas para coleta, processamento e análise de dados geoespaciais. Uma dessas tecnologias foi o TimeStamp, que registra fotos pelo celular contendo informações sobre coordenadas geográficas em Graus, Minutos e Segundos (GMS). Esse recurso foi fundamental para coletar dados sobre os pontos de descarte, e fazer comparação com informações do Google Maps e inserção nos sistemas do Google Earth. Como resultados foram localizados diversos pontos de descarte irregular ao longo da avenida.

 

Mapa de distribuição dos pontos de resíduos sólidos identificados na Avenida Moçambique, São Luís (MA) [Fonte: Acervo/LEPENG]

 

Foram observados resíduos de construção civil (como entulhos, restos de concreto, tijolos e areia) mais concentrados ao norte da via. Em alguns casos, aconteceu o descarte irregular em calçadas. Já os resíduos urbanos (lixo domiciliar, restos orgânicos e materiais recicláveis) estavam localizados em terrenos baldios ao longo de toda avenida, com concentração maior próximo à áreas residenciais. Com relação aos resíduos provenientes de atividades comerciais (como caixas de papelão, embalagens plásticas e outros) foram localizados perto de comércios e feiras.

 

A: ponto inicial da avenida; B: resíduos de construção civil; C: resíduos sólidos urbanos; D: resíduos comerciais. [Fonte: Acervo/LEPENG]

 

“Os estudos e pesquisas com esse tema são relevantes porque produzem informações necessárias para orientar a criação de novas políticas públicas e ações governamentais. Ao mapear com precisão esses pontos de descarte, é possível planejar melhor as ações de coleta, limpeza e conscientização. Além disso, reforçam o olhar geográfico, que une espaço físico e social”, diz o acadêmico, Roberto Victor.

 

Conduzido no âmbito do Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (LEPENG/UFMA), o artigo foi apresentado e vai ser publicado no IV Workshop do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPA) da UFMA. Já a orientação ficou a cargo do Prof. Dr. do Curso de Geografia da UFMA, Márcio José Celeri, e da Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFMA, Daniele Costa Rufino.

(Pedro Batista)

 

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