Notícias
"Não basta o acesso, é urgente o letramento digital", destaca Pró-reitora da UFMA sobre parceria com a Anatel
SÃO LUÍS – Em um cenário de rápida expansão da infraestrutura de telecomunicações no Brasil, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) coloca-se na vanguarda da discussão sobre inclusão social através do projeto Cidadania Digital. Fruto de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a iniciativa foca no desenvolvimento humano para além da simples oferta de sinal de internet.
Em entrevista exclusiva, a Pró-reitora de Extensão, Cultura e Difusão Científica da UFMA, Profa. Dra. Zefinha Bentivi, analisa os pilares do projeto e destaca como a "interação dialógica" será a base para transformar a realidade de comunidades tradicionais em Alcântara e Raposa. Confira os principais trechos:
LÚCIO SILVA: Pró-reitora, o projeto Cidadania Digital surge em um momento em que a infraestrutura de rede, como o 5G, avança pelo país. Qual a importância de a UFMA atuar especificamente no "letramento" e não apenas na conectividade?
ZEFINHA BENTIVI: Nas sociedades contemporâneas, o acesso às tecnologias da informação e da comunicação é, sem dúvida, fundamental para o desenvolvimento de uma cidadania plena. Contudo, não basta o acesso; é necessário e urgente o letramento digital, principalmente em se tratando do atendimento às populações vulneráveis. A nossa missão é garantir que a tecnologia seja uma ferramenta de autonomia e não apenas uma infraestrutura técnica sem uso social efetivo.
LÚCIO SILVA: As cidades de Alcântara e Raposa possuem identidades culturais e econômicas muito fortes, como o artesanato e a pesca. Como o projeto foi desenhado para respeitar essas tradições enquanto introduz novas competências digitais?
ZEFINHA BENTIVI: As cidades de Alcântara e Raposa representam, ao mesmo tempo, modernidade e tradição. Sobretudo Alcântara, cujo passado histórico alinha-se hoje a uma tecnologia de ponta com lançamentos de foguetes, por exemplo. São condições por si mesmas complexas e cheias de possibilidades. Para respeitar tudo isto e poder realizar o projeto "Cidadania Digital", buscamos e continuaremos buscando a interação e o diálogo com a população. É uma ação que, na extensão, denominamos de interação dialógica. O saber acadêmico e o saber popular caminharão juntos.
LÚCIO SILVA: O Cidadania Digital é fruto de uma parceria com a Anatel. Como essa união fortalece a imagem da UFMA como referência em extensão universitária no Brasil?
ZEFINHA BENTIVI: A missão da Anatel é promover o desenvolvimento da conectividade e da digitalização do Brasil em benefício da sociedade. Uma das funções mais relevantes da universidade é contribuir para o desenvolvimento humano e social, buscando transformações sociais tão requeridas em nosso país. A parceria UFMA-Anatel representa não apenas o acesso ao mundo digital, uma vez que a conectividade virá junto com o desenvolvimento de cidadania.
Quanto à imagem da UFMA como referência, pelo ineditismo, pela ousadia e pela qualidade teórico-metodológica, não tenho dúvidas de que o projeto Cidadania Digital se tornará referência no país. Ele será um marco não só no campo acadêmico, mas também no campo corporativo, demonstrando a capacidade da universidade em gerir soluções complexas para o desenvolvimento nacional.