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RÁDIO CIÊNCIA
Estudo genético pode contribuir para a preservação de morcegos no Maranhão
Ao longo do processo evolutivo, a maioria das espécies de plantas e animais sofre mudanças em suas características físicas e genéticas. Entretanto, em algumas, essas mudanças não afetam a aparência, sendo apenas possível fazer uma diferenciação por meio do DNA. Esse fato pode gerar identificações equivocadas e comprometer pesquisas.
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Atuando nesse cenário, a acadêmica do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) — campus Caxias, a 360 km de São Luís — Lanna Grazielly Silva Gouveia, desenvolve a pesquisa “Filogenia de Morcegos Neotropicais do Gênero Sturnira Gray”, com a proposta de entender a diversidade de morcegos frugívoros, que se alimentam de frutas, tendo em vista a importância ecológica deles na dispersão de sementes.
De acordo com Lanna, os morcegos frugívoros do gênero Sturnira Gray ajudam na manutenção da diversidade de plantas e regeneração de florestas:
“Sem os morcegos desse gênero, muitas espécies de vegetais teriam dificuldade de se reproduzir e de ocupar novos espaços. Então, proteger esses morcegos é defender todo esse processo natural de regeneração das florestas, o que beneficia outras espécies e as comunidades humanas que dependem de recursos naturais”.
O estudo utiliza a filogenia, método responsável por descrever a história evolutiva das espécies e pelo qual os pesquisadores conseguem definir semelhanças, padrões evolutivos e contribuir para a conservação da biodiversidade. Para isso, foram obtidas amostras de espécies das cidades de Caxias, Carolina e Timon.

A orientação ficou a cargo de professores vinculados ao GENBIMOL-UEMA e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá - IDSM
Com as amostras em mãos, a pesquisadora avaliou caracteres morfológicos, ou seja, estatura, peso, distribuição das partes do corpo e outras. Esses dados possibilitaram uma comparação com os resultados da análise molecular, que estuda as macromoléculas — como DNA e RNA — para informar toda a sequência genética dos seres vivos.
Os resultados finais destacaram três espécies com bastante semelhança nas características físicas, o que confirma as dificuldades na identificação com base apenas nesses dados. Além disso, com a análise de 56 sequências genéticas, foi mapeada a presença de três espécies no Cerrado e na Amazônia Ocidental e Oriental.
“O estudo ajuda a resolver questões complexas relacionadas a identificação e taxonomia dessas espécies. Ao reforçar a importância da integração entre morfologia e genética, ele fornece informações que podem ser aplicadas em outras áreas como ecologia e biogeografia. Além disso, gera dados fundamentais para a conservação, já que conhecer as espécies que habitam cada bioma é o passo inicial para protegê-las”, diz, Lanna Grazielly.

A análise de características físicas envolveu medição de estatura dos morcegos
Foi possível ainda complementar informações com bases na árvore filogenética, que vai descrever como esses morcegos passaram por mudanças ao longo do tempo com base em um ancestral comum. Outra observação feita pelo estudo é a divergência entre as análises morfológicas e moleculares, o que reforça a importância de comparar os dados obtidos nos dois métodos para uma identificação mais confiável.

Os resultados do estudo foram apresentados no International Congress of The Brazilian Society
Premiado no “International Congress of The Brazilian Society”, o projeto foi conduzido no âmbito do Laboratório de Genética e Biologia Molecular (GENBIMOL) da UEMA, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).
(Pedro Batista)