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Fundação Sousândrade debate governança inclusiva e combate ao assédio nas organizações

publicado: 31/03/2026 12h12, última modificação: 01/04/2026 07h59
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O comunicador, Júnior Chocolate; a palestrante, Patrícia Cáceres Gonçalves; o presidente da FSADU, Walter Nunes, e a advogada, Sânya Aquino

São Luís recebeu, na sexta-feira (27), o Segundo Encontro Maranhense sobre Governança Antidiscriminatória e Antiassédio nas Organizações. O evento reuniu representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil, para discutir práticas mais inclusivas e a construção de ambientes de trabalho mais seguros.

 

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A iniciativa foi promovida pela Fundação Sousândrade de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal do Maranhão, no Espaço Navigare, bairro Cohafuma, com programação ao longo de todo o dia. A edição deste ano abordou os temas: protagonismo feminino na equidade de gênero e na liderança, representação internacional, ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, comunicação consciente, assertiva e inclusiva para o empoderamento da mulher, voz de poder, mudanças na percepção de liderança nos últimos dez anos.

 

Assédio e desigualdade ainda marcam o mercado de trabalho

O debate ocorre em um contexto no qual o assédio e a discriminação ainda são desafios concretos no Brasil — e também no Maranhão. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostram que o país registra, todos os anos, dezenas de milhares de processos envolvendo assédio moral e sexual. Já levantamentos do IBGE indicam que mulheres ainda recebem, em média, cerca de 20% a menos que homens no mercado de trabalho.

 

No Maranhão, onde há forte presença de população negra, os desafios são ainda mais evidentes. Segundo dados da PNAD Contínua, pessoas negras ocupam a maior parte dos postos de trabalho mais precarizados, enquanto ainda são minoria em cargos de liderança.

 

Esse cenário reforça a importância de discutir governança inclusiva como estratégia institucional e social.

 

Josie Bastos (Universidade FM), Walter Nunes (FSADU), e os cerimonialistas, Paulo Pellegrini e Maria Ramos, da Universidade FM 

 

Evento reforça compromisso com práticas mais humanas

Durante a abertura, o presidente da Fundação Sousândrade, Prof.  Walter Nunes, destacou que a promoção do encontro também é uma posição ativa diante dessas desigualdades.

 

“Para nós, é um motivo de orgulho estarmos patrocinando um evento tão robusto com relação às boas práticas contra o antirracismo e à integridade de gênero e de raça”.

 

Walter ressaltou que o papel das instituições deve ir além do discurso.

 

“Temos a responsabilidade de propagar esse sentimento de respeito, para que a gente possa realmente ter organizações mais saudáveis e ambientes mais humanizados”.

 

Ainda segundo o presidente, esse compromisso também se reflete na prática interna.

 

“Não admitimos, de forma alguma, qualquer ação discriminatória dentro da nossa organização”, reforça.

 

Formação e informação como ferramentas de mudança

Presente no evento, a professora doutora do Curso de Comunicação Social da UFMA e diretora-executiva da Universidade FM, Josie Bastos, destacou a importância do evento como um espaço de aprendizado institucional.

 

“Bom, a Rádio Universidade fica muito feliz de poder participar desse evento, não só na condução, na parte do cerimonial, mas também para ter informações e mais autonomia sobre questões relacionadas à integridade de gênero e raça”, diz, Josie.

 

A diretora-geral da 106,9 também destacou que o tema impacta diretamente a gestão de pessoas.

 

“Para gente é muito importante na gestão, porque a gente lida com pessoas... pessoas que têm necessidades diferentes. É importante ter informações de como lidar com questões mais sensíveis nas empresas. É um aprendizado a mais e a gente fica muito feliz de estar participando desse grande evento.”

 

Papel da academia e das instituições

A professora Josie Bastos também ressaltou o papel da formação continuada. Ela ainda chamou atenção para o papel das universidades na construção dessa mudança cultural, especialmente na formação de profissionais mais conscientes e preparados para lidar com diversidade e inclusão no mercado de trabalho.

 

Segundo ela, espaços como o encontro ampliam o debate e aproximam teoria e prática, contribuindo para uma formação mais crítica e alinhada às demandas sociais atuais.

 

“...Possibilidades de unirmos teoria e prática, e que contribuem para uma formação mais crítica que perpassam as demandas atuais. São Possibilidade que se mostram a partir da promoção deste evento”, reforça, Josie.

 

 

Comunicação inclusiva e liderança em foco

Um dos destaques da programação foi a participação da palestrante internacional, Patrícia Cáceres Gonçalves, especialista em comunicação para liderança.

 

Durante explanação, ela chamou atenção para a comunicação como uma ferramenta central na construção de ambientes mais justos.

“A gente tem levado pelo mundo essa consciência sobre as características importantes para uma liderança, que incluem uma comunicação inclusiva, que respeita e dá voz ao outro”, diz, patrícia.

 

A palestrante observou também a forma como “comportamentos” ainda são naturalizados.

 

“Às vezes, as pessoas nem se dão conta que, na fala de uma mulher dentro de uma empresa, ela pode ser interrompida, pode ser desvalorizada e pode não ter voz.”

 

Para Patrícia Cáceres Gonçalves, a mudança passa por consciência e transformação cultural.

 

“Falar de liderança, hoje, é falar de respeito, de transformação e de equidade.”

 

Diversidade como estratégia de inovação

A palestrante também destacou que ambientes diversos não são apenas mais justos, mas também mais eficientes.

 

“Toda inovação precisa dessa diversidade de ideias, de espaço, de ações e de vozes.”

 

A fala reforça estudos internacionais apontando que empresas com maior diversidade de gênero e raça tendem a apresentar melhores resultados e maior capacidade de inovação.

 

 

Programação ao longo do dia

O Segundo Encontro Maranhense sobre Governança Antidiscriminatória e Antiassédio nas Organizações teve início às 9h e seguiu até às 18h, com palestras, painéis e debates. A proposta foi fortalecer a adoção de práticas institucionais mais éticas, inclusivas e alinhadas aos direitos humanos, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais respeitosos no Maranhão, preocupações presentes na forma de administrar da gestão da Fundação Sousândrade.  

(Borges Júnior)

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